"A Sobrevivente Imortal: Jogando no Modo Deus" Capítulo 4: O Tabu nas Regras
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Capítulo 4: Tabus nas Regras
Não importava o quanto ela o provocasse ou desafiasse, o Faxineiro não ousava dar um passo à frente, limitando-se a soltar rugidos de pura impotência. Para ser exato, aquela criatura não podia se aproximar a menos de cinco metros da Terceira Estante. Alice já havia testado e compreendido perfeitamente os limites das regras daquela entidade.
Ela se lembrou da Regra 3, que proibia folhear o livro de capa preta. Mas, quanto mais algo era proibido, mais ela sentia vontade de tocá-lo. As regras do jogo foram feitas para jogadores que lutavam desesperadamente pela vida; no entanto, como a única exceção naquele lugar, Alice acalentou um pensamento que faria qualquer um tremer de medo.
Ela deu um passo à frente, aproximando-se da sétima obra na terceira fileira. A regra em si era a maior pista: o que é proibido costuma ser a chave de tudo.
Alice fechou os olhos lentamente, e uma nova visão do futuro se manifestou. Ao estender a mão para pegar o livro negro sem título, antes mesmo que pudesse abrir uma página, o objeto ganhava vida própria e começava a folhear-se sozinho. Lá dentro não havia texto, mas sim inúmeras mãos cobertas de tentáculos que brotavam das páginas para arrastar quem segurasse o livro para um mundo interior.
A visão terminou abruptamente ali. Alice vira uma cena de arrepiar, mas não conseguia visualizar como era o mundo dentro do livro. Seria um abismo? Ou um ninho de devoradores de gente? Ela abriu os olhos com uma expressão de decepção, lamentando não ter visto o interior, o que só fez sua curiosidade aumentar.
Leo, imerso na busca pela saída, virou o rosto e viu o Faxineiro rugindo de um lado e Alice parada diante da estante proibida do outro. Um pressentimento terrível o invadiu.
Ela não vai fazer o que eu estou pensando, vai?
— Caramba!
Leo presumiu erroneamente que Alice estava acuada pelo Faxineiro. Pensando que ela estava sacrificando a própria segurança para que eles tivessem tempo de encontrar a saída, ele decidiu agir. Olhou ao redor, mas na biblioteca não havia nada útil além de livros e da vassoura nas mãos do monstro. Ele também temia que outros livros ganhassem vida como aquele que matara o homem robusto.
Entre salvar a própria pele e tentar resgatar uma companheira, Leo levou dois minutos para escolher a segunda opção. Ele pegou um livro qualquer e o arremessou contra o Faxineiro para atrair sua atenção. O livro voou certeiro e atingiu as costas da criatura.
— ROOOAR!
Mais alguns rugidos ensurdecedores. Helena sentiu que, se aquele barulho continuasse, seus tímpanos iriam estourar. Ao lado dela, Júlia tapava os ouvidos com uma mão enquanto continuava a procurar com a outra.
— A saída da Regra 4 realmente existe? — Júlia questionou, duvidosa. A regra não dizia onde estava a saída, nem se ela era a condição de vitória. Poderia ser apenas uma armadilha?
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— Ah, pare de reclamar e procure! Pela minha experiência, se está nas regras, o lugar existe — retrucou Helena.
— Mas e se a saída for um tabu? — a preocupação de Júlia só crescia.
Helena, focada apenas na palavra "saída", não tinha paciência para divagações. Nos três cenários anteriores que venceu, as condições nunca falharam, e ela acreditava piamente que desta vez não seria diferente.
— Com esse medo todo, você nunca vai conseguir nada grande — repreendeu Helena. Júlia, percebendo a teimosia da outra, preferiu o silêncio.
Enquanto isso, o Faxineiro, mesmo atingido pelo livro, permanecia obstinado no lugar, como se estivesse determinado a não perder Alice de vista. Leo, andando de um lado para o outro em pânico, resmungou: — Por que um monstro tem que ser tão teimoso?
Alice ouviu o som do livro caindo e olhou na direção deles. Leo começou a gesticular freneticamente: — Eu distraio ele, você foge!
Ela entendeu o que ele disse, mas não foi a única. A entidade, dotada de consciência, também ouviu perfeitamente. Alice não sabia se o chamava de estrategista ou de ingênuo; ele gesticulava como se estivesse em uma missão secreta, mas falava em voz alta, expondo cada detalhe do plano. No entendimento do Faxineiro, aquilo era um insulto. Ele aceitava ser provocado, mas jamais ignorado.
A criatura virou-se, brandindo a vassoura, e correu em direção a Leo.
Boa notícia: o plano funcionou.
Má notícia: ele atraiu o monstro para si.
Leo começou a correr em círculos ao redor de uma estante, tentando cansar a criatura. Helena, observando a cena com um toque de malícia, comentou: — Você não deveria ter se metido. Ela provocou o monstro, ela que resolva.
Nesse meio tempo, Helena aproveitou a distração para ir até o balcão e analisar o mapa da biblioteca. O mapa mostrava uma área pequena, mas, por algum motivo, parecia que as estantes nunca terminavam.
Apesar dos esforços de Leo, Alice não pretendia fugir. Fugir para onde? Tabus nas regras não descansam até que alguém morra. Alice juntou as mãos e um sorriso enigmático surgiu em seus lábios.
PALMA! PALMA! PALMA!
O som sucessivo de palmas atraiu instantaneamente o Faxineiro. Palmas eram ruído e, acima de sua dignidade, a prioridade da criatura era eliminar o barulho. Como ela desejava, o monstro avançou rapidamente, mas freou bruscamente ao atingir o limite de cinco metros.
— Eliminar... — os globos oculares no rosto dele saltavam e retraíam.
Alice, parada bem na fronteira da zona de segurança, fez uma careta para o monstro. — E aí? É bom sentir essa vontade de matar e não poder fazer nada, né?
A presa estava diante dele, mas o Faxineiro não ousava se mover. Um passo a mais na Terceira Estante e ele seria reduzido a cinzas. Alice olhou para a vassoura; em suas visões, aquele era um excelente item. Nas mãos daquela criatura, servia apenas para varrer; um desperdício. Ela decidiu tomá-la para si.
Alice estendeu a mão para pegar o objeto, mas o Faxineiro era rancoroso e segurou com força. Por mais que ela puxasse, ele não soltava.
— Você guarda mágoa, hein? Quer resolver do jeito fácil ou do jeito difícil? — perguntou Alice. O monstro apenas rugiu. — Entendi, você prefere o soco.
Sem aviso, Alice desferiu um soco direto na massa de olhos da criatura. Leo fechou os olhos com força, esperando ver Alice explodir em sangue como o outro jogador. Dois minutos se passaram e ele abriu uma fresta entre os dedos.
O que ele viu não foi o que imaginava. Com um som viscoso, Alice estava ilesa, mas vários olhos do Faxineiro haviam explodido, espirrando um líquido transparente e grudento, semelhante a muco, que ficou balançando nas roupas de Alice.
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