"Destino Trocado: O CEO e a Garota Misteriosa" Capítulo 54: A Conquista
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Quando o relógio marcou sete horas, o homem deitado na cama abriu os olhos pontualmente. Ele ficou encarando o teto por um bom tempo antes de se levantar.
A estação avançava lentamente para o outono. As folhas das árvores ao redor da mansão tingiam-se gradualmente de amarelo; quando perdiam o último traço de nutrição, desprendiam-se dos galhos e retornavam às raízes. O vento outonal soprava frio, e as folhas no chão, que os funcionários ainda não tinham tido tempo de varrer, acumulavam-se em camadas, conferindo ao lugar um ar de solidão.
Arthur estava parado diante da janela panorâmica observando a paisagem. Ele ainda vestia um pijama leve de verão, mas, como o aquecimento estava ligado, não sentia frio. O sol alaranjado surgia aos poucos por trás das montanhas, e a névoa matinal, ainda presente, refletia cores deslumbrantes sob a luz do amanhecer.
Uma silhueta ágil cruzava a névoa. O animal saltava, com metade do corpo banhado pela luz matinal, esticando as patinhas peludas para frente como se tentasse agarrar os raios de sol, mas capturando apenas o vapor frio da manhã.
— Aww?
O bichinho tombou a cabeça, confuso, e logo teve a atenção roubada pelas folhas secas no chão. Ele mergulhou no monte de folhas, espantando um gafanhoto assustado, e começou a persegui-lo em direção à janela onde Arthur estava.
Arthur agachou-se e deu leves batidas no vidro.
O cachorro, atraído pelo som, ergueu a cabeça e viu o homem agachado. Arthur tinha acabado de lavar o rosto; o cabelo na testa estava úmido e algumas gotas pendiam de suas sobrancelhas. O sol atravessava a névoa e iluminava seu rosto, trazendo um calor suave que se refletia em seus olhos de fênix.
— Au, au...
Mamãe, bom dia!
Arthur disse: — Bom dia, Ferrabrás.
Ao ouvir o nome, Ferrabrás ficou radiante e correu para dentro da mansão abanando o rabo. Arthur amparou o cachorrinho que vinha em sua direção e o pegou no colo. Ele ainda não tinha se tornado o "botijão de gás" do futuro, então um homem que se exercitava regularmente conseguia carregá-lo sem problemas.
Ele se curvou para servir a ração e, após pensar um pouco, não colocou muito, com medo de que o cão engordasse demais.
Alice desceu as escadas e, ao vê-lo servindo a comida, sorriu. — Quem diria que você gostaria tanto desse cachorro.
Arthur fez um carinho na cabeça do animal. — Fazer o quê? É "filho" meu.
— Hein? — Alice perguntou. — O que você disse? Filho de quem?
Arthur levantou-se. — Nada, só senti que temos afinidade.
Alice aproximou-se para observar Ferrabrás, que comia com vontade. Embora ainda parecesse magro, os pelos estavam muito mais brilhantes, exibindo o vigor típico de um Husky Siberiano.
— Parece um garotinho bem animado. Mas essa raça costuma ser bem bagunceira, prepare o seu psicológico.
— A propósito... — Ela olhou para o filho. — O que está acontecendo?
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— O que exatamente?
— Com a Yasmin.
Arthur paralisou por um instante ao ouvir o nome dela, e logo um sorriso transpareceu em seu olhar. Alice achou que, pelo histórico do filho, ele ficaria tímido ou algo do tipo. No entanto, ele parou diante dela com um olhar honesto e transparente.
— Eu gosto muito dela. Do tipo que quer casar.
Desta vez, quem paralisou foi Alice.
Ela achava que, como ele não tinha muito contato com mulheres, poderia ter confundido a beleza de Yasmin com amor. Ela conhecia Yasmin, gostava da personalidade dela, mas isso não significava que ele pudesse decidir de forma impetuosa assumir a vida daquela moça. Não parecia uma decisão racional, nem para Arthur, nem para Yasmin.
Mas todas as suas palavras de oposição morreram ao encarar o olhar dele.
Aquele olhar dizia que ele falava sério. Não era um capricho momentâneo ou mera atração física; era como se, num campo com milhares de flores, ele tivesse escolhido apenas aquela, e apenas aquela ele conseguisse enxergar.
— Você... — Alice começou. — Desde quando?
Ela não entendia. Em sua memória, eles tinham se visto pouquíssimas vezes; não compreendia de onde vinha aquele sentimento avassalador.
— Eu também já esqueci quando começou.
Talvez tenha sido no encontro atrapalhado no banheiro, quando os olhos dela brilharam com cores que não pertenciam a ele; talvez fosse o fato de que, não importa o que acontecesse, ela sempre conseguia sorrir; talvez fosse aquele vislumbre das costas alvas dela enquanto se trocava; ou talvez o vento noturno no caminho da montanha até a mansão fosse gentil demais...
Seu coração já tinha sido levado pelo vento há muito tempo.
A última peça do quebra-cabeça fora finalmente encontrada, e a imagem completa tecia um sonho cômico e emocionante. Agora, desperto do sonho, ele havia saído, mas seu coração permanecia lá dentro.
— O sentimento nem sempre tem uma explicação lógica. Só quero que saiba que gosto muito dela. Sei que o tempo foi curto e talvez a senhora não aceite bem, mas Yasmin é uma moça excelente. Espero que a senhora goste dela, e o meu pai também.
Alice sentiu um "azedo" nos dentes ao vê-lo daquele jeito.
— Eu estava planejando organizar o seu casamento assim que você voltasse, mas você mal chegou e já foi atropelado — e ainda foi atropelado direto para um romance. Talvez seja o destino. Eu não posso interferir; você decide o que fazer. Mas a Yasmin é tão bonita, não sei se você terá essa sorte toda.
Arthur sorriu. — Então vou me esforçar para que ela venha escrever um livro na nossa casa também.
Alice: “...”
Ela levou um tempo para entender a que ele se referia e lançou-lhe um olhar severo. — Você anda espalhando esse tipo de coisa por aí?
Arthur disse: — O meu pai imprimiu e deixou na sala, por que eu teria medo de falar?
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Alice retrucou: — Suma da minha frente! Só de olhar para você já fico irritada!
Era fim de semana. Simone tinha dado folga para Yasmin, que só voltaria à empresa na segunda-feira.
A manhã de outono estava fria. Yasmin não queria levantar e ficou enrolada na cama conversando ao telefone com Gabi.
A voz aguda de Gabi quase arrancou o telhado do apartamento alugado: — O QUÊ?! VOCÊ DISSE QUE GOSTA DO ARTHUR MAGALHÃES?!
Yasmin baixou o volume do celular às pressas. — Pelo amor de Deus, fala baixo! Você vai fazer o prédio inteiro ficar sabendo.
— Não, Yasmin! — Gabi disse, frustrada. — Eu não te avisei como ele é? Gostar dele não vai levar a lugar nenhum. Você tem noção? A família dele vai dar um banquete daqui a dois dias, como um anúncio oficial do retorno dele ao país. Sabe quantas mulheres estão tentando entrar nesse evento?
Yasmin virou-se na cama, enrolada no cobertor. — E o que eu tenho a ver com isso?
— Como assim? Se você gosta dele, todas elas são suas rivais.
Yasmin disse devagar: — Mas eu sinto que ele também gosta de mim.
Gabi: “...”
Gabi ficou muda, e a cena dos dois no hospital veio à sua mente.
— Ele foi apenas educado. A educação da família Magalhães sempre foi impecável, eles não têm os vícios de outros "herdeiros". A mãe dele é famosa no círculo social por ser uma dama muito gentil. As mulheres que querem casar com ele são incontáveis.
— Eu não sou tão ruim assim... — disse Yasmin. — Embora minha condição financeira não se compare à dele, minha mãe é funcionária pública aposentada. Mesmo estando no estágio e ganhando pouco agora, quando eu for efetivada vou ganhar uns vinte mil; com esforço, dá até para sustentar ele.
— Não estou dizendo que você não está à altura dele — Gabi fez uma pausa. — É apenas que ele é reconhecidamente excelente, e pessoas assim costumam ser muito exigentes. Tenho medo que você se jogue no fogo como uma mariposa e acabe sofrendo.
— Mas...
Yasmin ficou encarando os adesivos na parede, e a imagem do homem surgiu em sua mente.
— Gabi, eu quero tentar. — Ela declarou com determinação: — Eu vou conquistar o Arthur Magalhães.
Gabi: “...”
Yasmin continuou: — Acho que tenho vantagem sobre as outras. Eu o atropelei, devo dinheiro a ele, o meu cachorro está com ele e provavelmente seremos parceiros de negócios. Eu tenho o WeChat dele; vê-lo é muito fácil. Conquistá-lo vai ser moleza.
Gabi rangeu os dentes. — Eu realmente devo ter sido uma pecadora na vida passada para ter você como amiga.
Dizendo isso, ela desligou o telefone. Um minuto depois, um arquivo chegou ao celular de Yasmin.
Yasmin abriu...
Caramba!
Era a biografia completa de Arthur. Gabi tinha conseguido informações de algum lugar: dez páginas inteiras.
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[Só posso te ajudar até aqui. Se com tudo isso você não conseguir conquistar ele — Yasmin, pode vir me entregar a sua cabeça!]
Yasmin riu e enviou vários emojis de beijo.
Ela virou-se de novo, segurando o celular para estudar os dados, quando uma chamada entrou. Yasmin paralisou ao ver a foto de perfil.
Era Arthur.
Ela atendeu, e a voz do homem soou grave e gentil.
— Yasmin.
Ouvir ele chamar seu nome fez seus ouvidos formigarem.
— O... o que foi?
Ao ouvir a voz gaguejante dela, ele soltou um leve riso do outro lado. — Você está de folga hoje?
Por algum motivo, o coração de Yasmin começou a bater mais rápido. — Ahn... sim.
— Embora seja um pouco repentino, não pude deixar de perguntar... Um restaurante novo abriu e um amigo disse que é muito bom. Posso te convidar para ir lá?
Yasmin ficou em choque.
Mesmo depois de descer as escadas, ela ainda não tinha processado a situação. Arthur estava esperando por ela lá embaixo. Como o carro novo tinha sido batido por Yasmin, ele trocou de veículo: um modelo preto discreto, com placa discreta — mas o preço não era nada discreto.
Ao vê-la chegar, ele se curvou, pegou um buquê de flores no carro e entregou a ela. — Já que aceitou o jantar, espero que aceitar um buquê não seja um pedido excessivo.
Yasmin pegou as flores, atônita. Eram lírios cor-de-rosa intensos. — Como soube que eu gosto desses?
O olhar de Arthur demorou-se no rosto dela. — Porque o perfume de outras flores é muito suave, mas este é diferente.
Yasmin riu. — É meio cafona, não é?
— De jeito nenhum — disse Arthur. — Todos os gostos são iguais. Acho que a flor deve estar feliz por alguém tê-la escolhido justamente pelo seu perfume.
Yasmin olhou para ele e depois para as flores, sentindo uma estranha inquietação no peito. Essa sensação aumentou quando entraram no restaurante, pois ela percebeu que quase todos os presentes pareciam ser casais.
— Você... — Após ele terminar o pedido, ela não aguentou e perguntou: — Por que resolveu me dar flores de repente?
Arthur serviu um copo de água e colocou diante dela. — Porque eu quis.
— Sinto que nossos encontros foram sempre cheios de imprevistos e acabaram sendo um tanto caóticos. Por isso, desta vez, eu quis ser mais formal.
— Quanto ao restaurante, peço que perdoe meu egoísmo por reservar aqui sem te avisar. Talvez você ache repentino, já que nos conhecemos há apenas alguns dias, mas eu não consegui mais guardar isso para mim...
Ele olhou fixamente para Yasmin. — Yasmin, eu gosto de você. Posso te conquistar?
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