"Destino Trocado: O CEO e a Garota Misteriosa" Capítulo 49: Esquecimento
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Yasmin agarrou os ombros de Gabi e a sacudiu com força. — Diga-me que isso não é verdade! Eu devo estar sonhando. Como pode haver uma coincidência tão grande neste mundo?
Gabi sentiu que ia vomitar de tanto ser chacoalhada. — Embora seja cruel, é a mais pura verdade.
Ela se desvencilhou das mãos de Yasmin e fez um sinal de "joinha". — Não esperava menos de você. Quando resolve causar, causa logo um estrondo.
Yasmin: “...”
Yasmin segurou a cabeça entre as mãos. — Eu acabei de acordar, por que me contar uma realidade tão cruel? Já era. Nosso chefe com certeza vai arrancar o meu couro. Se esse projeto fracassar por minha causa, serei a eterna pecadora da empresa.
— Fracassar não vai — disse Gabi. — Pelo que conheço do Arthur Magalhães, ele não parece ser esse tipo de pessoa. Se ele fosse alguém que age por impulso emocional, não teria a reputação que tem hoje.
— Você acha... — começou Yasmin. — Que ainda dá tempo de eu ir lá pedir perdão de joelhos?
Ela relembrou a imagem do homem que vira na cobertura. — Ele... parecia ser alguém com quem dá para conversar.
O homem tinha uma aparência aristocrática, com um ar indiferente e distante; sabe-se lá por que Yasmin achou que ele era acessível, e sem base nenhuma para isso. Mas, no fundo do coração, ela sentia que era verdade.
— Acessível? — Gabi riu dela sem piedade. — Você deve ter visto um Arthur falso lá em cima.
— Eu tive a honra de conhecê-lo uma vez. Aquela boca... quando ele começa a criticar alguém, não sobra pedra sobre pedra. Mas o caráter dele é bom. O pessoal do círculo dele costuma ser bem "animadinho", mas nunca ouvi nenhum escândalo sobre ele. Ele é mais reservado até que o meu irmão.
— Mas sabe... — Gabi baixou a voz. — Homens ricos e reservados assim são os mais perigosos.
— Por que perigosos? — Yasmin rebateu instintivamente. — Talvez a família dele seja rígida. Ser reservado só mostra que ele é puro.
— Yasmin... — Gabi cerrou os olhos. — Percebi que você está muito estranha. Por que fica defendendo ele o tempo todo?
Yasmin sentiu um nó na garganta e retrucou: — Onde é que eu estou defendendo? Você é quem fica falando mal dele o tempo todo.
— Ei! Que ingrata! Você atropelou o cara; se você visse a atitude da mãe dele no começo... eu estou do seu lado e você ainda me culpa!
Yasmin teimou: — Mas isso não tem nada a ver com ele.
Gabi deu um beliscão na bochecha dela. — Acho que alguém foi na cobertura e deixou o coração lá, hein? Mas vou te avisando: o Arthur morava no exterior e as garotas daqui não tinham chance. Agora que ele voltou, a lista de pretendentes interessadas é infinita. Trate de tirar o cavalinho da chuva.
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Ao ouvir isso, Yasmin não se deu por vencida. — Falando assim parece até que eu sou um lixo.
— Então me diga: o que ele veria em você?
Yasmin jogou o cabelo para o lado. — Esta moça aqui tem beleza.
Gabi: — É, você só tem beleza mesmo.
Yasmin: “...”
— Não se esqueça: você bateu no carro dele e deve uma fortuna. Ah, e tem toda essa história do coma. Espere só ele vir acertar as contas com você.
Yasmin: “...”
Yasmin ficou deprimida.
Dona Sônia entrou no quarto trazendo uma marmita. — O que vocês estão fofocando?
Gabi respondeu: — Sua filha se interessou pelo bonitão da cobertura. Planeja usar o "golpe da sedução" para ver se ele cobra menos pelo conserto do carro.
Sônia lançou um olhar severo para a filha. — Sua menina atrevida! Não vê o estado em que deixou o rapaz? Como ainda tem coragem de se interessar por ele? Já não bastou o estrago que você fez?
Yasmin fez um bico. — Não, mãe! Por que você acredita em tudo o que ela diz? Eu sou esse tipo de pessoa?
Sônia entregou a tigela de mingau para ela. — Acha que eu não te conheço? Você é um tormento. Se não tivesse herdado a minha beleza, ninguém te daria atenção.
Yasmin: “...”
Beleza, você é minha mãe de verdade mesmo.
Sônia viu a palidez no rosto da filha e parou de provocá-la. — Chega. Coma logo e descanse. Recuperar a saúde é o mais importante agora, não fique pensando em bobagens.
Yasmin mexeu no mingau e provou uma colherada; era tão leve que não tinha gosto de nada.
— Mas vem cá... como foi que eu acordei? E como eu desmaiei? Eu não tenho lembrança nenhuma.
Sônia hesitou por um momento. Ela puxou uma cadeira e começou a descascar uma maçã lentamente. — Deixe a Gabi te explicar. Tem coisas que eu também não entendo bem.
Yasmin olhou para Gabi.
— Na hora do acidente, vocês desmaiaram assim que foram resgatados. Ninguém sabia como ou por quê. Depois, no hospital, os exames não mostravam nada, era como se estivessem em estado vegetativo. Os médicos não sabiam o que fazer. Então...
Gabi escolheu bem as palavras. — Você se lembra daquele equipamento que o seu departamento estava desenvolvendo?
Yasmin estava sem apetite e com um semblante apático. — Lembro. Mas eu era recém-contratada, não sabia de muita coisa e não tinha acesso à tecnologia central. Mas diziam que era um aparelho voltado para pacientes em coma; ele estimularia o cérebro para aumentar a atividade cerebral e dar uma chance de despertar...
Nesse ponto, ela ergueu a cabeça bruscamente. — Você quer dizer que eu acordei por causa desse aparelho?
— Basicamente sim — disse Gabi. — O plano era conseguir o investimento do Arthur para levar o aparelho para testes clínicos, mas aí aconteceu o acidente. A sua chefe, Sra. Simone, negociou direto com o hospital e usou o protótipo em vocês dois.
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Na prática, o aparelho usava algoritmos para capturar elementos que pudessem estimular o cérebro do hospedeiro, criando a possibilidade de despertar.
— Dado que a situação era especial — um acidente onde dois humanos e um cachorro entraram em coma —, a Sra. Simone foi insana o suficiente para usar o aparelho até no cachorro.
Yasmin: “...”
Falando a verdade, isso é exatamente o que a minha chefe viciada em trabalho faria.
— E... — perguntou ela. — Como está o cachorro?
— Também acordou. A Sra. Simone o levou para cuidar, provavelmente quer estudar o caso dele.
Yasmin, temendo que a chefe decidisse dissecar o bicho num impulso científico, disse logo: — Posso ir ver ele?
Sônia colocou a maçã descascada na mão dela. — Fique quieta. Uma hora quer ver homem, outra hora quer ver cachorro. Trate de cuidar de si mesma primeiro.
Enquanto o quarto de Yasmin era puro barulho, o de Arthur estava muito mais silencioso.
Recém-despertado, ele também comia um mingau sem sabor — privilégio que nem o Jovem Mestre Magalhães podia evitar. No entanto, ele não era fresco com comida; comia em silêncio, de cabeça baixa.
Alice Magalhães estava sentada ao lado dele.
— Se sentir qualquer desconforto, diga para a mamãe. Seu pai comprou a passagem para hoje à noite. Agora que você acordou, o coração dele finalmente descansou.
Arthur engoliu o mingau e disse: — Se ele estiver ocupado, não precisa vir. Eu estou bem.
— Como pode estar bem depois de tanto tempo em coma? Além disso, somos uma família. A família é o mais importante.
Arthur não respondeu mais.
— A propósito... — disse Alice. — Você ficou apagado por tanto tempo, sente alguma coisa estranha na cabeça?
— Não... — Arthur segurava a colher. — Só sinto que...
Sua expressão era de confusão.
Ele sentia como se tivesse esquecido algo muito importante, mas, ao repassar suas lembranças, não conseguia encontrar nenhuma lacuna.
Alice levantou-se nervosa. — Sente o quê? Algum desconforto? Dor de cabeça?
A mão de Arthur apertou a colher e depois relaxou. Ele parecia atordoado.
— Nada. A propósito...
Ele baixou o rosto, deixando o cabelo cobrir suas emoções.
— Aquela... a garota que bateu em mim. Como ela está?
Era a segunda vez no dia que ele perguntava dela. Alice achou que ele estava apenas irritado por terem batido no carro novo.
— Encontrei a mãe dela quando fui buscar comida. Ela está bem, só está fraca por ter ficado muito tempo deitada, igual a você. A mãe dela disse que viria pedir desculpas outro dia. Se você não quiser vê-la, pode recusar.
— Eu vou ver — disse Arthur, comprimindo os lábios de forma antinatural. — Tudo bem vê-la.
O olhar desconfiado de Alice recaiu sobre ele.
Arthur baixou a cabeça ainda mais. Ele não entendia o que estava acontecendo; ele nunca a vira, mas sempre que pensava naquela pessoa, seu coração parecia flutuar no vazio, sem ter onde pousar.
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Muito estranho...
Alice o observava, achando aquele comportamento bizarro. Chegou a suspeitar que ele estivesse interessado na moça, mas como nunca se viram, isso seria impossível. Por fim, ela concluiu que era apenas irritação pelo acidente.
Ela o aconselhou: — Eu sei que você está bravo, eu também fiquei no começo. Mas pense que ela é só uma garotinha, recém-formada, nem começou a ganhar dinheiro ainda. E ela bateu em você porque tentou salvar um cachorro que brotou do nada. Ninguém esperava que você fosse fazer a curva bem naquela hora. Foi má sorte para os dois lados.
— Eu sei.
Alice deu um tapinha no ombro dele e levantou-se. — Se você sabe, ótimo. Descanse. Vou ligar para a sua tia e sua avó; elas quase morreram de preocupação e não param de perguntar por você.
Arthur a viu sair. No entanto, ele não descansou. Levantou-se da cama e foi até o elevador. Desceu de andar e foi até a recepção.
— Olá...
A enfermeira ergueu os olhos e, ao vê-lo, ficou paralisada por um segundo antes de lembrar quem ele era.
— Sr. Magalhães, da cobertura?
Arthur não esperava que ela o conhecesse. — Gostaria de perguntar se você sabe...
Antes que ele terminasse, a enfermeira se antecipou: — Está procurando a moça que entrou em coma com o senhor, não é?
Ele ficou surpreso e, lentamente, assentiu.
A enfermeira apontou: — É ali, quarto 305.
Arthur não esperava que fosse tão fácil. Ele seguiu a direção indicada.
A porta do quarto estava fechada, mas havia um pequeno visor de vidro. Ele parou ali e olhou para dentro.
A luz do entardecer era suave. O brilho alaranjado conferia uma moldura dourada à garota que dormia profundamente. O rosto pálido ganhava um pouco de cor sob o sol morno. O rosto dela estava afundado no travesseiro macio, e os cílios longos estavam cerrados em silêncio. Uma de suas mãos repousava na beira da cama; a mão fina e branca pendia relaxada, com os ossos do pulso proeminentes. De longe, parecia tão frágil que despertava compaixão.
Ela se virou na cama, fazendo o lençol escorregar e revelando o pijama hospitalar folgado. Dois botões haviam se desfeito, deixando a clavícula delicada à mostra. Com o pescoço inclinado, a clavícula formava uma curva impressionante. A luz laranja incidia sobre aquela pele, como se um reflexo de primavera tivesse caído ali.
Subitamente, o coração dele errou uma batida.
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