"Destino Trocado: O CEO e a Garota Misteriosa" Capítulo 40: Só um Beijo
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Pela manhã, Arthur foi acordado pelo seu próprio relógio biológico.
Acima de sua cabeça, ainda estava aquele teto manchado. O antigo morador — ou talvez o anterior a este — colara algo ali, deixando marcas de fita adesiva dupla face que não saíam, além de partes do reboco que foram arrancadas, expondo a parede nua. À direita, um fresta de luz escapava da cortina; o sol brilhante atravessava a fenda, projetando uma borda dourada onde a poeira dançava.
A cena não era diferente da que ele via ao abrir os olhos durante todo esse tempo.
Se houvesse uma diferença, seria a sensação de que seus braços estavam completamente preenchidos, preenchendo também o vazio em seu coração.
Recém-despertado, ele ainda estava grogue. Antes de processar o porquê de seus braços estarem cheios, ele apenas apertou instintivamente o que estava segurando.
Uma cintura fina, que ele conseguia envolver com apenas uma mão. Através da roupa leve, a temperatura morna do corpo dela colava-se firmemente ao seu peito ardoroso. Com o movimento durante a noite, a barra da blusa subira discretamente, revelando uma parte da cintura macia. Sua mão estava posicionada bem ali; com um pouco de força, a dona daquela cintura acompanhava seu movimento, aproximando-se ainda mais dele.
A sensação de plenitude em suas mãos fez Arthur travar. Ele baixou levemente a cabeça e viu uma cabeleira enterrada em seu ombro. Os fios negros escondiam a maior parte do rosto, deixando à mostra apenas um nariz delicado e uma pequena parte do rosto mergulhado em sono profundo.
Ele encarou aquele rosto por um longo tempo até que, finalmente, caiu em si. Como se tivesse sido queimado, ele recolheu a mão bruscamente e tentou recuar um passo largo.
Como ele já estava deitado na beirada, não percebeu que não havia espaço. Num descuido, acabou caindo da cama.
Um homem de 1,85m caindo, mesmo que a cama não fosse alta, não fazia pouco barulho.
Com o estrondo, Alice sentou-se na cama num pulo, afastando o cabelo do rosto com as mãos. — O que foi? O que aconteceu? Entrou algum ladrão?
Arthur estava caído no chão, abraçado ao cobertor, com uma expressão de total choque.
Só então Alice percebeu que havia alguém caído ao lado da cama.
Ela olhou para ele e depois para si mesma.
Será que eu chutei o Arthur da cama enquanto dormia?
Vendo que ele não dizia nada, Alice engoliu em seco: — Você está bem?
Ele parecia tão grande e forte, não seria um chute dela que o quebraria, seria?
Ao olhar para o rosto dela, Arthur sentiu a palma da mão arder de novo. Ele levantou-se apressadamente e colocou o cobertor sobre a cama.
— Você... continue dormindo. Eu... vou me lavar.
Foi só quando a água gelada atingiu seu rosto que Arthur recuperou os sentidos após o choque matinal. Ele olhou para si mesmo no espelho e percebeu: eles pareciam ter trocado de volta.
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Desta vez, ele não se importou com a timidez e saiu para encontrar Alice.
— Alice, olhe! Nós trocamos de volta!
Alice estava curvada, colocando ração para o Brutamontes. Ao ouvir aquilo, soltou um "Ah!" exagerado.
— Se você não falasse, eu nem teria notado. Que mágico! Trocamos de volta do nada.
Ao ver a reação exagerada dela, Arthur ficou desconfiado.
Alice deu um carinho no cachorro e levantou-se: — Toda vez que trocamos é do nada. Desta vez também. Quem sabe não descobrimos o método sem querer?
Arthur abriu as mãos e olhou para elas; parecia que a sensação das palmas unidas ainda permanecia ali.
Ao levantar a cabeça, viu que Alice tentava entrar furtivamente no banheiro. Ele ficou com uma expressão frustrada: — Alice, você já sabia, não sabia?
Alice travou o corpo: — Sabia? Sabia o quê?
— Sabia como trocar de volta. Caso contrário, você não teria insistido tanto em dormir comigo ontem à noite.
Essa doeu...
Alice deu duas risadinhas sem graça: — Se nem você sabia, como eu saberia?
O homem alto baixou levemente o olhar e, sem dizer nada, ficou apenas observando-a em silêncio.
Alice não aguentou o olhar e virou o rosto: — E se eu soubesse? O que tem demais? Você não é todo poderoso? Trocou de corpo escondido de mim, fugiu sozinho e ainda deu à luz ao nosso "filhão".
Arthur olhou para o "filhão" abanando o rabo em seus pés e ficou sem palavras. Ele tentou explicar: — Eu só não queria que você sofresse sozinha. Quando você está comigo, sempre acaba passando por coisas ruins: foi humilhada no banquete por minha causa, e até sequestrada. Se eu tivesse que ver você fugindo grávida por minha culpa, eu...
— Eu não suportaria.
— Você sempre diz que é por causa do Roteiro, que essas coisas acontecem por causa da trama. Mas toda vez que vejo você sendo maltratada na minha frente e eu não consigo fazer nada, eu me sinto péssimo. Sinto que sou um inútil.
Alice segurou a mão dele e deu um aperto carinhoso. — Você não é inútil. Você é incrível. Você até enfrentou o Roteiro por mim.
O homem baixou a cabeça, ainda mais triste: — Eu não consigo vencer nem um pedaço de Roteiro. Eu sou mesmo um inútil.
Alice: “...”
Olha só a audácia dele, querendo lutar contra o Roteiro.
Ela soltou a mão dele, recusando-se a entrar no drama: — Já terminou de ficar triste?
Arthur esticou a mão e segurou a dela de novo: — Ainda não.
Alice: “...”
Alice disse friamente: — Se não terminou, trate de ir embora logo. Volte para a sua mansão luxuosa e continue triste lá. Minha passagem de avião é para hoje de manhã.
Arthur olhou para ela, sem pressa de ir embora, e perguntou: — Como você descobriu o método para trocar de volta?
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Ele achava que tinha sido muito discreto da última vez; Alice não deveria ter percebido.
Alice explicou: — No começo, eu realmente não notei. Achei que tínhamos trocado por acidente. Mas depois parei para pensar: naquele dia você estava agindo normal demais. Tão normal que parecia que nem tínhamos trocado. Você achou que, fingindo que estava tudo bem, eu não notaria seus segredinhos, mas foi justamente por você fingir tanto que eu percebi que algo estava errado.
— Eu não sou burra. Pensei um pouco e cheguei à conclusão do porquê trocamos.
— Na primeira vez, nós dormimos juntos. Na segunda, eu tive a alergia. Nessas duas vezes você estava ao meu lado. Para ser exata, houve contato físico. Eu não esqueci que, quando tive alergia, você segurou minha mão a noite toda para eu não coçar o rosto.
— Quanto à terceira vez, você achou que eu estava dormindo e veio segurar minha mão escondido. Arthur, eu estava dormindo, não morta. Achei que fosse apenas empolgação de quem acabou de começar a namorar, querendo um carinho, mas não imaginei que você faria algo tão grande. Eu te subestimei, hein?
Ela olhou para Arthur com um meio sorriso: — Sim, eu sei que você fez isso por pena de mim. Mas você também não passou por muitas humilhações por causa da trama? O sentimento é recíproco. Você sente por mim, e eu sinto por você.
Ela olhou para o Brutamontes nos pés deles e suspirou: — Ter um filho é responsabilidade de dois. Se você ficou encarregado de "dar à luz", eu fico encarregada de criar. Ontem alguém não estava gritando no vídeo que ia mandar o cachorro para mim? Agora não precisa mais mandar, eu mesma levo.
O Brutamontes, sem entender nada: —
Au au?
Alice terminou de falar. Ela achou que, dado o nível de timidez do namorado, ele ficaria emocionado, com os olhos cheios de lágrimas e a abraçaria. Mas, após esperar um bom tempo, o homem não disse uma palavra.
Ele manteve a posição anterior, olhando para ela sem expressão, mas seus olhos estavam escuros e profundos, como se uma tempestade estivesse se formando ali.
Finalmente, ele falou.
Ele disse:
— Alice, eu posso te beijar?
O coração de Alice deu um salto. Ela instintivamente quis recuar, mas antes que pudesse se mover, uma mão segurou firmemente a parte de trás de sua cabeça. Ela foi forçada a erguer o rosto.
E então...
Todo o seu fôlego foi roubado em um instante.
O vento soprava da janela, levantando as cortinas azuis que logo caíam seguindo o rastro da brisa. As folhas largas da árvore de fênix se espalhavam sob o sol morno. Lá embaixo, os mercadores montavam suas barracas; como era fim de semana, muitos estudantes passavam por ali.
O som subia como uma maré nos ouvidos de Alice e recuava lentamente. Ela estava encostada na parede, a apenas a altura de uma árvore daqueles ruídos confusos — tão perto e, ao mesmo tempo, tão longe.
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Tão longe que ela não conseguia distinguir os gritos dos vendedores lá embaixo; apenas o hálito seco e quente do homem a invadia aos poucos, dominador, intenso, entrando em sua boca sem permissão para declarar sua presença.
Tão perto que, encostada na parede em meio aos risos e conversas da rua, ela inconscientemente apertou os dedos, apenas para ter sua mão segurada pela outra dele, aberta e pressionada contra a parede.
Alice virou o rosto, tentando escapar da investida. Ela comprimiu os lábios dormentes e tentou recuperar o fôlego.
— Ar... Arthur...
No momento seguinte, os dedos longos do homem pressionaram a carne macia de sua bochecha. O rosto dele estava colado ao dela, e a respiração quente atingia seu pescoço. A voz dele saiu baixa e rouca:
— Alice, só mais um beijo.
— Eu...
Antes que Alice terminasse de falar, os lábios quentes pressionaram os dela novamente.
Lá embaixo, não se sabe o que aconteceu, mas o barulho aumentou, acompanhado de alguns gritos agudos.
— Com licença! Abram caminho!
Alice sabia que ninguém podia vê-los, mas não conseguiu evitar o desejo de se encolher. Porém, atrás dela estava a parede; não havia para onde fugir. Pelo contrário, o homem avançava passo a passo, envolvendo-a inteira em seu peito largo, como se fosse avaro demais para permitir que até o vento que entrava vislumbrasse qualquer detalhe.
Desta vez, Alice sentiu que não era mais dona de si. Ela tentou empurrar o peito que a pressionava, mas o resultado foi apenas uma mordida leve e nada inocente que o homem deu no canto de sua boca.
A voz dele estava rouca, com um tom profundo.
Ele disse:
— Alice, comporte-se.
Alice virou o rosto, com lágrimas fisiológicas brotando no canto dos olhos. Seu rosto estava vermelho como brasa, com uma aparência adoravelmente vulnerável. Suas mãos ainda estavam apoiadas nos ombros do homem enquanto ela tentava respirar, com a voz entrecortada.
— Eu... eu não consigo... respirar.
Ela ouviu um riso baixo vindo dele, um som muito leve, grave e sedutor, que fez seu coração estremecer.
— Não tem problema.
A mão dele voltou a pressionar a bochecha dela.
— Eu te ensino.
Alice: “...”
Alice sentiu que seu sistema entrou em colapso.
Ela estava sendo segurada e beijada como um filhote indefeso. Não entendia como aquela pessoa, que em seu coração era o número um em timidez, de repente se transformara naquilo.
Em meio à confusão, ela até achou que estava tendo alucinações ao ouvir alguém batendo na porta.
Dois minutos depois, ela empurrou Arthur com força.
— Alguém... tem alguém aqui.
Arthur envolveu a cintura dela, puxando-a para si: — Não tem ninguém.
Logo em seguida, os dois ouviram batidas urgentes na porta, acompanhadas pela voz de Léo.
— Cristal! Cristal! Você está em casa?
Alice deu um chute na canela dele: — Solta!
Ao ouvir a voz do lado de fora parecendo alguém chamando um espírito, o rosto de Arthur ficou extremamente sombrio, mas ele obedeceu e a soltou.
Alice levou a mão à boca, sentindo os lábios arderem. Ela não pôde evitar lançar um olhar furioso para ele: — Você é um cachorro, por acaso?
Arthur olhou para os lábios dela, úmidos e brilhantes, e seu olhar escureceu novamente.
— Foi só porque ainda não tenho prática. Depois de treinar mais, não vai mais acontecer.
Alice: “...”
Você está sonhando alto, hein.
Do jeito que ele estava agora, parecia que ia devorá-la; não tinha nada que indicasse falta de prática.
O que ela não sabia é que, para certas coisas, os homens não precisam de aula para saber como agir.
Lá fora, Léo continuava batendo.
— Cristal! O que aconteceu? Por que você não abre a porta?
Alice sentiu sua cabeça latejar. Do jeito que ele estava, não iria embora se ela não abrisse. Ela olhou para Arthur à sua frente e, numa ideia repentina, o agarrou e o empurrou para dentro do quartinho de bagunça ao lado.
Arthur segurou o batente da porta, relutante em entrar: — O quê? Eu sou uma vergonha, por acaso?
Quase isso...
Alice disse: — Você esqueceu? Eu vim escondida. Para os outros, nós terminamos. Se você aparecer aqui, não vai ter como explicar.
Arthur: “...”
Ele olhou para Alice e disse lentamente:
— Desse jeito, eu não pareço muito o amante com quem você está tendo um caso secreto?
Alice: “...”
Homem insuportável, suma da minha frente!
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