"Destino Trocado: O CEO e a Garota Misteriosa" Capítulo 36: O Filhote
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O choque da gravidez foi fatal para Dom Diogo. Após retornar do hospital, o CEO trancou-se em seu quarto, recusando-se a ver qualquer pessoa, passando os dias bebendo para anestesiar seus nervos. Alice trancou a porta do quarto, cruzou as pernas e balançou uma lata de Coca-Cola "safra 82" em sua mão. Ela entornou o líquido que ardia na garganta, exibindo uma expressão de agonia. — Maldita Cristal Real! Não me deixe te encontrar, ou farei você pagar um preço terrível!
Arthur, do outro lado da tela do celular: “...” Ele fez uma pausa e perguntou: — Então, que "preço terrível" seria esse, exatamente? O sabor do líquido a fez esquecer momentaneamente seus problemas. Ela se inclinou e serviu mais um copo; as bolhas efervescentes misturadas ao sabor picante subiram pelo seu nariz, combinando perfeitamente com seu humor atual. — Vou trancá-la em um quartinho escuro e fazer "isso e aquilo".
Arthur observou enquanto ela bebia meia lata de Coca-Cola de um gole só e comentou: — Não sabia que você era tão pervertida. Alice deu um arroto, descruzou as pernas e aproximou-se da tela, fazendo um gesto de "vem cá" com o dedo de forma atrevida. — Eu posso ser muito mais pervertida. Quer testar? Arthur começou a rir: — Quem diria que você era assim. Parece que eu te julguei mal no começo.
Ele estava agora no estágio final da gravidez. Nem as roupas largas conseguiam esconder a protuberância de sua barriga. Ele estava encostado preguiçosamente na cadeira, com o cabelo solto e o rosto muito mais arredondado do que antes; quando sorria, suas feições tornavam-se instantaneamente suaves. Alice estalou a língua, achando que ele estava até bonito. Era uma beleza sem qualquer agressividade. Ela olhou para a barriga dele: — Já está na hora de nascer? Parece enorme. Arthur acariciou a barriga com uma expressão indescritível: — Sabe... completar uma tarefa de dez meses em apenas algumas semanas... a criança não vai nascer com alguma deformidade? Alice fez um gesto de descaso com a mão: — Ah! Este mundo já é assim, o que mais seria impossível?
Embora ela dissesse isso, Arthur tinha um mau pressentimento no fundo do coração. Ele não sabia dizer o que estava errado, mas conforme a barriga crescia, sua ansiedade aumentava drasticamente.
Arthur entrou em trabalho de parto no meio da noite. Alice estava dormindo quando ele ligou; ela não atendeu. Meia hora depois, ele ligou novamente, e desta vez Alice atendeu. Ela olhou a hora: duas da manhã. Se não fosse o Arthur, ela já teria levantado para xingar a família inteira da pessoa. Do outro lado, o homem parecia ter sofrido um golpe devastador. Ao falar, parecia que sua alma já havia deixado o corpo, restando apenas um fiapo de sanidade segurando sua consciência. — Alice... — ele começou, com a voz carregada de um leve tremor. Alice pulou da cama: — O que foi? — Eu... Arthur segurava o celular, encarando a cena diante de si. Suas crenças de mais de vinte anos haviam desmoronado completamente; ele nem sabia como contar a Alice. — O que aconteceu? — Alice perguntou, preocupada. — Por que sua voz está tão estranha? Arthur fechou os olhos com força e rangeu os dentes: — Nasceu.
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— Hã? — Alice ficou atônita. — Já nasceu? Tão rápido? Ela... ela ia ser pai? Alice, experimentando a alegria de ser pai pela primeira vez na vida, levantou-se da cama sem saber o que fazer: — Já nasceu? É menino ou menina? Como ele é? Eu... você está bem? Do outro lado da linha, ouviu-se o som de algo sendo derrubado, seguido por uma repreensão baixa de Arthur. — Não mexe aí! — Arthur, o que está acontecendo? O silêncio reinou por um momento, até que a voz desolada de Arthur ecoou: — ...Acho que é um menino.
Alice: “...” Se é, é; se não é, não é. O que significava "acho que é"? Ouvindo o tom de voz dele, que parecia querer morrer ali mesmo, Alice pensou que o trauma do parto fora grande demais e tentou consolá-lo. — Dar à luz é algo por que toda mulher passa, não há do que se envergonhar. Embora o processo seja doloroso, você agora tem um filho adorável. Quando você envelhecer, ele estará lá para cuidar de você. Pensando por esse lado, a dor diminui, não? Alice não sabia se doía ou não; era o que sua tia sempre dizia para sua prima quando a pressionava para ter filhos. — Então... você está bem fisicamente? Quer que eu vá te ver? Alice perguntou com preocupação, sentindo-se um pouco como um cafajeste que abandona a esposa e o filho. Mas, ouvindo a voz de Arthur, que ainda parecia ter fôlego, ele deveria estar bem... certo?
TUM—
Mais uma vez, o som de algo caindo do outro lado. Alice insistiu: — O que diabos está acontecendo aí? — Você... — Arthur disse com dificuldade. — Você quer ver... o filhote?
Para ser sincera, Alice estava curiosa, mas não queria demonstrar demais. Ela disse de forma contida: — Mais do que a criança, eu me importo com você. Mas se você insiste, aceitarei o convite. Arthur: “...” — É mesmo? Obrigado, então — disse Arthur. Alice: “...” Por que parecia que ele estava sendo educadamente ofensivo?
Arthur desligou e, no segundo seguinte, iniciou uma chamada de vídeo. Na tela, seu rosto estava pálido, o suor frio na testa ainda não havia secado completamente e sua expressão era de quem estava questionando a própria existência. Alice, apesar de brincalhona, sentiu pena ao vê-lo assim e se aproximou da tela: — Por que você está assim? Doeu tanto assim na hora de nascer? Foi então que ela percebeu tardiamente que ele não estava em um hospital, mas em sua casa alugada. — Ei! Por que você está em casa? Partos não deveriam ser no hospital? Arthur engoliu em seco devagar: — Foi prematuro, não deu tempo. Alice o repreendeu: — Você é burro? Por que me ligou em vez de ligar para a ambulância?! Esquece, não espero nada de você, eu mesma vou ligar... Ela ia pegar o outro celular para chamar o resgate, mas Arthur a impediu. — Já acabou. Eu estou bem, só ainda não processei o que aconteceu.
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Alice observou o rosto dele com cuidado. Tirando a palidez e o suor, não parecia haver nada de errado, então ela se acalmou um pouco. — Você devia ter me avisado, um parto prematuro é perigoso! E se algo tivesse acontecido com você... Arthur não disse nada, apenas observou as feições vivas de Alice por um tempo antes de conseguir se recuperar do choque. Ao ver que Alice não parava de falar, ele disse subitamente: — Alice, você quer ver o seu filho? Ele deu uma ênfase especial na palavra "filho". Alice imediatamente se aproximou, interessada: — Deixa eu ver... — Você... — ele hesitou por um longo tempo e avisou: — Prepare o seu psicológico.
Alice: “?” Preparar para quê? Por acaso ele deu à luz a um semideus com três cabeças e seis braços? Após o aviso, a câmera desceu, seguindo a mão dele. O rosto de Arthur sumiu, restando apenas sua camiseta branca larga. Então, ele usou a mão livre para puxar algo lá de baixo, com um tom de voz que beirava o sarcasmo. — Vem, diga "papai".
No segundo seguinte, duas orelhas peludas apareceram na tela. Um pressentimento sinistro subiu pela espinha de Alice. E então... Um focinho de cachorro ampliado surgiu subitamente na tela. —
AU AU!
Alice: “...” Alice: “???” Alice: “!!!”
Ao ver o rosto de Alice "desmoronar" aos poucos, Arthur, de bom humor, deu um cafuné na cabeça do cachorro. Apontando para Alice na tela, ele disse: — Lembre-se, este aqui é o seu papai. O cachorro imediatamente esticou a língua de forma bajuladora e lambeu a tela do celular. —
AUUUUU!
Alice: “...” Ela sentiu que seu celular estava sujo. Ela engoliu em seco: — O que... o que significa isso? Arthur respondeu: — Exatamente o que você está vendo. — Não... — Alice queria perfurar o celular com o olhar. — Você quer dizer que... você deu à luz... uma cadela? — perguntou ela, incrédula. Arthur: — ...Não foi exatamente "dar à luz".
No começo, doeu de verdade. Doeu tanto que ele quis rolar no chão e, em certo momento, até perdeu os sentidos. Quando acordou, a barriga estava murcha e, ao seu lado, havia um cachorro abanando o rabo freneticamente. Arthur sentou-se no chão e ficou encarando o bicho. Ele revirou a casa inteira e nada mudara, exceto o fato de o feto ter sumido e esse filhote ter surgido do nada.
Alice, após ouvir a história, levantou o polegar devagar para ele: — Você é demais, cara. Teve um cachorro. Arthur: — ... — Ele rangeu os dentes: — Eu não TIVE o cachorro!
O filhote parecia ter uns quatro ou cinco meses. Seus olhos azuis brilhantes, cheios de "sabedoria", denunciavam sua nobre linhagem de Husky. Ele estava extremamente entusiasmado com Arthur, tentando pular nele sem parar. Arthur, quase sem fôlego de tanto ser atropelado, deu uma ordem com o rosto fechado: — Desce! O fruto do amor entre Dom Diogo e Cristal Real foi impiedosamente mandado para o castigo no canto da parede logo em sua primeira noite de vida.
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Do outro lado da linha, veio a voz de Alice: — HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA... Arthur: “...” O homem perdeu a paciência, mas decidiu aguentar. — ALICE! Alice ria tanto que quase rolou na cama: — Socorro! Que tipo de roteiro dramático é esse? Você não pegou um cachorro qualquer só para me enganar, não? Arthur: — Você acha que eu estou com tempo sobrando? Alice: — Não sei, não! HAHAHAHA... Arthur disse, desamparado: — Alice, você não está nem um pouco assustada? Nós tivemos um cachorro. Alice limpou as lágrimas no canto dos olhos: — Se ele não saiu de dentro de você de verdade, por que eu teria medo? Arthur: — ...Mas e a gravidez? Alice: — Aquilo foi só para deixar o clima mais realista. Nada é impossível neste mundo. — Mas... — ele disse, preocupado. — Não podemos sair por aí com ele e dizer que é nosso filho, podemos? Alice o consolou: — Fique tranquilo, tudo se resolve no final. Se ele apareceu, deve haver um motivo.
Arthur ficou em silêncio, apenas observando-a. Alice começou a se sentir desconfortável com o olhar dele. — O que foi? — Achei que você ficaria assustada, afinal... — afinal, ele "produzira" aquela coisa. Alice fez outro gesto de descaso: — Medo de quê? Não fui EU quem teve o bicho! HAHAHAHAHA... Arthur: “...”
Foi um bom argumento. Por favor, não repita.
Um Husky de quatro ou cinco meses está no auge de sua energia. Após ficar de castigo por apenas cinco minutos, o filhote não aguentou mais. Ele inclinou a cabeça, olhou para Arthur e, vendo que ele ainda falava com Alice, correu de volta alegremente tentando lamber o rosto de Alice através da tela. Claro, o resultado final foi o Husky lavando a tela do celular de Arthur com saliva. Arthur afastou a cabeça do cachorro com nojo: — Você não consegue ficar quieto?! —
AUUUUU!
Alice disse: — Vem, diga "papai". —
AUUU AUUU!
— Bom garoto!
Ela observou o filhote com cuidado. Parecia ser um Husky puríssimo; os pelos ainda não tinham crescido totalmente, o que lhe dava um ar meio acinzentado, mas no meio da testa havia uma mancha de pelos brancos que parecia uma chama.
Espera!
Ela coçou o queixo e disse para Arthur: — Aponta a câmera para ele e dá uns passos para trás. Quero ver ele inteiro. Arthur obedeceu e recuou, mostrando o "filho" em todos os ângulos.
Ao terminar de ver, a expressão de Alice ficou congelada. — Esse não é o cachorro que eu quase atropelei naquele dia? —
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