"Destino Trocado: O CEO e a Garota Misteriosa" Capítulo 32: O Selo
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A chuva no céu foi diminuindo gradualmente. Gotas frias caíam no rosto de Alice, trazendo um momento de clareza à sua mente confusa. Ele dissera— Que a escolha dele, do início ao fim, era ela. As mãos de Alice, caídas ao lado do corpo, tiveram um espasmo involuntário. Uma dor surda apertou seu peito, fazendo-a tossir baixo. Após tossir, ela não resistiu e deu outro chute nele; mas desta vez a força foi mínima. Mais do que uma reclamação, parecia um gesto de carinho e preocupação. — Idiota — disse Alice.
Arthur não entendeu. Ele já havia explicado tudo claramente para Alice, então por que ela ainda parecia brava? Ele tirou o paletó sujo pelo vômito dela e a ajudou a se levantar. — Aconteça o que acontecer, primeiro vamos ao hospital fazer um check-up para garantir que está tudo bem.
Nos romances, as equipes de resgate sempre chegam com atraso. Somente quando tudo já estava resolvido é que o assistente apareceu correndo de longe, seguido por um grupo de guarda-costas. — Presidente, Srta. Cristal, vocês estão bem? Arthur pegou o casaco das mãos do assistente e envolveu Alice com ele. Seu olhar se voltou para o píer de pesca ao longe. Lá, a escuridão inicial havia desaparecido, dando lugar ao brilho de inúmeras lanternas. O local estava cercado por policiais. — É a polícia — explicou o assistente. — Pode ficar tranquilo, Heitor Real já foi capturado. Ninguém que ousou sequestrar a Srta. Cristal e a Srta. Aurora sairá impune! Só então ele desviou o olhar e ordenou: — Vamos para o hospital.
— Espere! — Alice o interrompeu. — Não podemos ir ao hospital. Arthur franziu a testa imediatamente, olhando para ela. Alice apontou para o Roteiro flutuante acima de suas cabeças e balançou a cabeça suavemente. — Eu estou bem. Não preciso ir ao hospital no meio da noite. Só preciso ir para casa descansar.
— Mas... — O assistente olhou para Arthur, hesitante. O rosto de Arthur não estava nada bom. Longe da vista de Alice, as pontas de seus dedos ainda tremiam incontrolavelmente, e seus lábios estavam de uma palidez extrema, ocultos pela noite. Se ele forçasse Alice a ir ao hospital, ela sofreria a punição do Roteiro como ele sofrera? Ele não ousava arriscar, então cedeu.
Mesmo depois de entrarem no carro, ele ainda tentou pegar o celular para ligar para um médico particular. Alice segurou a mão dele. Ela olhou para o motorista à frente e sussurrou: — Ninguém pode saber sobre o que aconteceu comigo, nem mesmo o médico. Porque se ele souber, você certamente saberá. Arthur fez uma cara amarrada: — E por que não?!
Alice se encolheu no casaco, encostou-se nele e pigarreou, começando a recitar dramaticamente: — A chuva desta noite era ainda mais forte do que no dia em que Cristal Real foi pedir dinheiro. Mas nem a maior das chuvas, nem a água mais gelada do mar, eram tão frias quanto o coração de Cristal. — Quando o olhar decidido do homem sequer se voltou para ela; quando ele pronunciou o nome de Aurora de Neve com tanta firmeza; quando ela foi submersa pelas águas geladas... ela soube que seu coração estava morto!
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Alice levou as mãos ao peito de forma exagerada, fingindo agonia. — Morto nesta noite de tempestade; morto nestas águas revoltas; morto nas mentiras que ele teceu em nome do amor... Arthur: “...”
— Ah! Este homem é um demônio! Ele roubou o coração dela para depois abandoná-la sem piedade! — Que ridículo... eles haviam combinado ser apenas um casal de contrato, ela jamais deveria ter alimentado falsas esperanças e desejado mais.
Alice então levou a mão à barriga. — Cristal Real derramou lágrimas de dor. Seu filho jamais poderia ser descoberto por esse monstro, ou ele certamente o destruiria. O bebê é inocente; o mundo dela não tem mais nada, exceto este... Arthur colocou a mão sobre a boca dela. — Chega. Fique quieta. Alice: “...”
Ao ver a expressão frustrada dele, Alice sentiu vontade de rir. Ela arranhou levemente as costas da mão dele com as unhas, como uma gatinha. O homem pareceu se queimar com o toque; recolheu a mão abruptamente e lançou um olhar severo para ela. — O que você está fazendo? Nesse momento, ele parecia inesperadamente puro e tímido, como se não fosse a mesma pessoa que acabara de declarar seus sentimentos com tanta seriedade à beira-mar.
Alice perguntou: — Antes, no hospital, eu disse para você pensar bem. Já faz quase uma semana. Até para conseguir um emprego o prazo costuma ser de sete dias úteis. Você ainda não se decidiu? Arthur não esperava essa pergunta repentina. Pensando em todos os detalhes inacabados do seu plano romântico, ele começou a gaguejar: — Ain... ainda não. Me dê mais dois dias, pode ser? Alice estreitou os olhos, analisando-o de cima a baixo. O coração de Arthur deu um salto sob o olhar dela: — O... o que foi?
Nesse momento, o motorista se virou: — Presidente, Srta. Cristal, chegamos à mansão. Arthur desceu primeiro. A chuva lá fora havia parado. Ele deu a volta, abriu a porta para Alice e a ajudou a descer. Temendo que ela estivesse sem forças, ele segurou a mão dela com firmeza para ampará-la. Alice olhou para as mãos entrelaçadas e resmungou mentalmente.
Cafajeste... não me dá uma resposta, mas não perde a chance de tirar uma casquinha.
Ainda assim, ela não resistiu nem recusou; deixou-se ser levada pela mão para dentro de casa.
Alice achava que seu corpo — forjado em anos de "vire-se como puder" — era de ferro. Achava que um pouco de chuva e um banho de mar não seriam nada. No entanto, ela subestimou totalmente sua resistência. No meio da noite, ela foi acordada por Arthur. Ao abrir os olhos, o rosto do homem diante dela parecia borrado, como se houvesse duas pessoas ali. Arthur, com o rosto sombrio, colocou um termômetro nela e tocou sua testa escaldante. — Você está com febre alta.
Só então Alice percebeu que estava sem forças. Ela engoliu em seco e, ao tentar falar, um copo de água foi levado aos seus lábios. Bebeu quase tudo antes de conseguir se recuperar um pouco. — Como eu...
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cof cof
... peguei febre? Eu não estava bem antes de dormir? Arthur bufou: — Você ficou debaixo de um temporal a noite toda, foi jogada no mar e ainda está grávida. Se você não tivesse febre, quem teria? Ele lançou um olhar severo: — Você realmente acha que é imune a tudo? Alice coçou o nariz, sentindo-se um pouco culpada.
Arthur tirou o termômetro. O jovem mestre nunca fora muito bom em ler termômetros de mercúrio. Ele o girou sob a luz por um longo tempo sem conseguir entender nada. Ao vê-lo assim, Alice pegou o termômetro da mão dele e o analisou contra a luz. — Está tudo bem, apenas 38,2°C. Não é tão alta. É só tomar um antitérmico. — Ah... — disse Arthur. — Então eu vou comprar o remédio. Ele se levantou para sair, mas Alice o segurou: — Comprar o quê? Tem em casa. No armário à direita da televisão, no primeiro andar, tem uma maleta de primeiros socorros. Traga ela aqui.
Arthur obedeceu e trouxe a maleta rapidamente. Nessas questões práticas do dia a dia, Alice não esperava que o "Grande Mestre Arthur" soubesse ajudar muito. Ela mesma mexeu na caixa; felizmente estava bem abastecida. Encontrou uma caixa de antitérmicos e, após ler cuidadosamente a bula para confirmar que gestantes poderiam tomar, engoliu dois comprimidos com água.
Arthur ficou ao lado observando-a resolver tudo com agilidade. Percebendo que não fora útil em nada, ele baixou a cabeça, desanimado. Ao vê-lo assim, Alice lembrou-se de um Golden Retriever. Sempre que o cachorro achava que tinha feito algo errado, ficava de orelhas murchas e rabo baixo, amuado em silêncio. Ela riu da própria comparação e ficou observando-o por um tempo, com o rosto apoiado no travesseiro, sentindo o sono chegar.
— Alice... — Arthur chamou de repente. Alice olhou para ele, sonolenta: — O que foi? — Me desculpa. — Hein? — Alice piscou. — Por que o pedido de desculpas repentino? O que você me fez?
O homem alto sentou-se na cadeira ao lado da cama e baixou a cabeça, como uma criança admitindo um erro. — Eu... Ele hesitou, como se estivesse organizando as palavras. — Parece que eu sempre estrago as coisas e acabo te envolvendo. Se eu não tivesse pedido para você ir à empresa, você não teria sido capturada e nada disso teria acontecido.
— Mas... — Alice começou a falar. Sua voz estava fraca, mas soava gentil no quarto silencioso. — Fui eu quem quis ir te ver. Se for contar assim, a culpa não seria minha por ser teimosa e querer andar a pé quando faltava pouco para chegar? Ou melhor, se eu não estivesse grávida e não tivesse insistido em ir atrás de você, se tivesse ficado quietinha em casa, nada disso teria acontecido. — Eu... — Arthur parecia confuso. — Não... não é assim. — Então como é?
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Alice continuou: — Se formos buscar a raiz de tudo, não foi quando trocamos de corpos que
eu
juntei as provas contra o Heitor e entreguei à polícia? — Pare de achar que tudo é problema seu. Algumas coisas simplesmente não são culpa nossa. Você deveria parar de procurar defeitos em si mesmo e começar a apontar os erros dos outros. — Nós não erramos. Quem errou foi aquele velho. Cometeu crimes sabendo que era ilegal e nunca mudou. Por mim, ele merecia a pena de morte. Ela deu um tapinha no ombro de Arthur: — Veja como ele vive de forma "lúcida"; ele não acha que errou em nada, acha que todo o azar dele é culpa dos outros. Você deveria aprender com ele.
Arthur riu do comentário: — Aprender o quê? Aprender a escrever um código penal inteiro? Alice também riu: — E você saberia fazer isso? — Eu não... — Ele ajeitou a coberta dela. — Durma agora, já está tarde.
Alice viu o brilho de riso nos olhos dele e perguntou: — Arthur, aqueles "dois dias para considerar" que você pediu... são quantos dias exatamente? Ela murmurou: — Esquece, não importa mais. De qualquer forma, amanhã eu vou fugir com o bebê.
Arthur travou: — Fugir com o bebê? O que isso significa? — Significa exatamente o que eu disse. Com o coração partido, Cristal Real decide ir para bem longe. — Não... — Arthur inclinou-se em direção a ela. — Por que você não me contou isso? Alice piscou, inocente: — Eu acabei de ver isso agora. Arthur: “...”
— Então... — disse Alice. — Você ainda não se decidiu? Se não se decidir, vai ficar sem esposa e sem filho de verdade. Arthur soltou um suspiro frustrado: — É que eu ainda não estou pronto. — Pronto para quê?
Será que o Grande Mestre Arthur é tão puro que precisa de mais de uma semana de preparação para um pedido de namoro?
Arthur nem imaginava que Alice já o rotulara como um "garoto puro". Ele começou a contar nos dedos: — Flores, velas, o local, a música... nada disso está pronto ainda. — Hein? — Alice ficou boquiaberta. Esqueceu até da febre, sentando-se na cama para encará-lo. — Espera, por que você está preparando tudo isso?
Isso parece um pedido de casamento... mas eu ainda não estou pronta! E a gente nem se conhece há tanto tempo, nem saímos deste mundo ainda!
Arthur disse: — No início, eu quis declarar meus sentimentos, mas você disse que precisava considerar. Eu não sabia o que você precisava considerar, porque quando decidi falar com você, eu já tinha tudo muito claro na minha mente. Não foi um impulso passageiro, nem por senso de responsabilidade. É porque eu quero estar com você de verdade. Estar com você com o propósito de casar... — Pensei que talvez você tivesse me achado precipitado. Garotas costumam gostar de rituais grandiosos, então passei esses dias pesquisando referências, pedindo conselhos e projetando o local. Estava esperando tudo ficar pronto para te fazer uma surpresa. Mas, pelo visto... Ele baixou a cabeça, desanimado: — Parece que eu estraguei tudo de novo.
Então, era por isso que ele andava se escondendo dela e agindo de forma misteriosa. Alice engoliu em seco. Naquele instante, sentiu seu coração bater com tanta força que parecia que ia saltar do peito. Como era possível... Como podia existir alguém no mundo que, por causa de uma frase dela, fizesse tanto? Ele era sempre tão sincero e franco que não deixava espaço para nenhuma desconfiança.
— Arthur... — disse Alice. — Mas do que você gosta em mim? Ela sentia que não tinha talentos extraordinários que se comparassem aos dele, nem uma família à altura... tinha apenas um rosto que dava para o gasto. Mas a beleza é apenas uma flor que desabrocha e murcha depressa.
— Você é ótima, Alice — disse Arthur. — Assim como você me acha incrível, eu também te acho. Sem você, eu não teria chegado até aqui neste mundo. — Como você mesma disse, não duvide de si mesma. Se eu quero agir assim com você, é porque você merece. Eu não sou bobo, não trataria alguém bem sem um motivo.
Alice riu da rapidez dele em usar os argumentos dela contra ela mesma: — Você é bom de lábia, hein, Sr. Arthur... Arthur, que esperava uma reação emocionada e recebeu apenas uma provocação: “...”
Alice fez um sinal com a mão: — Chega mais perto. Arthur se inclinou: — O que foi? — Acho que você tem razão. Eu sou linda, gostosa e tenho uma fila de pretendentes. Não tem necessidade de você "considerar" mais nada. E agora... — Não quero mais que você considere, porque eu mesma já decidi.
Ela ergueu o rosto e inclinou-se para frente. Seus lábios, quentes e secos pela febre, pressionaram a testa levemente fria do homem. A voz levemente rouca de Alice soou logo acima dele. Ela disse— — Agora você está selado. De agora em diante, você é meu. —
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