"Destino Trocado: O CEO e a Garota Misteriosa" Capítulo 28: Gravidez
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Alice observou os seis pontinhos na tela e, sem perceber, sorriu comprimindo os lábios. Ela enviou de volta um figurinha de um gatinho recebendo carinho. Arthur não respondeu. Através do celular, Alice quase podia ver o homem de rosto fechado e expressão séria, com "Estou chateado, venha me consolar" escrito em toda a face.
【Já que você está tão deprimente, farei o seguinte: hoje eu vou para a cozinha e te convido para jantar.】
Desta vez, Arthur respondeu rápido, mas as palavras dele não deixaram Alice nada feliz.
【Você por acaso sabe cozinhar?】
【O que você quer dizer com isso...?】
【Eu não cozinho com frequência, mas já vi minha mãe fazendo. Para mim, vai ser moleza.】
【...】
Alice guardou o celular com um bufo de desdém, decidida a mostrar para ele o que era talento nato. Porém, antes que pudesse demonstrar suas habilidades culinárias, o celular tocou. — É a Srta. Cristal? Aqui é do Hospital Municipal. Sua mãe... — O interlocutor fez uma pausa. — Teve um infarto súbito. Apesar dos esforços de reanimação, ela faleceu.
Alice ficou estática. O céu, que até então estava claro, subitamente começou a chorar. Quando Alice chegou ao hospital, estava quase completamente encharcada pela chuva. Os médicos a esperavam na entrada e, ao vê-la, lançaram olhares de piedade. Alice olhou para onde eles apontavam e viu a pessoa deitada na maca, coberta por um lençol branco.
Parando para pensar, aquele era o primeiro "encontro" que ela tinha com a mãe biológica deste corpo. Para Alice, aquela mãe fora apenas um dispositivo de enredo, alguém que ficava deitada no hospital para servir de catalisador emocional entre ela e Dom Diogo. Ela nunca imaginou que, um dia, teria que enfrentar essa situação de verdade.
Ela se aproximou, respirou fundo e levantou lentamente o lençol branco, revelando o rosto escondido por baixo. Era uma face pálida, com tons arroxeados, mas que ainda assim não escondia a beleza original. Agora, com a vida extinta, aquela beleza não passava de uma flor murcha e apodrecida. Lágrimas subitamente inundaram os olhos de Alice — uma reação emocional instintiva deste corpo.
O hospital imenso parecia vazio, o cheiro acre de desinfetante invadia suas narinas e, lá fora, o trovão rugia. A cortina de chuva torrencial separava o interior do exterior em dois mundos distintos. Sem qualquer aviso, Alice desmaiou.
Após o início do outono vem o fim do calor, e o clima ainda estava abafado. Aquela chuva fora estranha e persistente. O asfalto, que fora castigado pelo sol, exalava um cheiro úmido e metálico sob a água, misturado à fragrância da grama, suavizando o odor de desinfetante do quarto. Sob o estrondo de um trovão, Alice abriu os olhos.
Ela olhou para o teto, piscou confusa e, ao se lembrar de algo, tentou se levantar bruscamente. No entanto, foi contida por uma mão no mesmo instante. A enfermeira a segurou com uma mão enquanto pendurava o frasco de soro com a outra: — Ei! Não se mexa, fique deitada. — Eu... — Alice encarou a enfermeira, atordoada por um bom tempo. — O que aconteceu comigo? A enfermeira explicou: — Você desmaiou por causa de um choque emocional forte. E olhe só para você... já é mãe e ainda veio correndo para o hospital debaixo de uma chuva daquelas. Se não pensa em si mesma, deveria pensar no bebê.
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Ao ouvir isso, a confusão nos olhos de Alice aumentou. Por que ela entendia cada palavra individualmente, mas a frase inteira parecia não fazer sentido? O que ela quis dizer com "pensar no bebê"? Vendo a expressão perdida dela, a enfermeira perguntou: — Você não sabia? Você está grávida. Cerca de doze semanas.
— Eu? — Alice apontou para si mesma. — Grávida? Você está brincando comigo? Eu nem namorado tenho, como é que eu poderia... Ela parou de falar bruscamente.
Puta merda!
Se tivesse que dizer com quem tivera relações, só poderia ter sido com Arthur naquela noite.
Alice: “...” Ela sentiu que ia ter um colapso. Tinha que ser um clichê de CEO mesmo: uma vez e já acertou o alvo. Ela se deu conta do que estivera ignorando: desde o começo, sua menstruação não viera. Quando trocou de corpo com Arthur, o período dela tinha acabado de passar, então ela nunca suspeitou de uma gravidez. O enjoo com cheiro de peixe ela atribuiu ao calor... nunca sequer pensou em outra possibilidade.
Vendo-a em choque, a enfermeira agiu com discrição e não perguntou nada, apenas disse: — Assim que o soro acabar, procure o médico para um exame. Quanto à sua mãe... — Ela suspirou. — Que ela descanse em paz. — Ah, e aqui... — Ela entregou o celular que estava na mesa de cabeceira. — Seu celular descarregou. Quando acordar, carregue-o e avise sua família que você está bem.
Alice pegou o aparelho. A tela preta refletia seu rosto pálido. Ela tentou ligar, mas não houve reação. — Ai, não! — Sua face ficou ainda mais pálida. — Arthur! Ela pegou o carregador que a enfermeira lhe dera com as mãos trêmulas e ligou o celular. Assim que o sistema iniciou, apareceram centenas de mensagens e chamadas perdidas dele. No exato momento em que ela ia retornar, o celular tocou. Era Arthur.
Alice engoliu em seco e, temerosa, levou o aparelho ao ouvido: — Arthur... — ALICE! — A voz do homem veio num rugido do outro lado. — Onde você se meteu? Por que não atende as ligações? Por que não responde as mensagens? Por que ainda não voltou para casa a essa hora?! Alice sentiu uma culpa inexplicável: — Meu... meu celular descarregou. Arthur soltou um suspiro pesado e passou a mão pelo cabelo, irritado: — Onde você está agora? — Antes que ela respondesse, ele continuou: — Aconteceu alguma coisa? Você se machucou? Quer que eu vá te buscar?
Ele se levantou do sofá e deu duas voltas na sala, soltando o ar lentamente. Ao ouvir a voz dela, a preocupação em seu coração finalmente diminuiu um pouco. — Eu não estou controlando seus passos, é que... neste lugar, só nós dois somos do mesmo mundo. Se você sofrer algum perigo e não puder voltar, o que eu faço? Alice estava meio deitada na cama, olhando para seu ventre coberto pelo lençol. Instintivamente, ela chamou o nome dele. — Arthur...
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Arthur travou. Ele percebeu na hora que algo estava errado. — Onde você está exatamente? O que aconteceu? Alguém te machucou? Enquanto falava, ele já pegava o paletó que jogara no sofá, querendo voar para o lado dela imediatamente. — Me diga onde você está. Eu vou te buscar, está bem? Já está tarde, você sozinha... — Eu estou grávida.
A figura de Arthur, que caminhava em direção à porta, congelou bruscamente. Seu cérebro pareceu ter levado uma pancada forte, ficando em branco por um instante. — O que você disse? Alice tentou fingir naturalidade: — Sabe, seguindo os clichês das webnovelas... eu engravidei e agora vou ter que "fugir com o bebê no ventre".
Não houve resposta do outro lado por um bom tempo, mas Alice conseguia ouvir a respiração ofegante dele. Após um longo silêncio, ele finalmente falou. — É... é meu? Mesmo pelo celular, Alice sentiu a tensão na voz dele, que chegou a gaguejar. Ao vê-lo assim, Alice, por algum motivo, sentiu-se menos nervosa. — Por quê? O CEO Dom Diogo está pensando em não assumir a responsabilidade? — Não... não é isso... — Arthur engoliu em seco, sentindo a garganta extremamente seca. Sua cabeça latejava. — Onde você está? Eu vou até aí.
Alice deu a ele o endereço do hospital. Enquanto esperava por ele, ela olhou para o "Roteiro" acima de sua cabeça. Não sabia se era impressão, mas sentia que as restrições do Roteiro sobre eles estavam diminuindo. Pela trama original, Cristal deveria esconder a gravidez de Dom Diogo, mas agora Alice não apenas contara a ele, como Arthur estava vindo ao hospital, e o Roteiro não tivera nenhuma reação negativa. Além disso, as cenas, que antes exigiam uma interpretação literal, agora pareciam aceitar qualquer coisa, desde que as falas fossem ditas no cenário correto.
Arthur chegou rápido. Ele trazia consigo o cheiro da chuva; metade de seu ombro estava encharcada. Ao ver Alice deitada na cama com o soro, seu olhar escureceu. Ele caminhou rapidamente até o lado dela. Sem se importar com o suposto bebê, ele a analisou cuidadosamente da cabeça aos pés e só relaxou ao ver que, além da palidez, ela não tinha ferimentos. — O que aconteceu? Alice, medindo as palavras, contou o que ocorrera com a mãe deste corpo. Arthur ficou em silêncio por um momento e a confortou: — Cada um tem seu destino. Neste mundo, o fim dela já estava traçado. Nós não podíamos mudar isso.
Dito isso, seu olhar caiu sobre a barriga de Alice. Estava plana; se ela não tivesse contado, ele jamais saberia que uma pequena vida estava sendo gerada ali. Era uma sensação muito estranha. Em sua vida planejada, ele estava longe de chegar a esse estágio. Mesmo sabendo que aquele era um mundo fictício e que um dia eles sairiam dali... sentimentos e memórias não mentem. O olhar dele era tão intenso que Alice, desconfortável, tentou murchar a barriga. Temendo que ele não aceitasse a situação, ela disse: — Na verdade, você não precisa se preocupar muito. Tudo o que acontece aqui é ilusório, o bebê também é. Mesmo que eu esteja grávida agora, não significa que nós realmente teremos um filho.
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A chegada súbita desse bebê trouxe uma estranheza inexplicável para a "amizade pura" entre eles. Se Arthur estava constrangido, Alice não sabia, mas ela se sentia extremamente desconfortável. Num momento ela se sentia uma jovem solteira, e no outro...
Pá!
Grávida. Arthur também estava constrangido, mas o choque e a incerteza em seu coração superavam esse sentimento. Ele sentou-se na cadeira ao lado, meio sem jeito: — Então... o que... o que a gente faz agora? — O que mais dá para fazer? — Alice deu um tapinha leve na barriga. — Vou ter que dar à luz, ué.
Arthur baixou o olhar e ficou em silêncio. Diante da mudez dele, Alice sentiu que entendia. Afinal, se ela fosse Arthur e tivesse, do nada, ido para a cama com alguém, engravidado essa pessoa e agora tivesse que assumir um filho... mesmo sabendo que era tudo falso, no fundo, sempre haveria um pouco de insatisfação. — Você... — ela começou, mas foi interrompida antes de completar a frase. — Me desculpe. A culpa foi minha. Eu vou assumir a responsabilidade. Alice: — Hein? — O quê?!
Arthur continuou: — Mesmo que tudo isso seja falso, o sofrimento que está acontecendo com você é real. E foi um sofrimento causado por mim. Por isso... — Ele olhou nos olhos dela, palavra por palavra: — Não importa qual decisão você tome, eu assumirei toda a responsabilidade. Se o Roteiro exigir que você dê à luz, eu farei o meu máximo para sustentar e cuidar de vocês até o dia em que sairmos daqui.
Alice olhou nos olhos dele. Ela sabia que aquelas palavras foram ditas após muita reflexão. Mesmo sendo tudo uma ilusão, ele não fugiria da responsabilidade. Lá fora, a chuva continuava a tamborilar sem sinal de trégua. O ar-condicionado do quarto estava ligado e, depois de um tempo, Arthur, envolto em seu terno grosso, começou a sentir calor. Ele tirou o paletó, revelando a camisa branca impecável por baixo. Seus ombros e costas estavam molhados pela chuva, mostrando grandes manchas escuras que evidenciavam o quão desajeitado fora seu trajeto até ali.
Na memória de Alice, além de seus pais e sua melhor amiga, ninguém jamais estivera disposto a atravessar uma tempestade por ela. Mas ela não sabia se o que o fizera vir fora ela, como pessoa, ou aquele bebê ilusório em seu ventre. O quarto mergulhou num silêncio profundo. O som da chuva era como um tambor batendo no coração de Arthur. Ele abraçava seu paletó, inquieto na cadeira.
Será que eu disse algo errado? Por que a Alice não fala comigo?
— Alice, pode ficar tranquila. Eu realmente vou assumir. Eu não sou esse tipo de homem...
Alice perguntou de repente: — Arthur, você quer dizer que, contanto que haja um filho, você assumiria a responsabilidade de qualquer jeito? Arthur hesitou por um momento e assentiu com a cabeça. Alice continuou: — E se... e se a pessoa com quem você teve relações naquela noite fosse outra? Se não fosse ela, ele também estaria disposto a assumir a responsabilidade por causa do tal bebê?
Arthur ficou paralisado pela pergunta. Claramente, Alice perguntara com um tom calmo, mas ele sentiu uma ponta de agressividade naquelas palavras. Ele parecia ter sido encurralado pela pergunta dela. Se a pessoa não fosse ela, se fosse outra grávida de um filho dele... sua moral não permitiria que ele abandonasse um bebê e uma mãe inocentes, mas, emocionalmente, se essa pessoa não fosse Alice, ele percebeu que não conseguiria aceitar.
Ao ver que ele demorava a responder, Alice desviou o olhar. Ela sentiu um pouco de raiva de si mesma e depois achou graça de seus pensamentos absurdos. Por que estava se martirizando com isso? Se a pessoa não fosse ela, eles sequer teriam se conhecido, então por que fazer essa escolha infantil? Ela puxou o cobertor bruscamente para cobrir a cabeça, sentindo-se envergonhada por sua súbita instabilidade emocional: — Desculpe, eu falei bobagem. Minha cabeça falhou agora, não leve a sério.
No segundo seguinte, o cobertor sobre sua cabeça foi puxado por uma mão. O homem sentou-se na beira da cama. Seu rosto estava contra a luz, mas as sombras não escondiam seus traços marcantes e elegantes. Ele sempre fora assim: quando em silêncio, seus olhos amendoados carregavam uma certa distância, e cada gesto seu exalava a nobreza da alta sociedade. Ele comprimiu os lábios, olhando para Alice, e explicou seriamente:
— Seguindo a sua pergunta: se a pessoa fosse outra, eu de fato assumiria a responsabilidade. Eu arcaria com todas as despesas necessárias, mas isso não incluiria assumir qualquer sentimento por ela pelo resto da vida. Embora algo assim tenha acontecido e a mulher esteja em uma posição vulnerável, no fundo, eu também seria uma vítima.
— Mas você é diferente, Alice. — Eu não sei por que você fez essa pergunta, mas só posso te dizer: você é diferente. Você é mais importante que qualquer outra pessoa. Você é mais importante que esse bebê ilusório. Você é mais importante do que qualquer um.
— Porque foi você quem eu encontrei. Foi com você que eu tive essa relação. Foi você quem passou por tudo isso ao meu lado, e foi você quem me confortou quando eu estava perdido. — Não importa quantas suposições você faça... para mim, o mais importante ainda é você.
— Você não é um "se", Alice. —
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