"Destino Trocado: O CEO e a Garota Misteriosa" Capítulo 27: A Negociação
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O dia elegante do CEO Dom Diogo foi estilhaçado no portão da faculdade. Ao voltar para casa, ele se trancou no quarto em depressão profunda por vários dias até conseguir se recuperar. Já Alice sentia que algo estava cada vez mais estranho com ela.
Mais uma vez, ela parou em frente ao espelho em profunda reflexão. Não querendo acreditar, ela beliscou a própria barriga.
Será que era impressão dela? Por que parecia que ela tinha engordado de novo?
E não era só isso: ultimamente seu apetite não andava dos melhores, e qualquer cheiro de carne ou peixe a fazia sentir náuseas.
Vixe!
Ela coçou o queixo.
Por que esse clichê parece estranhamente familiar?
Ela tinha a vaga sensação de estar ignorando uma informação vital, mas antes que pudesse chegar a uma conclusão, alguém bateu à porta.
Era Arthur. Hoje ele vestia um terno cinza-chumbo, gravata azul e usava óculos de armação preta. Uma mecha de seu cabelo, que costumava ficar impecavelmente penteada para trás, caíra sobre a armação, conferindo aos seus olhos amendoados um ar terno e sedutor. Ele parou formalmente à porta e, ao ver Alice sair, relatou seu itinerário como se fosse um relatório oficial: — Estou saindo para cumprir uma missão.
Por um momento, Alice teve a ilusão de que ele dizia:
"Estou indo trabalhar, cuide da casa"
. Ela acenou timidamente: — Então... tchau? Arthur comprimiu os lábios e baixou o olhar. Seus cílios longos e densos projetaram uma sombra, dando-lhe um ar subitamente inocente. — Vim te avisar que... algumas coisas ruins podem acontecer. — Hein? — Alice piscou, confusa. — Que tipo de coisas ruins?
Ela não precisou esperar pela explicação de Arthur; logo descobriu o que era. Porque... A mãe do CEO a convidou para uma conversa.
Alice ainda estava meio atordoada quando entrou na cafeteria indicada por mensagem. Assim que o ar-condicionado a atingiu, ela esfregou os braços para espantar o arrepio causado pela queda brusca de temperatura e olhou em direção à janela. Lá estava a mãe de Dom Diogo, esperando-a há tempos. Ao vê-la, arqueou a sobrancelha com frieza. — Sente-se. Alice obedeceu, sentando-se com certa reserva: — A senhora queria me ver?
A mulher não disse nada. Apenas tirou um cheque da bolsa e o empurrou sobre a mesa. — Aqui estão cinco milhões. Pegue e deixe o meu filho.
Num lugar onde ninguém podia ver, os olhos de Alice se arregalaram e ela gritou internamente:
MEU DEUS! O clichê dos cinco milhões finalmente chegou!
Mas, externamente, ela assumiu uma expressão de quem fora profundamente insultada: — O que a senhora quer dizer com isso?
— O que eu quero dizer? — A mãe do CEO tomou um gole de café. O colar em seu pescoço valia o equivalente ao salário de meia vida de uma pessoa comum. Seus gestos eram nobres e elegantes, em nada lembrando a histeria do banquete. — Acho que fui bem clara. Qual é o status da família de Dom Diogo? E qual é o seu, Cristal? Meu filho estar interessado em você agora é apenas um capricho momentâneo. Assim que ele recuperar a sanidade e perceber o erro, ele se livrará de você em minutos. Se você for esperta, pegue esse cheque e suma. Esse dinheiro é mais que suficiente para tratar a doença da sua mãe.
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Alice rebateu: — Se a senhora diz que seu filho só está interessado em mim por um erro momentâneo, por que não espera simplesmente que ele se canse e me chute? Por que gastar dinheiro para me mandar embora? — Você... — A mulher ficou momentaneamente sem palavras pela lógica de Alice. Ela bateu a xícara de café na mesa com força, fazendo com que gotas de café formassem uma mancha marrom na toalha branca. — Não tente ser espertinha! É que o Diogo está tão obcecado que insiste em ficar noivo de você no fim do mês. Uma vez noivos, o mundo inteiro saberá que Cristal, uma bastarda de quinta categoria, é a futura nora da família Real. Se não fosse por isso, eu nem me daria ao trabalho de te ver. Que azar!
Alice pegou o cheque e o analisou com seu conhecimento nada profissional.
Droga, parece real mesmo. Cinco milhões? Daria para uma cidadã comum como ela viver uma vida despreocupada para sempre.
Por que na realidade não aparece um CEO para lhe oferecer isso? Ela pegaria o dinheiro e sumiria num piscar de olhos.
Mas Cristal não era Alice. Para Cristal, aceitar dinheiro de qualquer pessoa que não fosse o CEO era um insulto. Como sua alma orgulhosa poderia aceitar um insulto tão vulgar? Assim, ela rasgou o cheque. Os pedaços de papel voaram ao redor de seu rosto determinado. — Vou dizer uma última vez: não estou com ele pelo dinheiro da família Real. Se ele se cansar de mim e quiser terminar, eu jamais o perseguirei. Mas enquanto ele quiser estar comigo, eu não o deixarei.
— Cristal... — a mãe dele disse com fúria. — Meu filho nunca ficará com você! Aurora é a parceira ideal, a nora que eu escolhi. Quem você pensa que é para entrar pela porta da frente da minha casa? Dito isso, ela exibiu um sorriso triunfante: — Espere e verá. Não vai demorar muito para o Diogo te largar. Você acha que ele não vive sem você porque você é a única com quem ele não tem alergia, certo? Pois eu te digo: em breve, você não será mais a única que pode tocá-lo.
Ela falou com tanta convicção que Alice ficou confusa.
Será que, sem ela saber, encontraram uma cura milagrosa para a alergia dele?
A mulher, achando que intimidara Alice, aproveitou: — Se eu fosse você, pegaria esses cinco milhões e sumiria agora, antes que acabe saindo de mãos abanando. Quanto mais ela falava, menos a orgulhosa Cristal cedia. — Leve embora o seu dinheiro sujo. Eu não faço questão dele. Nem todo mundo é ganancioso como vocês, ricos!
O estranho foi que, após ouvir isso, a mãe de Dom Diogo não se irritou. Em vez disso, cruzou os braços e ficou observando Alice com calma, como se esperasse para ver uma piada. Alice instintivamente sentiu que algo estava errado. E não deu outra. A mulher disse: — Espere. Vamos ver se você continuará falando assim daqui a pouco.
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A cafeteria escolhida ficava no quinto andar de um shopping, em um ângulo que permitia ver todos os transeuntes lá embaixo. Dez minutos depois, duas figuras que Alice não esperava ver cruzaram a entrada do shopping. Eram Arthur e Aurora de Neve, agora com seu cabelo loiro original.
A mãe dele comentou: — Veja. Você recusou cinco milhões por ele. E ele? Enquanto você recusa o dinheiro, ele traz a Aurora para fazer compras. Você realmente acha que o Diogo não vive sem você?
Alice franziu a testa involuntariamente. Do seu ângulo, os dois lá embaixo pareciam extremamente íntimos. Aurora apoiava-se em Arthur de forma delicada, apontando para uma loja, e Arthur a levava para dentro. Mesmo sabendo que aquilo era influência do "Roteiro", Alice sentiu um desconforto no peito. Ela permaneceu sentada, observando-os, em silêncio.
A mulher à sua frente continuou: — Você se acha especial por causa da alergia dele. Mas agora nossa Aurora tomou o remédio desenvolvido por especialistas, e o Diogo não terá mais reação alérgica com ela. Com a Aurora, que cresceu com ele, ao lado dele... você acha que ele realmente precisa de você?
Alice viu os dois entrarem em uma loja. Só então percebeu que, na verdade, havia um espaço considerável entre eles; a "intimidade" de antes era apenas uma ilusão de ótica daquele ângulo. Assim que entraram, Arthur encostou-se perto da porta e pegou o celular, baixando a cabeça para enviar mensagens.
Naquele instante, Alice teve um estalo. Ela pegou o próprio celular, que deixara de lado, e viu uma enxurrada de mensagens de Arthur:
【Esqueci de te avisar, o Roteiro me obrigou a vir ver aquela garota que muda de cor.】
【Cheguei na empresa, ela falou um monte de besteiras e depois derramou café em si mesma na minha frente.】
【(Meme do vovô confuso olhando o celular)】
【Que saco, ela disse que a roupa sujou e me obrigou a trazê-la para comprar roupas novas. Eu disse que não ia e ela começou a chorar.】
【Será que ela não tem dinheiro? Por que alguém chora por uma roupa?】
【Eu não queria vir, mas o Roteiro me forçou. Pode vir me salvar?】
【Alice? Cadê você?】
【Ah! Ela é maluca? Por que ela fica tentando se encostar em mim?】
【Que perfume ela está usando? Por que o cheiro é tão ruim?】
【ALICE!】
【Se você não vier, eu vou morrer!】
【...】
Alice não aguentou e soltou uma risadinha, fazendo a cara da dondoca à sua frente ficar verde de raiva. — Cristal! Você está ouvindo o que eu estou dizendo? — Estou sim — Alice guardou o celular e disse preguiçosamente. — A senhora disse que, se eu não deixar seu filho, eu vou me ver com você. — Se for esperta, não preciso te ensinar o que fazer, certo? — Ah, eu sinto muito... — Alice pegou sua bolsa e levantou-se, encarando a mulher. — Eu nunca fui muito esperta. Se fosse, já teria sumido quando sua futura nora "frágil e coitadinha" me mandou embora com o nariz empinado. — Eu só tenho uma curiosidade — ela sorriu. — A senhora senta aqui com um cheque me mandando sumir, dizendo que é "para o bem dele". Mas já perguntou a opinião dele? Fazer o bem para alguém contra a vontade dessa pessoa é realmente "fazer o bem"?
O rosto da mulher obscureceu-se instantaneamente: — Eu conheço o meu filho. Ele está apenas confuso. Um dia ele entenderá meus esforços e minha dedicação.
Ao ouvir isso, Alice quase riu. Sempre havia pessoas que, em nome de "fazer o bem", acabavam ferindo os outros. Mas ela não comentou mais nada, apenas disse: — Espero que seu filho consiga entender seus "esforços" enquanto ainda estiver vivo. Dito isso, ela saiu elegantemente. Mas não foi procurar Arthur; não porque não quisesse, mas porque o Roteiro a impedia.
Afinal, aos olhos de Cristal, ver Dom Diogo entrando em um shopping com outra garota era um golpe fatal para seu orgulho.
【Cristal os viu entrando juntos. Eles pareciam tão perfeitos, um casal feito no céu. Comparada a eles, ela era apenas uma intrusa. E como uma intrusa ousaria ter desejos além de sua posição?】
【Sempre fora apenas um casamento de contrato. Assim que conseguisse as ações, seria o momento da separação. Fora a ganância dela que a fizera desejar algo que não lhe pertencia.】
【O sonho acabou. Ela precisava voltar para o seu mundo de Patinho Feio.】
Alice não voltou para o mundo do Patinho Feio. Ela parou na porta do shopping, pegou o celular e digitou apenas duas palavras para Arthur:
【Boa sorte.】
Arthur respondeu em segundos. Sobre o incentivo dela, ele tinha os seguintes seis pontos a declarar:
【......】
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