"Destino Trocado: O CEO e a Garota Misteriosa" Capítulo 23: Aurora de Neve (Shangguan Xuerou)
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Alice sentiu um tique nervoso no canto da boca.
Homem que não pode ser controlado? Que diabos de roteiro é esse?
A garota continuou: — Não pense que eu não sei quais são as suas intenções. Pessoas pobres e inferiores como você só estão interessadas no dinheiro dele, não é? — Diga logo: quanto você quer para sumir da vida dele?
Ding!
【Cristal não esperava que aquela garota falasse assim com ela. O que ela pensava que Cristal era? Uma pessoa desprezível e interesseira? Sim, ela precisava de dinheiro, era verdade; ela até aceitara assinar um contrato de casamento com Dom Diogo por dinheiro, mas isso não significava que ela faria qualquer coisa por uma nota de dólar.】
【Já que ela prometera ser a esposa de Dom Diogo, ela jamais voltaria atrás em sua palavra.】
【E o mais importante: na convivência desses últimos dias, ela parecia... ter sido atraída pela prepotência daquele homem. Ele era tão autoritário, tão irracional, mas fazia o coração dela bater "tum-tum" sem parar.】
Alice respondeu: — Não importa o que você pense de mim, vou deixar bem claro: eu não vou deixar o Dom Diogo. E mais, não tente me insultar com o seu dinheiro sujo. Não pense que ter alguns milhões te dá o direito de fazer o que quiser!
Ao terminar a fala, o coração de Alice sangrou. Se pudesse, ela adoraria ser insultada com dinheiro; de preferência, que a outra jogasse maços e mais maços de notas de cem na cara dela. Que insulto maravilhoso seria!
— Você! — Aurora de Neve bateu o pé, furiosa. — Não pense que só porque tem um rostinho bonito e seduziu o Diogo, você realmente vai ficar com ele. Logo ele vai se cansar e te descartar como lixo. Alice estufou o peito, mantendo seu último pingo de orgulho e teimosia: — Já terminou? Se sim, eu vou indo.
Aurora de Neve não esperava que ela fosse tão "impenetrável". Vendo Alice se afastar, gritou enfurecida: — Você vai ver só! Eu te dei a chance de sair por bem, agora vai ser por mal!
Alice saiu dali quase correndo, segurando a saia do vestido. Ela desceu as escadas e encontrou Arthur com precisão no meio da multidão. Pegou a taça de vinho que deixara com ele e deu um gole generoso para recuperar o fôlego. — Adivinha quem eu encontrei no banheiro agora pouco? — Quem? — Eu disse que as coisas não seriam tão simples. Dito e feito: mal saí do reservado e a tal rival já veio tirar satisfação. Arthur travou por um segundo: — Rival? — É... — disse Alice. — Adivinha o que ela disse? Me perguntou quanto eu queria para sumir da sua vida.
Arthur, que nos últimos dias não tivera nada para fazer e estudara a fundo os romances que Alice recomendara, sentiu que um novo mundo (traumatizante) se abria diante dele. Quando ela mencionou "dinheiro", a imagem que veio à mente dele foi: Uma mulher jovem e elegante segurando um cheque com arrogância e dizendo: "Aqui tem um milhão, deixe-o. Se não for suficiente, eu dobro." Arthur sentiu um calafrio.
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Já Alice lamentou: — Seria tão bom se eu pudesse ter aceitado. Pediria uns milhões, a gente dividia meio a meio e vivia o resto da vida sem preocupações. — É mesmo? — Arthur disse com uma voz fria. — Me deixaria por alguns milhões?
Alice olhava para os lados, procurando algo para comer, e nem deu atenção ao tom dele: — Se deixar um homem me rendesse milhões, eu sairia galopando, pegaria o primeiro ônibus e sumiria na mesma noite. Arthur não resistiu e rebateu: — Mas um CEO não é muito mais rico? A longo prazo, ficar com o CEO é mais lucrativo, não? Além disso, alguns milhões não duram tanto hoje em dia; em certos lugares, você mal compra um apartamento.
— Mas o coração humano muda, especialmente o dos ricos. Quem garante que ele vai me amar a vida toda? E se ele enjoar, quiser trocar de namorada e me der um chute? Onde eu vou chorar o meu prejuízo? — E outra coisa: o dinheiro do CEO é do CEO. Se ele não me der, eu continuo sem nada. Mas aqueles milhões na mão seriam meus de verdade. Só o dinheiro na própria carteira traz paz de espírito.
Por algum motivo, Arthur sentiu-se deprimido. Ele viu Alice analisando um prato de sushi na mesa, decidindo se comia ou não, e deu um passo à frente. — E os sentimentos entre vocês? Simplesmente não contam? — Hein? — Alice piscou, confusa. — A gente tem sentimentos um pelo outro? Arthur tossiu, desviando o olhar: — Estou falando de uma suposição.
Alice pegou um sushi. Pensou um pouco e disse: — Isso eu já não sei. Afinal, nunca fui amada por um CEO de verdade. Quando eu realmente namorar um, eu te respondo. Arthur continuou se sentindo incomodado; ele nem sabia que tipo de resposta queria ouvir, então apenas fechou a cara e ficou em silêncio.
Alice levou o sushi à boca; havia uma fatia de peixe fresco por cima. Inexplicavelmente, o cheiro do peixe cru a fez sentir um enjoo súbito. Ela tentou morder, mas o odor misturado ao das algas invadiu seu nariz e ela começou a ter ânsia de vômito, agarrando-se a uma lixeira próxima. Por sorte, eles estavam em um canto afastado e pouca gente notou, caso contrário seria um mico total.
Arthur começou a massagear as costas dela e entregou um lenço de papel: — O que houve? — Eu... Alice, abraçada à lixeira, tentou falar, mas o refluxo não parava. Depois de um tempo, ela não vomitou nada, mas ficou pálida. Sentou-se no sofá, exausta, e limpou a boca: — Não sei. Deve ser estômago de pobre que não aceita comida fina. Arthur: “...”
Arthur pegou o sushi que ela mordera e analisou; o peixe parecia perfeitamente fresco. Jogou o sushi fora e sentenciou: — Com certeza foi toda aquela porcaria de fast-food que você andou pedindo ultimamente. Seu estômago se acostumou com comida "estragada" e, quando entra em contato com algo fresco, ele rejeita. É um efeito reverso. Alice olhou para ele; aquele rosto bonito estava com uma expressão seríssima. — Quem disse isso? Nunca ouvi essa teoria — perguntou ela. — Eu estou dizendo. Acabou de ouvir — rebateu Arthur. Alice: “...” Ela fez um sinal de "joinha" para ele, fechou os olhos e desistiu de discutir.
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De repente, houve um burburinho na multidão. Parecia que alguém muito importante acabara de chegar. — Meu Deus, estou vendo certo? É a Srta. Shangguan? Ela voltou ao país? — É a lendária garota gênio, Aurora de Neve? Aquela que foi para o exterior aos quinze anos e ganhou inúmeros prêmios? Não acredito que ela voltou para o aniversário do velho. — Você não sabe da última? Aurora de Neve e Dom Diogo são amigos de infância! Dizem que o CEO viajava para fora só por causa dela. Todo mundo achava que iam ficar juntos, mas aí... — Será que ela voltou porque soube do casamento? E agora, como fica a noiva...?
Alice riu e puxou a manga de Arthur: — Falei da rival, olha ela aí. Arthur olhou para o centro do salão e viu uma garota de cabelos dourados. Tão dourados que era impossível não notar. No instante em que ele olhou, a garota levantou a cabeça, sorriu para ele e começou a caminhar em sua direção.
A mãe de Dom Diogo, que sumira até então, apareceu ao lado dela, segurando o braço da garota com carinho: — Diogo, olha só quem voltou! Ela lançou um olhar de desprezo para Alice: — Não está vendo que temos visita? Nem se levanta para cumprimentar? É essa a educação da família real? Ah, esqueci... o que esperar da educação de uma bastarda que ninguém quer?
O comentário fez Arthur franzir a testa. Ele colocou a mão no ombro de Alice, impedindo-a de levantar: — Ela não está se sentindo bem. Pode ficar sentada descansando. — E outra coisa... — Ele encarou a própria "mãe". — Ficar usando a origem de alguém, algo que ninguém pode escolher, para menosprezá-la... é esse o tipo de educação das "famílias nobres" que você tanto defende? — Você...! — A mulher não esperava ser rebatida assim em público; seu rosto alternava entre o verde e o branco de raiva. — É assim que você fala com a sua mãe?
Arthur respondeu calmamente: — Estou apenas sendo honesto. E acredito que, como mãe, você deveria dar o exemplo. Pais são os segundos professores dos filhos; se você tem esse tipo de mentalidade, é natural que os filhos acabem crescendo "tortos". Alice se encolheu no sofá atrás de Arthur, tapando a boca para não rir. Ela não entendia como Arthur conseguia ser tão jovem e, ao mesmo tempo, exalar essa aura de "pai palestrinha".
Aurora de Neve, percebendo o clima tenso, interveio rapidamente: — Diogo, não fique bravo. A tia só disse isso porque ficou chateada ao ver que você não quer mais ouvir os conselhos dela por causa desta moça. Embora você seja livre para gostar de quem quiser, ela, como sua mãe, naturalmente deseja que você encontre alguém mais... qualificado. Ela olhou para Alice, que estava escondida atrás de Arthur, e disse docemente: — Sinto muito, moça. A tia não queria te ofender, perdoe-a, sim? Eu detestaria ver o Diogo e a mãe brigados por minha causa; ficaria muito triste se qualquer um dos dois sofresse.
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Alice ficou boquiaberta. Não imaginava que a garota arrogante do banheiro pudesse ser tão "falsa e doce" em público.
Ding!
【Dom Diogo não esperava que Aurora de Neve, que estava se tratando no exterior, voltasse tão cedo. Ao vê-la tão preocupada com ele, sentiu um traço de compaixão em seu coração.】
Arthur ouviu o pensamento, mas sentiu que algo estava errado no discurso dela, embora não soubesse dizer exatamente o quê. Parecia que, nas entrelinhas, Alice estava sendo pintada como uma pessoa mimada e insensível. Mas, ao sentir Alice agarrada à sua camisa atrás dele, rindo escondido, ele achou que ela era assim mesmo — e que era bom que fosse mimada, assim ninguém a pisaria. Seu medo era que ela tentasse agradar a todos e acabasse se anulando.
Ele seguiu as falas do roteiro e disse secamente: — Esquece. Pelo bem da nossa amizade, não vou discutir. Você não estava se tratando fora? Por que voltou de repente? Aurora de Neve respondeu: — Como eu poderia perder o aniversário do vovô? Além disso... eu nem sabia que você tinha uma namorada, Diogo. Quando estávamos juntos lá fora, você ainda era solteiro. Como arranjou uma namorada assim que pisou aqui?
Arthur: — Começamos faz pouco tempo. Pretendemos noivar em duas semanas. Ao ouvir isso, Aurora de Neve apertou o tecido do vestido com força. Forçou um sorriso e disse para Alice: — Srta. Cristal, foi amor à primeira vista? É curioso... o Diogo e eu passamos tanto tempo juntos e ele nunca pensou em namorar. Foi só eu me afastar e ele voltar para cá que encontrou você. Que amor invejável o de vocês. — Mas... ouvi dizer que a sua mãe está com uma doença terminal e precisa de muito dinheiro. O Diogo sabe disso? — Ah! — Ela fingiu surpresa, cobrindo a boca. — Olha só a minha língua! Você não contou para ele, Cristal? Ai, meu Deus... será que eu acabei revelando o seu segredo sem querer?
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