"Destino Trocado: O CEO e a Garota Misteriosa" Capítulo 20: De Volta ao Normal
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Arthur disse que ia comer, mas ao olhar para a casca dura e brilhante, coberta de óleo e alho, sentiu-se um pouco perdido. Com um toque dos dedos, sentiu tudo ficar pegajoso. — Não tem luvas descartáveis? — Tem — disse Alice. — Veja se não estão dentro do saco. Arthur vasculhou, mas não encontrou nada. — Então devem ter caído na bancada da cozinha quando eu tirei as coisas. Vai lá buscar. Resignado, Arthur teve que se levantar novamente para procurar as luvas.
Quando ele voltou, Alice já havia caído em um sono profundo encostada nos travesseiros. Com o rosto levemente virado e as manchas da alergia ainda visíveis, ela parecia uma mistura de coitadinha com alguém irritante. Arthur ficou na porta observando-a por um tempo, checou o soro que ainda estava no último terço e sentou-se na cadeira.
Ele quase tinha esquecido como se descascava um lagostim. Seus movimentos eram lentos e exploratórios enquanto abria a casca, revelando a carne branca e macia. Ele a mergulhava no molho e levava calmamente à boca. O tempo havia passado e os lagostins já estavam esfriando; o sabor era salgado e gorduroso, longe de ser uma iguaria. O jovem mestre Arthur era alérgico, sim, mas ele era rico; sempre pôde encontrar alimentos muito mais caros e saborosos para substituir o lagostim. No entanto, ele não reclamou; apenas abaixou a cabeça e comeu silenciosamente toda a bandeja.
Ao final, sua técnica de descascar tinha melhorado visivelmente. A carne saía inteira e farta, exatamente como aquela que ele escolhera com tanto cuidado na infância. Aquela carne que ele segurara firme na mão até chegar ao hospital e que se recusara a soltar, agora, mais de dez anos depois, chegava à sua boca de uma forma diferente.
Quando ele terminou de comer, o soro de Alice também acabou. Ele removeu a agulha, prendeu o algodão com fita adesiva no dorso da mão dela e começou a arrumar as coisas para ir dormir. Mas ele jamais imaginaria que Alice dormisse tão mal. O quão ruim era o sono dela? Talvez por sentir que a agulha não estava mais lá, em poucos minutos ela rolou na cama duas vezes, indo da cabeceira aos pés, com metade da perna pendurada para fora do colchão. E não satisfeita, ela ainda esticou a mão para tentar coçar o rosto.
Arthur foi rápido e segurou a mão dela, repreendendo-a: — Não pode coçar o rosto. Sendo o único "aluno" do Professor Arthur, Alice nem sequer ouvia o que ele dizia. Mas, como sua ferramenta de crime fora capturada, ela apenas se esfregou impaciente no edredom e desistiu temporariamente da ideia de se coçar. Arthur segurou a mão dela e a observou por um longo tempo; vendo que ela não resistia mais, ele soltou devagar. Mas, no instante em que ele soltou, a mão de Alice subiu novamente em direção ao rosto.
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Arthur: “...” Ele soltou um suspiro de exaustão. Sentia que o maior perigo naquele mundo não eram as tramas bizarras, mas sim Alice. A mão rebelde foi capturada novamente e, após o som da cadeira sendo arrastada, Arthur sentou-se ao lado dela segurando seu braço. Ele checou o celular: já eram quatro da manhã. Pelo visto, não precisaria ir à aula amanhã.
Alice era um furacão enquanto estava solta, mas assim que era segurada, parecia ser "selada"; tornava-se instantaneamente obediente, parando de se coçar e até de se revirar na cama. Arthur, segurando a mão dela, viu as sobrancelhas dela franzidas pela coceira e acabou cedendo. Com a ponta dos dedos, ele acariciou levemente a pele dela para aliviar o incômodo. Suas mãos ainda tinham o leve resquício do cheiro de lagostim, mas o toque fez as sobrancelhas de Alice relaxarem. Por fim, ela virou a cabeça, esfregou-se na mão dele e mergulhou em um sono profundo. Arthur recolheu a mão e olhou para a postura torta dela na cama. Ele soltou um riso muito baixo e leve.
Na manhã seguinte, Alice acordou primeiro. Ao abrir os olhos, sentiu uma dor aguda na coluna cervical. Tentou se mexer e percebeu que não era só o pescoço; seu corpo inteiro estava dolorido e travado, como se tivesse participado de uma luta clandestina.
Não é possível... foi só uma alergia, como pode ter esse efeito colateral?
Ela tentou se apoiar para levantar, mas percebeu algo estranho. Sua mão estava sendo segurada com força por outra mão; dedos longos estavam firmemente entrelaçados aos seus. O calor da palma de um homem atravessava o contato, mas as manchas vermelhas no dorso da mão dela ainda não tinham sumido.
Alice ficou olhando para aquela mão, atônita.
Espera, essa não é a minha mão?
Não... espera, essa é a mão do Arthur!
Ela deu um pulo da cadeira e olhou para cima: Arthur estava dormindo profundamente, encostado nos travesseiros. Ela olhou para baixo e...
Uau! Que vista privilegiada!
(Referindo-se ao próprio corpo feminino de Cristal).
Eu estou...
Incrédula, ela estendeu a outra mão diante dos olhos.
Nós trocamos de volta?!
— Ar... Arthur! — Ela esqueceu a dor no corpo e começou a sacudi-lo. — Arthur, acorda! Acorda agora! Arthur tinha dormido quase às cinco da manhã por causa dela e, após poucos minutos de sono, estava sendo acordado novamente. Ele estava em um estado de depressão profunda. Assim, ao ver aquele rosto familiar — e agora um pouco estranho — diante dele, não processou a informação de imediato. Apenas abriu as pálpebras pesadas, olhou para ela e virou-se para cobrir a cabeça com o edredom. — O que foi?
Alice ficou boquiaberta com a calma dele. Vendo que ele ia apagar de novo, ela não aguentou. Tentou levantar e puxar a mão, mas descobriu que, mesmo dormindo, Arthur segurava seus dedos com um aperto de aço. Como não conseguia soltar, ela começou a empurrá-lo com a outra mão. — Acorda, criatura! Nós trocamos de volta! Você tem noção? Estamos nos nossos corpos originais!
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Arthur colocou o rosto para fora do edredom — ainda com as marcas da alergia — e abriu os olhos lentamente. — Trocamos? O quê? Ele piscou e, ao ver os olhos amendoados e arregalados de Alice, despertou num estalo. Sentou-se abruptamente na cama e levantou o cobertor para olhar o pijama de seda. — Voltamos!
Finalmente a mão de Alice se soltou do aperto dele. Ela começou a dar voltas pelo quarto, tão feliz que nem sabia o que dizer. — Como voltamos assim do nada? Nós nem fizemos nada de especial ontem, fizemos? Arthur massageou a cabeça pesada, tentando organizar os pensamentos: — Bom, agora que voltamos, podemos descartar aquela primeira teoria (a do sexo). — Ele engoliu em seco, sentindo a garganta seca como um deserto. — Enfim, não importa o motivo, voltar é uma ótima notícia. — Ele tossiu. — Por favor, me traz um copo de água.
Alice correu para buscar a água e voltou com os olhos brilhando: — E aí? Como você está se sentindo? Arthur pegou o copo e, ao levantar o olhar, colidiu com aquele par de "estrelas" nos olhos dela. Seus dedos apertaram o vidro do copo e ele desviou o olhar para beber a água, com a voz estranhamente tensa: — Bom, eu não morri. — Não diga isso, atrai má sorte. — Alice observou as manchas no rosto dele. Tendo sentido na pele a dor da coceira no dia anterior, ela sabia o quão terrível era. — Você está bem? Parece menos assustador que ontem.
Arthur segurou o copo de vidro; o reflexo borrado mostrava seu rosto coberto de pontos vermelhos. Quando era Alice usando esse rosto, ele não sentia nada, mas agora que voltara, o "Jovem Mestre Arthur" e sua vaidade de uma tonelada sentiram que a vida não tinha mais esperança. Ele pousou o copo, baixou a cabeça e resmungou: — Tá feio. Alice ouviu e coçou o nariz, culpada. Olhando para ele, pensou:
Realmente, não está bonito.
Mas, como culpada, ela teve que consolar: — Relaxa, o médico disse que em dois dias some. Arthur olhou para a pele lisinha e perfeita dela e rangeu os dentes: — A culpa é toda sua.
Em termos de vaidade, Alice já tinha percebido o quão infantil aquele mauricinho podia ser. Ela deu um tapinha no ombro dele e consolou sem muita emoção: — É, é... a culpa é minha. Como punição, eu vou agora mesmo para a faculdade encarar os lendários "Quatro Príncipes".
Agora que os corpos voltaram, Alice retomou seu papel de "esposa sofredora". Arthur abriu os olhos novamente e, vendo a empolgação dela, sentiu que aquilo não parecia uma punição, mas sim um prêmio. Ele não entendia: como alguém podia ficar animado diante de algo tão vergonhoso? Ele não entendia a animação de Alice, e Alice até entendia a dor dele, mas isso não a impedia de transformar a dor dele em sua diversão.
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A manhã na Saint Mary Academy estava banhada em luz dourada. Carros de luxo chegavam um após o outro no portão. Alice chegou montada em sua bicicleta, fazendo um "drifting" estiloso para estacionar precisamente entre as limusines. De relance, não havia nenhum veículo ali mais chamativo que a bicicleta dela. Ela bateu as mãos para tirar a poeira, pegou a mochila e manteve perfeitamente seu personagem de "estudante pobre e esforçada". No entanto, não entrou de imediato; ficou de vigia no portão.
Finalmente, quatro carros de cores extremamente extravagantes surgiram em alta velocidade: Rosa, roxo, amarelo e vermelho. De dentro deles, desceram quatro garotas cujos cabelos tinham exatamente a mesma cor dos carros. Alice abriu a boca devagar: — Uau...
Murmúrios de admiração surgiram ao redor. — Meu Deus! São as Quatro Princesas! É a primeira vez que as vejo juntas! — Ahhh... que lindas, que classe! São minhas deusas! Um rapaz chegou a gritar desesperado: — Princesa Aurora, eu te amo! Quer ser minha namorada? Claro, ele acabou sendo "convidado" a se retirar pelos seguranças que protegiam as moças.
A garota de cabelo rosa soltou um bufo de desdém. Em vez de entrar, ela caminhou até Alice e ergueu o queixo com arrogância. — Então você é a Cristal? Alice não esperava ter falas tão cedo e empertigou o corpo imediatamente. — Eu mesma, Cristal.
Aurora (Ou Ruoxi) mediu Alice de cima a baixo com desprezo. — Além de ser comum, ainda é uma filha ilegítima. Se você tiver um pingo de bom senso, vai parar de perseguir o Diego e o Yan. Eles não são para o seu bico.
Ding!
【Cristal não esperava que a famosa Princesa Aurora a procurasse apenas para dizer aquilo. Ela e os rapazes eram apenas amigos comuns; como podiam dizer que ela os perseguia?】
【Ela estava indignada! Não achava que Aurora pudesse ser tão autoritária a ponto de tirar o direito deles de terem amigos. Pensando nos dois Príncipes que viviam tão solitários, uma onda de compaixão invadiu seu coração.】
【Ela precisava lutar por justiça para eles!】
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