"Destino Trocado: O CEO e a Garota Misteriosa" Capítulo 19: Lagostins
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As costas também coçavam. Alice, encostada nos travesseiros, esfregou-se discretamente contra eles e soltou um bocejo de cansaço. Arthur percebeu e disse: — Durma um pouco, eu fico de vigia.
Alice olhou para o soro pendurado sobre sua cabeça, lembrou-se de algo e disse: — Você não vai aproveitar que eu estou dormindo para fazer o sangue voltar pelo tubinho, né? — Afinal, ela mesma já tinha esse "histórico criminoso". Arthur: “...” Ele se levantou, frio: — Então vigie você mesma. Vou voltar para o meu quarto e dormir. Alice rapidamente o segurou: — Não, não vai! Eu fico com medo sozinha. — Medo de quê? — Medo de não resistir e acabar desfigurando seu rosto bonitão de tanto coçar. Arthur: “...”
O que eu fiz em outra vida para merecer encontrar a Alice nesta?
O tempo passava silenciosamente. No quarto, os dois — um sentado, outro deitado — ficaram sem palavras. Alice estava morrendo de coceira e sono, sentindo-se péssima. Olhando para Arthur, que parecia querer furar a garrafa de soro de tanto encarar, ela tentou puxar assunto: — Além de lagostim, tem mais alguma coisa que você não possa comer ou tocar? Arthur balançou a cabeça: — Não, só isso mesmo. — Ah... — Alice se mexeu, desconfortável, contendo a vontade de arranhar o rosto com o pouco de sanidade que lhe restava. — Eu não tenho frescura com comida, você pode comer o que quiser com o meu corpo. É uma chance de você provar o gosto do lagostim, senão é muito triste não poder comer por causa de uma alergia.
Arthur manteve a expressão neutra: — Eu não gosto. — Hein? — Alice estranhou. — Se você não gosta, como descobriu que era alérgico? Arthur quase riu de nervoso: — E como eu saberia que não gosto se nunca tivesse provado? Alice calou-se na hora.
Arthur observava o soro, que ainda estava na metade, com os olhos semicerrados. Já fazia tanto tempo desde a última vez que comera lagostim que ele já não lembrava se gostava ou não. O que permanecia vívido em sua memória era o olhar de reprovação de seus pais. Quando era criança, seus pais viviam ocupados, viajando pelo país inteiro; ele passou a infância com babás. As babás nunca preparavam algo trabalhoso como lagostim. A única vez que ele provou foi quando caminhou sozinho por meia hora até encontrar um restaurante; bastaram duas mordidas para que ele fosse parar no hospital por causa da alergia. Seus pais pegaram um voo internacional no meio da noite para vê-lo, mas a primeira frase não foi de preocupação, e sim de bronca na beira do leito: — Arthur, você já é bem grandinho. Pode começar a ter bom senso? Não pode parar de nos dar trabalho?
Depois disso, ele cresceu para ser o "bom filho" que os pais queriam e o "gênio prodígio" que os outros admiravam. Aquele pedaço de carne de lagostim que ele segurou firme na mão até chegar ao hospital, descascado com perfeição, tornou-se apenas uma lembrança borrada e amarga de sua infância.
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— Arthur! A voz de Alice o despertou de seus pensamentos. Ele levantou a cabeça e viu que ela sorria para ele. — Onde está o delivery que você guardou? Arthur hesitou um pouco antes de responder: — Acho que ficou na bancada da cozinha. Alice disse: — Aquele no saco vermelho, traz aqui para mim, por favor. — Para quê? Alice o empurrou levemente com a mão que não estava no soro: — Não faz perguntas, só traz. Ela tinha aquele jeito de dar ordens como se fosse uma autoridade esperando para ser servida. Arthur suspirou e, resignado, desceu para buscar.
O saco vermelho estava lá na cozinha. Ele não viu o que tinha dentro, achou que ela estava com fome e subiu com o pacote. Ele se ausentou por apenas alguns instantes, mas a pessoa lá dentro não conseguia ficar quieta. Alice tinha desabotoado todos os botões do pijama de seda preta e estava analisando a alergia no peitoral, esfregando a pele para aliviar a coceira.
Arthur parou na porta. Do seu ângulo, ele viu perfeitamente o peitoral exposto subindo e descendo com a respiração dela. Seu orgulhoso abdômen definido tinha sumido; o contorno estava tão ralo que nem se via mais nada. Se ela continuasse assim por mais dois dias, ele teria uma barriguinha flácida. Arthur: “...” Ele apertou o saco vermelho na mão, sentindo uma pontada de desespero subir à cabeça.
Alice achou que esfregar não era o suficiente e começou a coçar de leve, quando sentiu um ar frio vindo da porta. Ao levantar o olhar, deu de cara com Arthur e sua expressão sombria. No início, achou que ele estava bravo por ela estar se coçando, mas logo percebeu que o olhar dele estava fixo no "tanquinho" que agora era um só.
Erh...
Em cada madrugada em que o abdômen definido desaparece, nenhum rodízio, chá de bolhas ou delivery é inocente.
Alice tentou abotoar a roupa às pressas, decidindo que a melhor defesa era o ataque: — O que foi? Nem bate na porta antes de entrar? Você me ofendeu, sabia? Arthur sentiu que ele era o ofendido. Ele jogou o pacote na mesa e avançou sobre Alice. Sem paciência para conversa, ele estendeu a mão para tocar a própria barriga (no corpo de Alice), sem acreditar que seus músculos tinham sumido. — Ei, ei! O que você está fazendo? Onde pensa que vai colocar essa mão?
Com uma mão presa ao soro e o corpo cheio de coceira, ela não era páreo para Arthur. Vendo que a mão dele ia encostar, Alice tentou segurá-la desesperadamente e disse em tom baixo: — Garota, eu te aviso: não brinque com fogo! — Heh! — Arthur riu ironicamente, afastou o tecido e tocou a pele. Sumiram... ele tocou de novo, incrédulo e desesperado. Realmente tinham sumido. Seus músculos abdominais. Se foram. Alice: “...” Ela tentou murchar a barriga para ver se criava algum formato. — Ainda tem um pouquinho aqui.
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Arthur não disse nada, apenas encarava a barriga sob sua palma com um olhar de luto, chorando internamente pelos seus músculos perdidos. Alice, vendo o estado dele, disse com dor no coração: — Não fique assim. Prometo que amanhã eu como menos. Quanto a fazer exercícios... isso ela realmente não conseguia prometer.
Arthur murmurou, talvez para se consolar: — Quando voltarmos para o mundo real, meus músculos ainda estarão lá, né? Eles têm que estar lá... né? Alice: “...”
O que eu faço? De repente me sinto carregando um pecado enorme.
Embora estivesse culpada por ter "comido" os músculos dele, Alice notou a cena: seu pijama estava escancarado, o peito (que ainda podia ser chamado de robusto) estava totalmente exposto, e uma mão branca e delicada estava pousada ali. A cena não era nada apropriada para menores. E o mais importante... Alice não resistiu e disse: — Olha... cara, eu sei que você está triste, mas ficar passando a mão não vai fazer os músculos voltarem. Pode soltar agora? E completou devagar: — Está dando coceira, sério.
Arthur recolheu a mão, desolado. — Não fique triste, quando voltarmos tudo volta ao normal — disse Alice. — Olha, eu te convido para comer, que tal? Arthur largou-se na cadeira com desleixo: — Estou cansado. Não quero comer. Quero que o mundo acabe. Alice: “...”
Alice esticou o corpo para alcançar o saco vermelho na mesa, mas como estava longe, quase caiu da cama e ainda faltava um pouco. Arthur acabou pegando para ela, olhando-a com reprovação: — Você nesse estado e ainda quer comer? Alice sorriu: — Eu não. Isso é para você.
Arthur travou. Ele viu Alice abrir o pacote vermelho, revelando uma embalagem descartável cheia de lagostins que quase faziam a tampa saltar. Alice cruzou as pernas, colocou a caixa sobre os joelhos e pegou um lagostim. Com a mão do soro ajudando desajeitadamente, ela começou a descascar com dificuldade. Arthur demorou a reagir, observando-a em silêncio até que um pedaço inteiro de carne de lagostim foi estendido até sua boca. Ele recuou instintivamente: — Eu não gosto disso.
— Ah, qual é... — disse Alice. — Você só provou um pouquinho na vida, como sabe que não gosta? Além disso, se não comer agora, quando trocarmos de corpo você nunca mais terá chance. — Não... — Ele ia recusar de novo, mas no momento em que abriu a boca, Alice enfiou o lagostim lá dentro.
Um sabor peculiar explodiu em sua boca: o aroma do alho misturado com a doçura natural da carne. Ele mastigou por reflexo. Alice sorriu com os olhos arqueados: — E aí? Não é uma delícia? Arthur não disse nada, apenas engoliu silenciosamente. Alice baixou a cabeça para continuar descascando. Com a mão limitada e a caixa no colo, o óleo vermelho escorria pela ponta dos dedos dela, fazendo Arthur franzir a testa cada vez mais. Vendo que ia pingar no lençol, ele pegou um papel rapidamente e limpou o óleo das mãos dela. — Não precisa descascar. Se eu quiser, eu mesmo faço. Alice estendeu as mãos para ele limpar: — É que eu achei que você estaria com vergonha de pedir.
Arthur olhou para a agulha no dorso da mão dela e suspirou, não pela primeira vez: — Um paciente não precisa descascar nada para mim. Cuide de si mesma primeiro. Não quero que o sangue volte pelo tubo só porque você está inventando moda. — Ah... — disse Alice. — Então descasque você mesmo. Arthur a encarou: — O quê? Eu sou obrigado a comer isso agora? — Bem... não exatamente...
O rosto de Alice coçava muito. Ela baixou a cabeça e, sem querer, esfregou o rosto contra a ponta dos dedos de Arthur, perdendo o ângulo e murmurando: — É que eu já pedi, seria um desperdício. Essa caixinha custou caro.
A mão de Arthur parou por um segundo. A ponta do dedo onde ela encostara parecia estar em chamas, ardendo. Ele terminou de limpar o óleo, jogou o papel no lixo e apertou os dedos inconscientemente. — Como? Você, o grande Dom Diogo, está preocupado com uns trocados? Alice encostou no travesseiro e suspirou: — É fácil se acostumar com o luxo, mas difícil voltar para a pobreza. Tenho medo de me esbanjar demais aqui e depois meu salário de cinco mil não dar para nada lá fora. Além disso, eu ainda te devo dinheiro.
Ao pensar nas dívidas, ela sentia dor de cabeça. Arthur soltou um riso baixo, quase imperceptível, mas Alice ouviu. Ela virou o rosto para ele: — Você vai comer ou não? Arthur puxou a cadeira para perto da mesa, pegou um lagostim com seus dedos longos e disse em tom preguiçoso e casual:
— Vou.
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