"Destino Trocado: O CEO e a Garota Misteriosa" Capítulo 18: A Alergia
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Alice observou Arthur sair e deu início ao seu entediante dia. Diferente dos CEOs da vida real, o "Dom Diogo" dos livros não precisava trabalhar de verdade.
Sua rotina consistia em rabiscar duas assinaturas, sentar-se no escritório contemplando o império que conquistou e, nas horas vagas, caçar a "esposa fugitiva". Como a esposa ainda não tinha fugido, a vida de Alice estava um tédio mortal.
Devido ao rosto de Dom Diogo ser mundialmente famoso por sua beleza, ela não ousava sair para badalar. Vivia confinada entre a mansão luxuosa e o escritório, tendo como única diversão atuar com Arthur.
Mas Arthur andava estranho ultimamente. Além das cenas obrigatórias, ele mal falava com ela e sumia assim que tinha tempo livre, fazendo Alice suspeitar que ele tivesse "alguém" lá fora.
Sem nada para fazer, Alice começou a torrar a sequência infinita de zeros em sua conta bancária.
O quê? O maior ginseng do mundo?
Comprado.
Quero ver o tamanho dessa coisa.
O quê? Guia para Iniciantes no Cultivo Imortal?
Comprado.
Três anos para a fundação e cinco para o jejum espiritual.
O quê? A Essência do Jejum Espiritual?
Comprado.
Combinando com os cinco anos de jejum.
...
À uma da manhã, Alice saiu do quarto segurando a barriga e o livro "A Essência do Jejum Espiritual".
Com uma expressão pesada, ela concluiu que não dava para jejuar antes de atingir a "fundação imortal"; a fome era tanta que suas costas quase encostavam no estômago.
A mansão estava em silêncio; todos os empregados dormiam.
Dom Diogo, vestindo um pijama de seda preta, parou em frente à geladeira em profunda reflexão.
Por que não tem nada para comer?
Ela não acreditou e vasculhou as prateleiras, pegando apenas punhados de ar gelado.
O livro foi parar no lixo, e Alice abriu o aplicativo de delivery com uma agilidade invejável.
Macarrão de Caracol (Luosifen) extra picante?
Um, por favor.
Lagostim com alho?
Um também.
Churrasquinho?
Manda alguns.
Ainda tem loja de chá de bolhas aberta?
Não pode faltar.
...
Quando Arthur voltou com o corpo exausto, foi recebido na porta pelo cheiro avassalador do macarrão picante, o que o fez questionar sua própria existência.
Eu saio por um dia e o esgoto entope?
Ele abriu a porta hesitante e viu Alice sentada, com uma perna dobrada sobre a cadeira sem qualquer postura, segurando um espetinho em uma mão e os hashis na outra. Os lábios sensuais de Dom Diogo estavam levemente inchados pela pimenta, e ela soltava pequenos sons de "tss-há" pelo calor da comida.
Arthur: “...” Ao ouvir a porta, Alice virou-se e ficou encarando Arthur. Vendo o rosto dele escurecer, ela agiu como uma aluna pega pelo professor: baixou a perna rapidamente e balançou um espetinho de churrasco para ele. — Ei! Parceiro, quer um pouco?
Arthur fechou a porta, finalmente localizando a fonte do odor: a tigela de macarrão na frente de Alice. O jovem mestre Arthur não sabia o que era Luosifen, e ao identificar o alvo, seus olhos brilharam com choque e incompreensão. — Alice, o que você está comendo? Por que isso fede tanto? — É macarrão de caracol... — disse ela. — O cheiro é ruim, mas o gosto é divino! — Ela tentou vender a ideia: — Quer um pouco? É uma delícia, garanto que você vai se apaixonar.
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Arthur franziu a testa, sem o menor interesse. O cheiro era inenarrável e ele mal ousava respirar, temendo vomitar. Ele tinha aulas de dia e um emprego de meio período à noite; a mansão era longe de tudo e era impossível conseguir transporte. Ele chegava morto de cansaço na madrugada e só queria dormir. Alice notou sua exaustão e perguntou: — O que você tem feito? Por que sempre chega tão tarde?
Ao tocar no assunto, o ressentimento de Arthur transbordou: — O que mais seria? Trabalho extra. Tenho uma mãe doente em estado terminal que precisa de tratamentos caríssimos. Não bastou me vender para o CEO, ainda tenho que trabalhar feito um condenado para ganhar uns trocados de sobrevivência.
Ah, sim. A Cristal de orgulho inabalável não podia deixar Dom Diogo saber de seu trabalho; ela tinha que sair às escondidas e só voltar quando o CEO estivesse dormindo. Se Alice não tivesse decidido "jejuar" e pedido delivery, nunca o teria visto chegar.
Que trágico,
pensou Alice, enquanto pegava um lagostim.
Arthur estava prestes a subir quando parou de repente. Seus olhos sonolentos se arregalaram ao ver o crustáceo na mão dela. Ele gritou: — Alice! O que é isso na sua mão?! Alice levou um susto com o grito, e o lagostim meio descascado caiu na mesa. — É um lagostim, ué. Qual o problema?
Arthur soltou um palavrão e correu até ela. Ele puxou a gola do pijama de seda e viu que o pescoço de Dom Diogo já estava coberto de manchas vermelhas. — Eu sou alérgico a lagostim, você não sabia?! Já está cheio de urticária e você nem percebeu? Você é burra?
Alice piscou confusa e olhou para baixo; suas mãos também tinham manchas. Como estava de luvas descartáveis e apenas com uma luz fraca acesa, não tinha notado. Arthur olhou por dentro do pijama; as costas já estavam repletas de pontos vermelhos. Ele prendeu a respiração: — Quantos você comeu? Alice começou a sentir a coceira e olhou para a caixa cheia de lagostins ao alho: — Não muitos, só alguns... — Ela pretendia deixar o melhor para o final.
Arthur arrancou as luvas dela e limpou as mãos de Alice com um papel de qualquer jeito: — Para de comer agora. Vamos para o hospital. — Ele começou a puxá-la pelo braço. No meio do caminho, parou. — Esqueci. Você tem um médico particular. Ligue para ele agora!
— De jeito nenhum! — disse Alice. Arthur a encarou com as sobrancelhas franzidas. Alice apertou os lábios e não disse nada. Nem pergunte; era puro orgulho. Como um "Grande CEO" poderia admitir que teve uma reação alérgica por pedir delivery de lagostim no meio da noite? Dom Diogo não podia passar por essa humilhação!
Meia hora depois... O médico particular, ainda de pijama, chegou apressado à mansão. Arthur o arrastou para dentro: — Rápido, veja ela! Ela teve alergia a lagostim.
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A sala estava vazia; a sala de jantar tinha sido limpa às pressas, mas o ar ainda guardava um cheiro difícil de ignorar. O médico farejou o ar, mas antes que entendesse o que era, foi levado ao quarto do andar de cima. O quarto de Dom Diogo era como ele: decoração escura, fria e cheia de charme. E o "charmoso" CEO estava deitado, apoiado em travesseiros e usando uma máscara cirúrgica para esconder o rosto, deixando apenas os braços cobertos de manchas vermelhas à mostra.
— Meu Deus! — exclamou o médico. — Senhor Diogo, como ficou assim? Alice ficou em silêncio, apenas observando Arthur com o olhar. Arthur cedeu ao olhar dela, tossiu e explicou: — A culpa é minha. Eu quis dividir meus lagostins favoritos com ele, não sabia que ele era alérgico. Alice soltou um bufo: — Pois é, essa mulher insistiu tanto que eu provasse... se não fosse por ela, eu não estaria assim! — Ela ordenou ao médico: — Cure essas manchas malditas agora!
Arthur: “...” O médico aplicou uma injeção intravenosa. Por fora, o CEO encarava o médico com frieza, como se a agulha não fosse nele. Por dentro, Alice estava quase arrancando sangue do braço de Arthur de tanto apertar. Após a aplicação, ela perguntou: — Quando essas manchas somem? — Em algumas horas deve melhorar — respondeu o médico. — Heh! — Alice desdenhou. — Inútil!
Com o passar do tempo, a coceira tornou-se insuportável. Alice tentou resistir, mas acabou se coçando. Arthur viu e segurou a mão dela sem cerimônia: — Fica quieta. Se você ferir a pele, vai ficar com cicatriz e estragar esse rosto. O médico, que guardava suas coisas, olhou para Arthur surpreso. Nunca imaginara que alguém ousaria falar assim com o lendário Dom Diogo. O ar ficou pesado por um segundo, até que Alice teve um lampejo de criatividade. — Cristal, não pense que só porque te dei um pouco de atenção você pode abusar! Lembre-se do seu lugar. Entre nós, existe apenas uma transação financeira!
Arthur ficou boquiaberto com a facilidade de Alice em improvisar falas de roteiro. Ele acompanhou o médico até a saída e sentiu-se um pouco mal por tê-lo chamado no meio da noite. — Desculpe por fazê-lo vir a esta hora. — É o meu dever — disse o médico. — Mas dá para ver que o patrão se importa muito com você. Sou o médico dele há anos e nunca o vi tão preocupado com alguém. Ele nem parece o Dom Diogo arrogante que eu conheço. E completou: — Ele até aceitou comer lagostins por sua causa. Dá para ver que ele realmente gosta de você.
O semblante de Arthur, que tinha suavizado, escureceu novamente. Ele soltou um bufo nasal e bateu a porta da mansão na cara do médico. Quando voltou, Alice tinha tirado a máscara. O rosto bonitão estava cheio de manchas e algumas pequenas bolhas. Ela estava se coçando de novo e foi pega no flagra. Ela recolheu a mão, culpada: — Você... você voltou? — Se eu demorasse mais, você ia se desfigurar — disse Arthur. Alice olhou para as manchas nas mãos. Sabia que seu rosto devia estar um desastre. Ela baixou a cabeça: — Desculpa... eu não sabia da sua alergia.
Arthur puxou uma cadeira para sentar ao lado dela. Ele parou por um instante e depois sentou: — Não foi sua culpa. Eu que esqueci de te avisar. Alice olhou para ele de soslaio: — Você não está bravo? Arthur suspirou: — Se eu fosse ficar bravo com tudo, já teria morrido de raiva há muito tempo.
Naquele momento, Alice achou que ele era uma pessoa muito boa. Mas, na verdade, ele sempre fora assim.
Apesar de terem sido tragados para aquele mundo bizarro e enfrentarem tarefas absurdas, ele no máximo ficava de cara fechada, nunca descontando suas emoções nos outros.
Mesmo quando ela fazia coisas estranhas com o corpo dele, ele não perdia a paciência. Era difícil imaginar que aquele homem de aparência tão nobre tivesse um controle emocional tão estável diante de tanto absurdo.
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