"Destino Trocado: O CEO e a Garota Misteriosa" Capítulo 14: A Esposa de Contrato
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Arthur abriu os olhos e seguiu a linha da calça social impecável à sua frente até encontrar, sob a borda de um guarda-chuva preto, um par de olhos de fênix estreitados. Ele hesitou por um segundo e, lentamente, fechou os olhos de novo.
Alice, segurando o guarda-chuva: “...”
A chuva estava forte demais. O guarda-chuva de luxo que veio de brinde com seu Rolls-Royce balançava violentamente contra o vento, e em pouco tempo suas costas já estavam encharcadas. Vendo Arthur imóvel no chão, ela não resistiu e deu um chute de leve nele. — O que você está fazendo?
Arthur rolou para o lado, deixando a chuva atingi-lo de forma mais uniforme. — Nada. Só desisti de viver.
Alice: “...”
No fim, Arthur foi levado por Alice para sua mansão cinematográfica. No meio da noite, a imensa propriedade estava toda iluminada. Arthur, enrolado em uma toalha de banho, estava sentado no sofá com um olhar vago. Alice entregou-lhe uma xícara de chá antigripal, sentou-se de forma relaxada com as pernas cruzadas e começou a analisá-lo de cima a baixo com um sorriso de canto.
— Faz apenas alguns dias que não nos vemos. Como foi que aquela gatinha que me mostrou as garras virou esse bicho acuado?
Arthur deu um gole no chá; o sabor doce era tão intenso que chegava a ser amargo em seu coração. Ele respondeu sem expressão: — Você está feliz me vendo assim, não está? Vendo que eu, que desprezava vocês, ricos, me tornei isso por causa de dinheiro?
Ding!
【Dom Diogo não esperava que, em um simples passeio, encontraria Cristal novamente. Isso não deveria ser problema dele, mas ao vê-la sentada na chuva, chorando desamparada, sentiu uma pontada estranha de compaixão.】
【Ao ouvir a história sobre sua mãe doente e a humilhação para conseguir dinheiro, uma corda no coração de Dom Diogo vibrou levemente.】
Alice disse: — Garota, você realmente faria qualquer coisa para salvar sua mãe? — Atchim! — Arthur soltou um espirro alto, sentindo o corpo gelar. Ele se encolheu, entrando em modo "foda-se". — Sim. Depois que fui expulsa da família Cristal, foi ela quem me acolheu. Mesmo que ela não goste de mim, ela me criou. Não posso simplesmente abandoná-la.
— E se... — Alice disse pausadamente — ...eu pedisse para você ser minha esposa de contrato? Arthur tentou abrir os olhos pesados: — Hã? — Eu preciso de uma esposa agora, e você precisa de dinheiro. Eu te pago, você finge ser minha mulher para o mundo. É o negócio perfeito, não acha?
As pálpebras de Arthur se fecharam de vez, mas antes de apagar, ele lembrou do roteiro e murmurou um "está bem" quase inaudível. Alice percebeu que algo estava errado, aproximou-se e tocou sua testa; a temperatura estava absurdamente alta.
A mansão continuou em polvorosa durante a madrugada. Um médico de pijama foi arrastado para dentro sob a chuva torrencial. — O que houve? — perguntou o médico, apavorado. Alice estava genuinamente preocupada: — Rápido, veja ela! Ela tomou muita chuva e parece estar ardendo em febre.
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O médico entrou e viu a figura deitada no sofá. Ele revirou os olhos com impaciência: — Você me acordou no meio da noite por causa de um resfriadinho? Ele se aproximou de Arthur e a fala clássica saiu automaticamente: — É só uma febre boba, se eu demorasse mais um pouco ela já estaria cur... — Ele tocou a testa de Arthur. — Cacete! Se eu demorasse mais um pouco ela ia ficar com o cérebro cozido! Por que estão parados aí? Ajudem a levantar ela para eu dar a injeção!
Foi um caos generalizado na mansão. Quando tudo finalmente se acalmou, o dia já estava amanhecendo. A chuva parou gradualmente, e a primeira luz do dia rompeu o horizonte, deixando uma névoa fresca sobre a grama com cheiro de terra molhada. O médico, lutando para manter os olhos abertos, mediu a temperatura de Arthur e suspirou aliviado ao ver o resultado.
Ele guardou o termômetro e recolheu suas coisas: — A febre baixou. Peça para um empregado vigiar até o soro acabar. Da próxima vez, não espere tanto; vá direto ao hospital ou me chame na hora.
O peso no coração de Alice finalmente sumiu. Ela acompanhou o médico até a saída e, em vez de chamar os criados, voltou para cuidar de Arthur pessoalmente. O ocupante da cama dormia calmamente; ao contrário do estilo selvagem de Alice dormir, Arthur era muito comportado. Seus cílios longos subiam e desciam com a respiração, e o rosto ainda tinha um tom avermelhado.
Alice puxou uma cadeira e sentou-se ao lado dele. Vendo-o dormir tão tranquilo, sentiu uma vontade súbita de provocá-lo. Tocou levemente naqueles cílios curvados, lembrando da expressão de tédio que ele costumava usar, e sorriu. O quarto estava em silêncio absoluto, exceto pelo som da respiração dele e o
tic-tac
do soro pingando no tubo. Ela bocejou, sentiu as pálpebras pesarem e acabou adormecendo debruçada na beira da cama.
Arthur acordou com uma pontada de dor. Ele abriu os olhos e encarou o teto desconhecido, sem saber por um momento onde estava. Ao virar a cabeça, viu o rosto de Alice (seu corpo original) e, ao olhar para o lado, percebeu que o soro tinha acabado e o sangue estava começando a subir pelo tubo.
Arthur: “...” Ele olhou para a manga da camisa de Alice, que estava molhada de saliva onde ela dormia, e soltou um suspiro profundo e carregado. Com esforço, sentou-se na cama e arrancou a agulha de uma vez. No instante em que puxou, o sangue escorreu pelas costas da mão; se não tivesse sido rápido, o lençol branco estaria arruinado.
Arthur suspirou novamente, sentindo que ver o sol de hoje fora um verdadeiro milagre. Com a mão boa, ele empurrou a pessoa dormindo ao seu lado: — Acorda! Nada. Sem reação. Ele empurrou de novo, e desta vez Alice abriu os olhos, grogue. Ela olhou para a cara fechada de Arthur e esfregou os olhos: — Você acordou?
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Arthur sorriu amargo: — Se eu não acordasse, você estaria esperando para encomendar meu caixão? Alice finalmente viu a bagunça de sangue na mão dele. Ela deu um pulo da cadeira, desesperada, tentando segurar a mão dele: — O que aconteceu? Você tentou cortar os pulsos?!
Arthur: “...” Diante do silêncio dele, Alice pegou um lenço para limpar, mas acabou pressionando o local do furo da agulha com força. Arthur soltou um ganido de dor. — Ai! Você já viu alguém tentar se matar cortando as costas da mão?
Só então Alice notou o tubo de soro cheio de sangue ao lado. As palavras do médico ecoaram em sua mente e, vendo a expressão gélida de Arthur, ela baixou a cabeça, culpada. — Foi mal... eu dormi e esqueci de tirar o soro.
Mesmo conhecendo Alice há poucos dias, Arthur sentiu que esquecer um soro era exatamente o tipo de coisa que ela faria. O refinado herdeiro da família Diogo suspirou mais uma vez; o limite do desespero é uma calma absoluta. Alice limpou o sangue com cuidado e, vendo a mão dele inchada, perguntou hesitante: — Hum... você está bem? Arthur: — Estou ótimo. Nunca estive melhor. Alice: “...”
Pronto, a febre derreteu o cérebro do garoto.
Ela estava prestes a dizer algo para tentar recuperar a vontade de viver do rapaz, mas antes que falasse, Arthur sentou-se ereto na cama, encarando-a com olhos brilhantes. — Precisamos começar a seguir o roteiro, não é? — Hã?
Arthur apontou para a placa à sua frente.
【Cristal não esperava que Dom Diogo fizesse uma proposta tão absurda de casamento por contrato. Sua primeira reação foi achar que ele estava mentindo; afinal, com as condições dele, não faltariam pretendentes. Por que escolher logo ela? E por iniciativa própria?】
【Mas, na manhã seguinte, o homem entregou-lhe o contrato. Ele pagaria as despesas médicas da mãe dela, mas ela teria que fingir ser sua esposa perante a sociedade.】
Ele estendeu a mão para Alice: — Onde está o contrato? Alice travou: — Contrato? Que contrato? — O contrato de eu ser sua esposa e você me pagar.
Alice olhou para sua própria placa e viu que, de fato, havia um contrato mencionado. Ela olhou para Arthur com surpresa: — Por que você ficou tão animado de repente? Arthur ficou em silêncio por um momento e disse: — Você mesma disse: se terminarmos de atuar, podemos ir para casa.
Parecendo desconfortável, ele ajustou a postura e deitou-se meio de lado na cama, com o semblante pálido e os olhos semicerrados, parecendo quase transparente de tão fraco. Vendo-o assim, Alice sentiu um aperto no peito. Ela abriu a boca para falar algo, mas ao vê-lo fechar os olhos, preferiu o silêncio. Ela se levantou: — Vou pedir ao mordomo para redigir o contrato, então.
Arthur não respondeu; estava com as sobrancelhas franzidas, parecendo ter caído no sono novamente. Ele dormiu direto até a tarde. Quando acordou, o sol entrava forte pelas janelas e os empregados limpavam a casa diligentemente. Ao vê-lo sair do quarto, eles pararam e fizeram uma reverência: — A senhorita acordou.
— Ah... — Arthur, desacostumado com aquilo, esquivou-se da reverência. — Onde está... o Dom Diogo? A empregada ficou chocada ao ouvir alguém chamar o CEO pelo nome. Além disso, ela era a primeira mulher que o patrão trazia para casa, e diziam que ele tinha ficado a noite toda cuidando dela na febre. Com isso em mente, a empregada baixou a cabeça ainda mais: — Sinto muito, não temos permissão para saber o paradeiro do senhor Diogo. — Tá bom, então...
Arthur ainda estava com uma dor de cabeça latente. Ele massageou as têmporas e pegou o celular para ligar para Alice. No momento em que pegou o aparelho, um senhor de terno de gala (o mordomo) aproximou-se: — Senhorita Cristal? Nosso patrão a chama.
Arthur seguiu o mordomo até o escritório particular de Dom Diogo. Alice já o esperava. Ela estava sentada na cadeira de couro, com suas pernas longas cruzadas, balançando uma taça de vinho tinto. Ao ver Arthur entrar, ela levantou o olhar casualmente, virou o vinho de uma vez e assentiu levemente. — Creio que você terá interesse nos documentos sobre a mesa.
O mordomo retirou-se e fechou a porta, deixando os dois a sós. Arthur aproximou-se e folheou os papéis sem demonstrar nenhuma emoção. Alice manteve a pose de "poderosa" por alguns segundos, mas ao ver que Arthur não dava a mínima, ela descruzou as pernas e apoiou o queixo nas mãos. — E então, garota? Gostou do preço que viu no papel?
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