"O Cativeiro do Amor Tóxico" Capítulo 10
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Dante estacou por um momento, sua garganta secou, e ele apenas soltou um breve "Hm" em resposta.
Maya assentiu, compreendendo o silêncio dele. Ela afastou a mão que ele usava para ampará-la e começou a caminhar, cambaleante, para longe.
Ao observar aquela silhueta solitária e desolada, Dante sentiu um gosto amargo na boca.
Maya voltou para a mansão carregando a urna e começou a organizar o funeral. Dante não a impediu. Depois daquele dia, ele pareceu mergulhar em uma rotina exaustiva de trabalho e não voltou a pisar na casa.
A barriga de Maya crescia a cada dia. Ela chegou a acreditar que teria paz até o nascimento do bebê.
Até que, em uma noite tardia, o homem que andava desaparecido atravessou o hall de entrada. Ao vê-lo, Dona Rosa prontamente se aproximou para pegar seu paletó.
— Como ela está? — perguntou Dante, com a voz desprovida de qualquer emoção.
Dona Rosa respondeu formalmente:
— O médico disse que o bebê deve nascer ainda esta semana.
— Então falta pouco.
Ele lançou um olhar sombrio em direção ao quarto de Maya.
— Os preparativos para o funeral estão prontos?
— Tudo certo. Começa depois de amanhã. — Dona Rosa hesitou por alguns segundos antes de continuar. — Mas a Srta. Maya não convidou ninguém. Disse que não tem mais família e que não faria sentido.
— Como ela preferir.
Dante caminhou lentamente até a porta do quarto de Maya. Colocou a mão na maçaneta, mas não fez menção de abrir.
Atrás da porta, Maya prendia a respiração ao ouvir a aproximação dele, sentindo o coração martelar contra as costelas. Após um instante, ouviu o som dos passos se afastando.
— Não diga a ela que estive aqui.
Com a última ordem de Dante, Maya soltou o ar, sentindo um alívio misturado a uma tristeza profunda. Ela ainda não sabia como encará-lo...
No dia do funeral, Maya vestia-se inteiramente de branco. Mesmo com o peso da gravidez, fazia questão de cuidar de cada detalhe. Apoiada por Dona Rosa, ajoelhou-se lentamente sobre uma almofada, chorando amargamente diante da pequena foto de Luan.
— Me perdoa... a tia não conseguiu te proteger.
— Nossa, mas que mau agouro. Dizem que criança que morre cedo não tem luz e não deve receber oferendas.
O som de passos apressados e a voz arrogante de Nara invadiram o ambiente, ecoando nos ouvidos de todos os presentes. Maya virou-se e viu Nara usando um vestido vermelho vibrante, ostentando uma aparência radiante e provocadora.
— Creio que não convidei a Sra. Rocha. Se não veio para prestar condolências sinceras, não suje o meu espaço — disse Maya, com um tom hostil.
— Maya, quem você pensa que é para falar assim comigo?
Nara tirou um exame de ultrassom da bolsa e o jogou no chão, diante dela. Maya leu as palavras e sentiu o mundo girar:
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"Gravidez de três semanas."
— O que vamos fazer agora? A esposa legítima está grávida. O filho de uma amante como você está destinado a ser jogado em um orfanato! Hahaha...
A risada de Nara a deixou tonta. O turbilhão de emoções em seu peito era incontrolável, e uma lágrima caiu sobre o exame.
— E hoje eu ainda trouxe um grande presente para você.
Com um gesto autoritário, Nara ordenou friamente:
— Destruam tudo.
Os seguranças avançaram e começaram a demolir o altar do funeral. Ao redor, ninguém — inclusive Dona Rosa — moveu um dedo para impedi-los.
Maya tentou desesperadamente barrar o caminho deles. Tomada pelo pânico, as lágrimas rolavam sem parar.
— Parem com isso!
Mas ninguém a ouvia. Em segundos, o altar tornou-se um caos. Ela só conseguiu proteger a urna, abraçando-a com todas as suas forças contra o peito. No entanto, um segurança a arrancou de seus braços e a entregou para Nara.
Maya ajoelhou-se no chão, em prantos, implorando desesperadamente:
— Nara! Sra. Rocha! Eu imploro, devolva para mim, por favor!
— Devolver? Se não fosse por esse bastardo, você nunca teria um motivo para perseguir o Dante. Eu nunca vou perdoá-lo!
O olhar de Nara transbordava crueldade, mas sua voz carregava um resquício de amargura.
BUM!
Ela usou toda a força para arremessar a urna contra o chão. A madeira de sândalo se espatifou em mil pedaços.
— Não! Não!
Maya rastejou pelo chão, tentando desesperadamente juntar as cinzas espalhadas com as mãos. Suas lágrimas caíam sobre os restos mortais, formando pequenos torrões cinzentos.
Nara pisou sobre a mão dela, pressionando-a com força contra os estilhaços.
— Você amaldiçoou toda a sua família até a morte. Por que não morre junto com eles?
Maya sentia dor por todo o corpo, especialmente no ventre. Uma dor tão aguda que a impediu de falar. Ao olhar para baixo, percebeu que começara a sangrar.
Nara, ao ver o sofrimento dela, soltou uma gargalhada de satisfação.
— Meu presente foi entregue. Estou indo.
Com as mãos tremendo de dor, Maya continuou recolhendo as cinzas centímetro por centímetro, colocando-as de volta nos restos da urna.
Dona Rosa ligou rapidamente para Dante, mas antes que pudesse falar, Maya tomou o telefone de sua mão.
— Dante, a Nara está grávida. O que vai acontecer com o meu filho?
— Eu cuidarei bem dele, você não precisa se preocupar.
— "Cuidar bem" significa mandá-lo para um orfanato?
— Como você sabe disso? Você foi atrás da Nara para arranjar problema?
Ao ouvir a resposta de Dante, ela fechou os olhos em desespero. Respirou fundo, tentando controlar o tremor na voz.
— Você não merece ser pai...
Houve um silêncio mortal na linha. A paciência de Dante havia se esgotado.
— A Nara já se sente insegura o suficiente. Eu não posso deixar essa criança com você.
A garganta de Maya parecia estar sendo esmagada. Ela sentia que ia sufocar.
Ela o amara tanto uma vez. Mas seu irmão morrera para salvá-lo. Sua única família morrera por causa dele. E agora, ela não podia nem proteger seu próprio filho ou dar a ele um futuro.
Tudo, absolutamente tudo, acontecera porque ela se apaixonara por Dante.
Ela virou o rosto para a janela entreaberta. Sua voz agora soava mansa, preenchida por uma aceitação final.
— Dante, eu não amo mais você.
O coração de Dante apertou, e sua voz carregou um pânico que ele mesmo não percebeu.
— Maya...
Antes que ele pudesse terminar, ela o interrompeu. Do outro lado da linha, ouvia-se apenas o som forte do vento.
— Nós nunca mais nos veremos.
Dante sentiu como se algo vital tivesse sido arrancado de seu peito. Uma ansiedade avassaladora tomou conta dele. Ele não ouviu uma terceira frase de Maya.
Apenas o som ensurdecedor de um impacto contra o solo.
BAQUE!
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