"Renascida das Profundezas: A Vingança de Um Coração Partido" CAPÍTULO 5
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Clara levantou o olhar entorpecido, querendo ver pela última vez aquele homem que um dia amou.
Há um ano, durante uma nevasca rigorosa, ela teve uma febre altíssima e foi colocada em uma ala de isolamento.
Naquela época, nem nove médicos robustos conseguiram segurar Bernardo.
— Não chegue perto, eu vou te contagiar — ela implorava.
Bernardo a apertou contra o peito, balançando a cabeça como uma criança teimosa:
— Não me importa. Se tivermos que morrer, morreremos juntos.
Clara o chamou de idiota repetidas vezes, mas não teve coragem de empurrá-lo.
E agora, Bernardo protegia Letícia, mantendo-se o mais longe possível de Clara, com o rosto estampado de desprezo.
A festa continuava. A aparição de Clara foi tratada como um interlúdio irrelevante.
— Um brinde à minha querida Letícia pelos seus vinte e dois anos! — declarou Bernardo, com um olhar de pura adoração. As pessoas ao redor começaram a instigar:
— Beija! Beija! Beija!
Bernardo pareceu hesitante por um instante, mas Letícia tomou a iniciativa e ficou na ponta dos pés.
A respiração dele acelerou subitamente e, logo em seguida, ele a tomou com um beijo ainda mais intenso.
O salão explodiu em aplausos e vivas.
Clara esboçou um sorriso amargo, sentindo-se indiferente. O coração já estava morto; como poderia sentir dor?
Seu foco agora estava totalmente voltado para o telefone satelital em um canto. Aquele aparelho era a linha direta com a frota de patrulha.
Se conseguisse completar a chamada, ainda haveria salvação e ela poderia levar aqueles piratas malditos à justiça!
Clara respirou fundo e, aproveitando que a atenção de todos estava longe dela, começou a se mover lentamente em direção ao telefone.
Vinte metros. Dez metros. Um metro.
Ela estendeu a mão, mas Letícia foi mais rápida e pegou o aparelho primeiro.
— Irmã, o que faz aqui? O que aconteceu agora há pouco entre eu e o Bernardo foi só uma brincadeira. Dizem por aí que a cunhada é a metade do coração do cunhado, você não vai se importar, vai?
Clara cerrou os punhos com tanta força que as unhas perfuraram a carne, fazendo o sangue brotar. Bernardo disse em tom grave e professoral:
— Clara, hoje é o aniversário da Letícia. Você precisa levar os sentimentos dela em consideração.
— Tudo bem — assentiu Clara, com a voz rouca.
Seus olhos não saíam do telefone satelital. Bernardo, por outro lado, sentiu um estranhamento; ele percebeu que Clara parecia diferente.
— Bê, a Clarinha não tem fobia de mar profundo? Vamos ajudá-la a superar isso. Letícia bateu palmas e um tanque de tubarões foi trazido para o centro. Dentro dele, dois tubarões-brancos famintos nadavam agitados. Sob os gritos de surpresa dos convidados, Letícia jogou o telefone satelital dentro do tanque.
— Irmã, só encarando o medo de frente é que podemos vencê-lo, não acha?
A memória de ter sido despedaçada por tubarões na vida passada inundou a mente de Clara. Ela rangeu os dentes:
— Você quer que eu morra! Bernardo interveio friamente:
— A Letícia está tentando te ajudar a superar sua fraqueza por bondade. Como você pode falar assim dela?
Letícia piscou com um ar de inocência:
— Talvez seja melhor esquecer... é perigoso demais, não quero que nada de ruim aconteça com a minha irmã.
— O que está esperando? — Bernardo pressionou.
— Quer que todos pensem que a Letícia está te perseguindo propositalmente? Desça logo!
Clara sentiu vontade de rir daquele absurdo:
— Bernardo, são tubarões que estão ali dentro! Um breve lampejo de remorso passou pelos olhos de Bernardo, mas ele logo se recompôs:
— São tubarões de exibição, eles não atacam pessoas. Querida, desça e dê apenas uma volta. Eu estou aqui, nada vai te acontecer.
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