"Sob o Sol Proibido: A Vingança do Espectro" Capítulo 12
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Dante o encarou fixamente: — O que você disse?
— Ela não morreu... Alguém a salvou... — O mestre falava de forma incoerente. — Era um homem... por volta dos trinta anos... alto... Ele levou a sombrinha à força...
Os dedos de Dante se fecharam com força: — Você está mentindo para mim.
— É verdade! Eu juro! — O mestre levantou a mão trêmula. — Se eu estiver mentindo, que um raio me parta e eu tenha uma morte terrível!
— Quem era esse homem?
— Eu não sei... Mas ele me perguntou como reviver a Clarice Costa... Eu disse a ele que precisava de um corpo feminino de alguém que partiu voluntariamente... e sangue do coração...
Dante levantou-se lentamente. Ele encarou o mestre por um longo tempo e, de repente, pegou o celular: — Arnaldo, verifique todos os veículos que entraram e saíram do pátio do mestre hoje à tarde. Especialmente carros estranhos ou importados.
Dez minutos depois, o celular tocou. — Chefe, encontramos — disse Arnaldo. — Por volta das duas da tarde, um utilitário preto deixou o local. A placa é clonada, mas o modelo é importado; não existem mais de cinco em toda a cidade.
Dante desligou e voltou-se para o mestre: — Conte tudo o que sabe, sem omitir uma única palavra.
O mestre rastejou até ficar de joelhos: — O homem invadiu de repente... me deu um chute e roubou a sombrinha... Ele conhecia a Clarice, chamou-a pelo nome... e me obrigou a dizer como salvá-la... Tinha cerca de um metro e oitenta, muito magro, usava jaqueta preta... Tinha um olhar feroz... Ah, lembrei! Ele tinha uma cicatriz na base do polegar esquerdo, parecia um corte de faca.
Dante fechou os olhos. Cicatriz na mão... jaqueta preta... alto e magro... Um nome brilhou em sua mente:
Paulo
.
Norte da Europa, porão de uma villa no subúrbio.
Paulo acendeu a última vela. A luz iluminou a plataforma de jade no centro — sobre ela, jazia o corpo de uma jovem mulher. Cabelos loiros longos, feições profundas. Morrera há dezenove horas por overdose de medicamentos devido à depressão.
— Todas as condições coincidem — Paulo disse, olhando para a sombrinha preta sobre a mesa. — Partida voluntária, sem ressentimentos, corpo intacto.
A sombrinha tremeu levemente. Paulo usou uma lâmina esterilizada para cortar a própria pele; o sangue jorrou, pingando em uma tigela de prata. Ele caminhou até a plataforma. A primeira gota caiu entre as sobrancelhas do cadáver. Não houve reação. Paulo continuou. Segunda gota, terceira gota...
O sangue na tigela diminuía, e o rosto de Paulo começava a empalidecer. — Clari — ele sussurrou —, é hora de voltar.
Vigésima sétima gota. Os dedos do corpo tiveram um espasmo súbito. Paulo prendeu a respiração. Trigésima quinta gota. As pálpebras tremeram. Quadragésima terceira gota—
Os olhos, antes cerrados, abriram-se abruptamente! As pupilas eram castanho-claras, diferentes das de Clarice. Mas o olhar... Paulo conhecia bem demais. Confuso, vago, até que gradualmente recuperou o foco e pousou no rosto dele.
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— Paulo...? — A voz era rouca, com um sotaque estranho, mas o tom era o dela.
— Sou eu. — A tigela caiu no chão com um estalo metálico. Paulo cambaleou e segurou-se na plataforma, com o peito ainda sangrando. — Bem-vinda de volta.
Clarice — que agora deveria ser chamada pelo nome daquele corpo, Anna — sentou-se lentamente. Ela olhou para as próprias mãos: longas, claras, com articulações definidas. Tocou o rosto: maçãs do rosto altas, órbitas profundas.
— Eu... — ela começou, estranhando a própria voz. — Eu consegui?
— Conseguiu. — Paulo pressionou uma gaze no ferimento, pálido. — Agora você é Anna Coleman, vinte e quatro anos, descendente de chineses com cidadania norueguesa, órfã, vivia sozinha. Ontem à tarde cometeu suicídio, sem sucesso nos primeiros socorros — essas informações já constam no sistema.
Clarice ficou em silêncio por muito tempo. Então, de repente, começou a rir. Enquanto ria, as lágrimas caíram. — Eu posso... tocar a luz do sol? — perguntou, com a voz trêmula.
Paulo caminhou até a janela e abriu as pesadas cortinas blecaute. A luz do sol do meio-dia inundou o quarto. Clarice instintivamente cobriu os olhos com as mãos — mas, no segundo seguinte, paralisou.
Sem sensação de queimação. Sem fumaça. Sem a dor excruciante de uma alma se dissipando. Apenas... calor. Ela baixou as mãos lentamente, observando a luz pousar sobre sua pele. Uma temperatura real, de quem está viva.
Ela desceu da cama descalça, cambaleou até a janela e, então, abriu-a. Parada ali, inclinou a cabeça para trás e fechou os olhos. Pela primeira vez em mais de vinte anos, sentiu o sol no rosto. Ficou assim por muito tempo, até que Paulo colocou um casaco sobre seus ombros:
— Cuidado para não resfriar. Este corpo acabou de reviver, a imunidade ainda é baixa.
Clarice virou-se, olhando para a gaze ensanguentada no peito dele. — O seu ferimento... — Não é nada — Paulo acenou com a mão. — E você, como se sente? Algum desconforto?
Clarice balançou a cabeça negativamente. Ela foi até o espelho e encarou aquele rosto completamente desconhecido.
— Leva tempo para se adaptar — disse Paulo, parando atrás dela. — Mas, pelo menos, você está viva.
— Obrigada. Se não fosse por você... — Não diga isso — ele a interrompeu. — A questão agora é: o que você pretende fazer daqui para frente?
Clarice silenciou. Pretender? Ela nunca imaginara que sobreviveria, muito menos o que faria depois.
— Venha trabalhar comigo — sugeriu Paulo. — Tenho uma empresa em Oslo, lidamos com comércio internacional. Estou precisando de uma diretora de operações. Você geria as empresas da sua família com maestria em Jiangcheng; isso será moleza para você.
— Eu... — Use isso para arejar a cabeça — Paulo a olhou com carinho. — Adapte-se a esta nova identidade, a este novo mundo. O resto, decidimos depois.
Clarice olhou para a neve que caía lá fora e, finalmente, assentiu.
Seis meses depois.
Centro de Oslo, escritório em um andar alto.
Clarice — agora chamada de Anna por todos na empresa — estava diante da janela de vidro, observando a multidão nas ruas abaixo. Já se acostumara com aquele rosto, aquele nome, aquela vida. Paulo lhe dera um passaporte e um currículo novos. Ela passara três meses estudando norueguês e dois meses conhecendo o negócio; agora, era a diretora mais eficiente da companhia.
— Diretora Anna, — a secretária bateu à porta — os materiais para a reunião com os clientes alemães estão prontos. — Deixe na mesa. — Clarice virou-se e pegou seu casaco.
Ela desceu pelo elevador e saiu do prédio. Ao passar por uma cafeteria, parou por um instante. O reflexo na vitrine mostrava uma mulher decidida, moderna e estrangeira, mas, no fundo de seu olhar, ainda restava uma sombra persistente.
Ela encarou aquele reflexo por um longo tempo. Depois, continuou a caminhar.
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