"Sob o Sol Proibido: A Vingança do Espectro" Capítulo 10
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Uma figura alta e esguia tornou-se nítida. O homem, de aproximadamente trinta anos, vestia uma jaqueta preta simples. Ele segurava a sombrinha com uma mão, enquanto a outra pendia ao lado do corpo. O objeto tremia levemente em seu punho.
— Paulo... — A voz frágil de Clarice ecoou de dentro da sombrinha.
Paulo — o amigo de infância de Clarice, a última pessoa com quem ela entrara em contato antes do acidente. Ele baixou o olhar para a sombrinha, e sua expressão suavizou-se por um breve instante.
— Você está bem? — ele perguntou em voz baixa. A estrutura da sombrinha moveu-se suavemente em resposta.
Paulo então voltou sua atenção para o mestre: — O que você pretendia fazer com ela?
A cor sumiu do rosto do mestre: — Senhor, este é um pátio particular...
Antes que pudesse terminar, Paulo desferiu um chute violento em seu abdômen. O mestre soltou um gemido abafado e caiu, encolhendo-se de dor. Paulo aproximou-se, olhando-o de cima:
— Quem te mandou fazer isso?
O mestre cerrou os dentes em silêncio. Paulo agachou-se, agarrando-o pelo colarinho: — Não tenho paciência. Fale.
— ...A Senhorita Bia — o mestre finalmente cedeu. — Ela me mandou... fazer com que a alma na sombrinha desaparecesse por completo.
O olhar de Paulo tornou-se ainda mais frio: — Como?
— Exposição solar... somada a um talismã de dispersão de almas — o mestre ofegava. — É o método mais rápido...
— E no estado em que ela está agora, — Paulo ergueu a sombrinha — ainda há salvação?
O mestre silenciou. Paulo apertou o aperto no colarinho: — Fale.
— Tem... tem um jeito! — o mestre disse apressadamente. — Mas você precisa prometer que me deixará ir...
— Você não está em posição de negociar — Paulo o interrompeu. — Diga o método e eu não te mato. Do contrário, eu te mando para o inferno agora mesmo.
Pálido, o mestre finalmente capitulou: — Encontre... encontre um corpo feminino que tenha morrido nas últimas vinte e quatro horas... A falecida deve ter partido por vontade própria, sem ressentimentos... Então, conduza a alma para dentro...
— Como se conduz?
— É necessário... sangue do coração — o mestre tremia. — Deve ser pingado entre as sobrancelhas do corpo... até que ela desperte.
Ele fez uma pausa: — E uma vez bem-sucedido, a alma se fundirá completamente ao novo corpo... A partir daí, ela não temerá a luz solar e será como uma pessoa normal.
Paulo o encarou fixamente: — Quanto tempo ela ainda aguenta?
— No máximo... pouco mais de quarenta horas — o mestre sussurrou.
Pouco mais de quarenta horas. Paulo levantou-se, segurando a sombrinha com firmeza: — Fique tranquila. Em quarenta horas, eu encontrarei um corpo.
Ele olhou para o mestre: — Quer que eu acabe com ele?
A sombrinha balançou levemente de um lado para o outro.
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— Não precisa — a voz de Clarice flutuou da sombrinha, ainda debilitada. — Deixe-o vivo. Mas você terá que dizer ao Dante... que eu morri. Que a alma se dispersou e não há mais volta. Se você fizer isso, eu te liberto.
O mestre assentiu freneticamente: — Eu direi! Eu prometo dizer!
— Se o Dante desconfiar — a voz de Clarice tornou-se ainda mais fria —, ou se você deixar vazar a menor informação... o Paulo virá atrás de você. E você sabe do que ele é capaz.
Suor frio brotou na testa do mestre: — Eu entendo... eu entendo...
Paulo lançou-lhe um último olhar, virou-se com a sombrinha nos braços e deixou o pátio rapidamente.
Enquanto isso, em uma fábrica abandonada no subúrbio, Dante estava parado diante de uma van preta. Seus homens abriram a porta traseira, revelando o corpo de uma mulher. Jovem, aparentando vinte e seis anos, de feições serenas. Morrera há menos de vinte horas por overdose de soníferos — suicídio, segundo os registros policiais.
— E a família? — Dante perguntou. — Tudo resolvido — o subordinado respondeu em voz baixa.
Dante inclinou-se, examinando o corpo detalhadamente. — Ela partiu por vontade própria? — Sim. A carta de despedida era clara... estava cansada da vida, queria libertação. Isso deve cumprir as condições do mestre.
Dante permaneceu em silêncio por um longo tempo. Por fim, ele se empertigou: — Coloquem no carro. Vamos para o pátio do mestre.
A van seguiu para os subúrbios. Dante, no banco do passageiro, observava os ponteiros do relógio avançarem — faltava menos de meia hora para o limite das quarenta e oito horas. Finalmente, o carro parou diante do pátio. Dante desceu apressado, seguido pelos homens que carregavam o corpo.
O Mestre Santos estava sentado em um banco de pedra. Ao vê-los, levantou-se lentamente.
— Mestre, — Dante caminhou rápido até ele — encontramos a pessoa. Comece agora...
— Não é mais necessário — o mestre o interrompeu.
Dante paralisou: — O quê?
O mestre olhou para ele com a voz monótona: — A alma dela... já se dispersou.
O tempo pareceu estacar. Dante encarou o mestre, seus lábios se moveram, mas nenhum som saiu. Levou um longo tempo até que ele recuperasse a voz: — O que... você disse?
— Há cerca de uma hora — o mestre baixou os olhos. — A alma se dissipou completamente. Não há mais volta.
— Impossível... — Dante recuou um passo. — Você disse quarenta e oito horas! Só se passaram... quarenta e seis!
— A alma dela sofreu danos demais — o mestre disse em voz baixa. — Os açoites, a exposição ao sol... e o trauma da extração forçada do corpo... Ela era mais frágil do que prevíamos.
Dante agarrou o colarinho do mestre, com os olhos injetados de sangue: — Você está mentindo! Você disse que ela aguentaria quarenta e oito horas!
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— Aquilo era em condições ideais — o mestre permitiu ser sacudido, mantendo o tom sem oscilações. — Mas você se esqueceu? Você mesmo a chicoteou com sangue de cão preto, deixou que ela queimasse sob o sol e a fez beber veneno... Cada ato consumiu a força vital da alma dela.
Os dedos de Dante tremiam violentamente.
— A extração final da alma... foi o golpe de misericórdia — o mestre continuou. — Ela ter resistido até agora já foi um milagre.
Dante soltou o aperto. Cambaleou para trás, colidindo com uma mesa de pedra. Próximo à van, os subordinados se entreolharam, sem ousar emitir um som.
— Ela... — Dante tentou falar. — Quando ela partiu... ela sofreu?
O mestre silenciou por um instante: — A dispersão de uma alma é como uma vela que termina de queimar... não há dor, apenas... o vazio.
Dante fechou os olhos. Após um longo silêncio, ele se virou e caminhou passo a passo para fora do pátio.
— Chefe, e este corpo?... — um subordinado perguntou. — Livrem-se dele. Enterrem em qualquer lugar — Dante respondeu sem olhar para trás.
Ele entrou no carro e deu a partida. Ao retornar à mansão, o dia já escurecia. Ele abriu a porta; a sala estava às escuras. Apenas um feixe de luz escapava da fresta da porta do quarto no segundo andar, acompanhado de sussurros.
— ...Como está o andamento das coisas?
Era a voz de Beatriz, em tom muito baixo. Dante parou do lado de fora.
— Aquela mulher morreu? A alma já se dispersou?
A mão de Dante, que estava na maçaneta, congelou. Dentro do quarto, Beatriz falava ao telefone com uma voz carregada de satisfação:
— Tem certeza de que limpou tudo? Não deixe rastros. O dinheiro já foi depositado na sua conta. Lembre-se, este assunto deve morrer com você.
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