"Sob o Sol Proibido: A Vingança do Espectro" Capítulo 3
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Quando Clarice abriu os olhos novamente, estava na cama da mansão. Dante vigiava ao lado da cama e, ao vê-la despertar, segurou imediatamente sua mão.
— Clari, me perdoe... Ontem, no rio, não foi por mal que não te salvei primeiro. É que a Bia está grávida, seriam duas vidas perdidas de uma vez!
Clarice recolheu a mão.
— Duas vidas — ela repetiu as palavras, com a voz assustadoramente calma. — E então?
Dante levantou a cabeça, com os olhos injetados de sangue.
— Eu não tive escolha. Entenda o meu lado...
— Eu entendo perfeitamente.
Clarice o interrompeu, com o canto dos lábios esboçando um sorriso irônico. Sua voz era suave.
— Afinal, eu já não sou humana nem fantasma, não sou diferente de um cadáver. Salvar os vivos é muito mais importante do que salvar alguém semi-morta como eu, não é?
— Não fale assim! — Os olhos de Dante avermelharam-se e ele agarrou a mão dela com força. — Você sabe o quanto me sacrifiquei por você nestes três anos! Como eu poderia não me importar com você?
Clarice olhou para os olhos dele, para aquele rosto que um dia a fizera se apaixonar, e sentiu um cansaço repentino.
— Estou cansada — ela virou as costas. — Quero ficar sozinha.
Dante permaneceu parado ao lado da cama por um longo tempo. Por fim, ele se levantou e fechou a porta com cuidado. Assim que a porta se fechou, Clarice pegou o celular escondido sob o travesseiro e discou um número que não contatava há muito tempo.
— Daqui a sete dias, você pode vir me buscar? — ela disse.
Pouco depois de desligar, a porta se abriu novamente. Era Beatriz.
— Vamos conversar? — Ela entrou e trancou a porta. Clarice a ignorou. — Você deve achar que eu sou a outra, não é? — Beatriz sentou-se na beira da cama. — Na verdade, você está enganada, Clarice. Você é quem chegou depois.
Os dedos de Clarice se contraíram.
— O que quer dizer com isso?
— Há cinco anos, Dante e eu já estávamos juntos. Naquela época, ele tinha acabado de se tornar o principal lutador da organização, e eu fiquei gravemente doente. Precisava de uma cirurgia com um custo astronômico. Ele implorou ao seu pai por um empréstimo. Seu pai disse: "Tudo bem, mas você terá que se casar com a minha filha".
— E então você concordou? — perguntou Clarice.
— Eu tive escolha? — Lágrimas caíram dos olhos de Beatriz. — Naquela época eu estava no hospital, e o médico disse que se eu não fizesse a cirurgia, não passaria de três meses. Dante se ajoelhou diante do seu pai e aceitou todas as condições.
Clarice sentiu um vazio no peito.
— Se o que você diz é verdade — ela ouviu a própria voz dizer —, daqui a sete dias, quando eu voltar à vida, eu irei embora.
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Beatriz levantou-se: — É bom que se lembre do que prometeu.
No dia seguinte, Dante entrou no quarto entusiasmado.
— Clari, organizei um evento de caridade. O mestre disse que isso ajudará no seu renascimento... Você gostaria de ir?
Clarice olhou para a expectativa nos olhos dele e assentiu. O evento ocorreu no hotel mais luxuoso de Jiangcheng. Clarice, segurando seu guarda-chuva preto, seguia ao lado de Dante. Beatriz usava um vestido de gala que já deixava o ventre bem evidente.
Logo, um jovem herdeiro se aproximou para flertar. Ele colocou a mão na cintura de Beatriz, e os dois conversavam e riam, tornando-se cada vez mais íntimos. Os nós dos dedos de Dante, que segurava uma taça de vinho, ficaram brancos, mas ele não ousou explodir — temia que Clarice percebesse.
Clarice viu tudo. De repente, achou aquilo ridículo.
— Venha comigo — Dante agarrou a mão dela e a arrastou para uma sala de descanso. A porta foi trancada.
— O que você está fazen...
Antes que pudesse terminar, Dante baixou a cabeça e selou os lábios dela em um beijo cheio de violência e possessividade.
— Dante, me solte!
Clarice lutou. Mas a força dele era excessiva, os movimentos brutos, sem um pingo de ternura. Quando Dante a pressionou contra a cama, Clarice arqueou o corpo de dor, e as lágrimas correram sem controle. Aquilo não era amor; era um insulto.
Clarice fechou os olhos e, naquele instante, sua alma desgarrou-se do corpo e infiltrou-se no guarda-chuva preto no canto da sala. Dante logo percebeu que a pessoa sob ele não reagia mais.
— Clari? — Ele se levantou e viu o guarda-chuva tremendo levemente. — Você entrou no guarda-chuva? Saia daí!
O objeto não se moveu.
— Só porque sua amante estava falando com outro, você ficou com ciúmes e decidiu descontar em mim? — A voz de Clarice veio de dentro do guarda-chuva, carregada de deboche.
A expressão de Dante mudou. — Ela não é minha amante!
Clarice o interrompeu: — Não é sua amante? Então de quem é o filho que ela carrega? Eu já sei de tudo sobre o passado de vocês. Daqui a sete dias eu vou embora, e vocês poderão ficar juntos em paz.
— Clari, acredite em mim! O bebê foi um acidente!
— Eu não tolero traição — disse Clarice, pausadamente. — Não aceito homem que já foi usado por outra. É sujo.
Os olhos de Dante ficaram vermelhos instantaneamente. — Depois de como te tratei nesses três anos... é assim que você me vê?
Ele encarou o guarda-chuva, e seu olhar de dor transformou-se gradualmente em algo sombrio e frio.
— Vou perguntar pela última vez — sua voz era gélida como gelo. — Vai voltar para o corpo ou não?
— Não!
Dante não disse mais nada. Ele caminhou até o guarda-chuva, tirou um talismã amarelo e o colou na estrutura. O guarda-chuva estremeceu.
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— Este é o Selo de Aprisionamento de Almas. Quando você admitir que está errada, eu te solto.
Ele saiu batendo a porta. Através das frestas do guarda-chuva, Clarice viu Dante entrar no salão de festas, afastar brutalmente o homem que estava com Beatriz e puxá-la para trás de si.
Momentos depois, um homem embriagado entrou cambaleando na sala de descanso. — Ora... temos uma beldade escondida aqui? — Ele viu o corpo de Clarice na cama e seus olhos brilharam.
Clarice gritou de dentro do guarda-chuva: "Saia daqui!", mas nenhum som saía. Ela lutou desesperadamente, fazendo o guarda-chuva rolar pelo chão, mas o talismã a mantinha presa. Ela assistiu, impotente, a tudo acontecer.
Algum tempo depois, a porta se abriu novamente. Dante e Beatriz voltaram. Ao ver Clarice na cama, com as roupas em desalinho e marcas pelo corpo, Dante paralisou.
— Aquele bêbado de agora há pouco... — Beatriz cobriu a boca com a mão. — Acho que o vi saindo deste quarto...
— Quem fez isso?! — Dante rugiu e saiu furioso.
Logo, sons de gritos e espancamento vieram de fora. Quando Dante voltou, suas mãos estavam manchadas de sangue. Ele rasgou o talismã do guarda-chuva com as mãos trêmulas. A alma de Clarice disparou para fora e voltou ao corpo. Dor, humilhação e nojo a atingiram instantaneamente.
— Clari, me perdoe, eu não sabia... — Dante tentou abraçá-la.
— Suma — a voz de Clarice era um sussurro.
— Clari...
— Leve sua amante — ela olhou para ele, e não havia mais nada em seus olhos. — E saia deste quarto.
Dante congelou no lugar.
— Eu mandei você sair! — Clarice gritou.
Beatriz puxou suavemente a manga de Dante. Ele lançou um último olhar para Clarice e, finalmente, virou-se, saindo do quarto abraçado a Beatriz.
A porta se fechou. Clarice encolheu-se na cama e, por muito tempo, não se moveu.
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