"A Promessa Esquecida: Quando a Memória Apaga o Amor" Capítulo 2
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— Jamais — Lucas a encarou com uma frieza absoluta que transparecia em seu olhar. — Não pense que sou ingênuo, Liana. Eu sei muito bem que, na época do colégio, você praticava bullying contra a Yasmin. Exigir que você doe sangue agora é apenas uma oportunidade para você se redimir pelos seus erros passados. Não seja mal-agradecida.
— Eu? Praticar bullying contra ela? Foi ela quem te disse isso? E você... você simplesmente acreditou?!
Liana sentiu um tremor percorrer seu corpo, a palidez do rosto sendo substituída por uma mancha de indignação e revolta.
No ensino médio, fora Yasmin quem, por puro desprezo pela origem humilde de Liana, incitara os colegas a isolá-la. Foram calúnias de roubo, boatos cruéis sobre sua moral, uma perseguição implacável que quase a fez desistir de tudo. Naquela época, para não sobrecarregar Lucas com mais problemas, ela engoliu o choro e suportou tudo em silêncio.
E agora, após colocar a própria saúde em risco por consideração a ele, ela era rotulada como a agressora?
— E eu deveria acreditar em quem? Na minha futura esposa ou em você? — Lucas advertiu com o rosto rígido. — Vou te avisar uma única vez: enquanto eu estiver por perto, você não vai mais encostar um dedo nela como fazia antes!
Uma onda de tontura atingiu Liana, fruto de uma decepção profunda. O homem que antes fora sua única luz, seu porto seguro, agora era a lâmina mais afiada voltada contra o seu peito. Quando alguém decide fechar o coração e tomar um lado, qualquer explicação se torna um ruído desnecessário.
Ela se lembrou de quando Yasmin mentiu, dizendo que Liana a empurrara em uma piscina; Lucas não quis ouvir sua versão e a esbofeteou em público, sem um pingo de remorso. Ou quando Yasmin fingiu uma crise alérgica por causa de mangas, e Lucas, furioso, jogou o bolo que Liana preparara contra o corpo dela, exigindo que ela pedisse perdão de joelhos.
Ele nunca soube que ela só fizera aquele bolo porque era o favorito dele.
Desde que ele perdera a memória, Liana tentara inúmeras vezes dizer que, após a morte dos pais, a relação deles se tornara profunda e inseparável. Mas ele descartava cada palavra dela como se fossem mentiras deslavadas.
— Não faça essa cara de vítima, como se eu estivesse te perseguindo — Lucas disse, demonstrando uma impaciência crescente. — No fim das contas, eu sou seu irmão mais velho. Se eu mando você fazer algo, você faz.
Liana soltou uma risada amarga, que ecoou vazia pelo corredor. — Depois de tudo o que você está fazendo comigo... você realmente acha que ainda tem o direito de se chamar meu irmão?
— Eu não tenho o direito? — Ele soltou um riso de escárnio. — Liana, não bastasse minha família ter te sustentado por todos esses anos, você tem ideia do fardo que foi para mim? Quando meus pais morreram, se não fosse por você, essa "âncora" na minha vida, eu jamais teria largado a faculdade para ir trabalhar no pesado!
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— Você tem noção de como os meus haters me atacam na internet até hoje, ridicularizando minha falta de diploma? Você sabe o quanto isso me custa?
Liana paralisou, pressionando o curativo no braço. Um nó amargo subiu por sua garganta. Ele tinha razão em uma parte: quando os pais dele faleceram, ela ainda era menor de idade. Se não fosse por Lucas, ela talvez não tivesse sobrevivido àquele inverno rigoroso.
Mas o Lucas que ela conhecia jamais a chamaria de "fardo".
Quando foram despejados, ela quis largar a escola para trabalhar, mas ninguém a aceitava pela idade. Então, passou uma semana inteira revirando lixo, coletando papelão e latinhas para conseguir alguns centavos. Quando Lucas descobriu, eles tiveram a pior briga de suas vidas.
Ele chutou todo o material que ela havia coletado com tanto esforço e, com o rosto transtornado, exigiu saber por que ela estava matando aula.
— Eu não quero ir! — ela gritou com os olhos transbordando lágrimas. — Não temos o que comer, Lucas! Eu não quero ser um peso morto na sua vida!
Ela tinha um pavor mortal de atrasá-lo, de ser o motivo do seu fracasso. Temia que, em uma discussão futura, a única pessoa em quem confiava disparasse a frase:
"Se não fosse por você..."
Naquela noite, o Lucas do passado ficou em silêncio por muito tempo. Depois, ele recolheu cada pedaço de papelão espalhado, limpou a bagunça e insistiu que ela continuasse estudando. No jantar, a tigela de sopa rala dela ganhou um ovo frito, um luxo para os dois na época.
Ele disse:
"Você nunca será um peso."
Dez anos depois, ele finalmente jogava aquele peso sobre ela.
Liana baixou a cabeça, escondendo a expressão, enquanto seus punhos cerrados tremiam violentamente. Por fim, ela respirou fundo, forçando as lágrimas de volta para o esconderijo de sua alma. — O que eu te devo... eu vou pagar. Cada centavo, cada sacrifício.
— Ótimo — Lucas desdenhou com um sorriso frio, sem perceber o leve embargo na voz dela. — Já que você se sente tão independente agora, eu também não pretendo mais me envolver...
Algo lampejou em sua mente por um breve segundo, e ele travou. Ele queria dizer que não se importava mais com ela, mas sentiu um aperto súbito no peito, como se uma pedra pesada estivesse bloqueando sua respiração, impedindo as palavras de saírem.
Liana sabia o que ele ia dizer. Mas ela também lembrava que, um dia, ele prometera cuidar dela para sempre.
Houve uma vez em que ela ficou até tarde na casa de uma colega para um aniversário. Lucas apareceu lá no meio da noite, furioso, e a levou para casa quase arrastada, proibindo-a de dormir fora. Quando ela reclamou de sua superproteção, ele apertou suas bochechas com um sorriso possessivo e protetor.
"Acha que cresceu e não precisa mais de mim, é? Pois tire o cavalinho da chuva! Enquanto eu estiver aqui, eu mando em você. Suas asas não vão crescer tanto assim enquanto eu puder evitar."
Tudo agora era apenas poeira.
Lucas não teve tempo para processar o desconforto em seu peito, pois a porta da sala de cirurgia se abriu e Yasmin foi trazida para fora. Graças à transfusão, mesmo com uma hemorragia inesperada, a cirurgia fora um sucesso absoluto.
Ao ouvir a notícia, o homem que raramente demonstrava fraqueza chorou de alívio, agradecendo aos médicos repetidamente. Ele correu para o lado de Yasmin, sussurrando promessas e palavras doces, mesmo que ela ainda estivesse sob o efeito da anestesia.
Ele estava tão focado em seu novo amor que não percebeu quando, poucos segundos depois, Liana desabou no chão do corredor, como uma boneca cujos fios foram cortados de repente.
Desta vez, ele nem sequer olhou para trás.
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