"Ela Não é Mais a Mesma: A Vingança Silenciosa da Ex-Mulher" Capítulo 7
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Seria aquela uma escolha que um ser humano faria? Ricardo sempre encontrava um jeito de superar os próprios limites de crueldade.
— Pelo visto, você não tem nenhum reforço — debochou o agressor, vitorioso.
Clarice enfiou a mão no bolso, pegou as chaves e as cravou diretamente no olho do homem. Ele soltou um grito agonizante e desferiu um soco contra ela. Os dois se atracaram; Clarice recebeu vários golpes pesados, mas, aproveitando uma brecha, chutou-o com força entre as pernas. Enquanto ele rolava de dor no chão, ela pegou o celular dele e ligou para a polícia.
Quando os policiais chegaram para averiguar a situação, Clarice não resistiu e perguntou: — Por acaso receberam algum chamado de emergência deste local agora pouco?
O policial respondeu naturalmente: — Nenhum.
Clarice soltou um riso amargo. Ricardo nem sequer se dera ao trabalho de chamar a polícia.
Após registrar a ocorrência na delegacia, ela foi ao hospital para tratar os ferimentos. Os médicos ficaram impressionados com a resistência dela diante de golpes tão violentos. Ela apenas sorriu e permaneceu em silêncio. O que eram aquelas feridas perto dos ataques psicológicos muito mais pesados que ela já estava acostumada a suportar?
Quando tudo foi resolvido, já eram três da manhã. Clarice arrastou seu corpo exausto para casa. O apartamento estava mergulhado em um silêncio sepulcral, sem qualquer sinal de vida. Ela desabou no sofá, sem ânimo para mais nada.
Não soube quanto tempo se passou até ouvir o som da porta se abrindo.
Click.
A luz foi acesa subitamente, fazendo Clarice apertar os olhos pela claridade. Protegendo o rosto com a mão, ela viu Ricardo e Luan entrarem.
— Sabia! Só está fazendo cena para assediar meu pai — resmungou Luan, com sua habitual grosseria.
Clarice não tinha forças para educá-lo. Fechou os olhos, ignorando pai e filho, e disse baixinho: — Se vieram buscar algo, peguem logo. Só quero descansar em paz.
Ricardo olhou para ela. Ela estava coberta de hematomas, com o rosto inchado e várias unhas quebradas, mas não dizia uma palavra. O olhar que ela lhe dirigia era de puro cansaço, sem qualquer vontade de desabafar ou buscar consolo. Ele deveria ser o seu porto seguro, mas não era.
Ao ouvir Luan xingando, sem demonstrar a mínima preocupação com o estado da mãe, Ricardo sentiu um calafrio. Como o próprio filho pudera se tornar alguém tão frio?
Após um longo silêncio, Clarice abriu os olhos e perguntou: — Você quer que eu te peça desculpas? Por ter estragado o seu encontro? Tudo bem, eu peço desculpas.
Ela só queria terminar logo com aquela interação para poder apagar. Ricardo apenas disse a Luan: — Vá para o quarto dormir. — E saiu de casa.
Clarice não sabia o que ele ia fazer, nem se importava. Meia hora depois, a porta se abriu novamente. Ricardo entrou trazendo uma sacola cheia de remédios. Ele se ajoelhou ao lado dela e começou a preparar o antisséptico e os cotonetes. O barulho fez Clarice abrir os olhos mais uma vez.
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— O que está fazendo? Eu já tratei os ferimentos no hospital. Qual o sentido desse teatrinho agora?
Ricardo franziu a testa, visivelmente irritado: — Eu tento cuidar de você e ainda sou xingado? Clarice, você gosta de ser maltratada, não é? Só se sente bem quando te tratam mal?
Clarice soltou um riso irônico: — Então você admite que me trata mal?
O homem emudeceu. O clima de "marido atencioso" evaporou instantaneamente. Ele jogou os remédios sobre a mesa e levantou-se, olhando-a de cima para baixo: — Eu te avisei para não ir àquele tipo de lugar. Você não ouviu, procurou sarna para se coçar. Bem feito.
Bem feito?
Clarice pensou que Ricardo era realmente mestre em encontrar o único pedaço intacto em seu corpo ferido para cravar mais uma faca. Sem vontade de discutir, ela apenas o encarou e perguntou: — E onde foi que você e a Melissa se reencontraram?
Se não se enganava, a própria Melissa dissera que fora em um bar. Sem esperar pela reação dele, Clarice puxou a manta e cobriu a cabeça. Ela estava exausta. Realmente exausta. Por que tinha que passar por tudo aquilo? Faltavam apenas quinze dias, mas parecia que não suportaria mais nem uma hora.
Vagamente, ouviu o celular de Ricardo tocar várias vezes, mas ele não atendeu. Momentos depois, ouviu Luan abrir a porta do quarto e correr até o pai, dizendo sem qualquer pudor: — A tia Mel está te procurando.
Meia hora depois, Ricardo e Luan saíram de casa. Já era madrugada profunda. Clarice só conseguiu relaxar e dormir depois que eles partiram. Quando acordou, já havia escurecido novamente.
Ela se levantou com o corpo todo dolorido. Durante todos esses dias, Ricardo nem sequer perguntou sobre o celular dela. Se ele tivesse tentado ligar uma única vez, saberia que ela estava incomunicável.
Apoiando-se no sofá, ela saiu para comprar algo para comer no andar de baixo. Assim que chegou à rua, viu Ricardo e Melissa em uma esquina, conversando carinhosamente. No mesmo instante, um vulto passou por ela.
Antes que pudesse reagir, sentiu uma dor aguda no abdômen. Clarice baixou o olhar e viu o sangue jorrando. Ela levantou a cabeça, atordoada.
Ao longe, Melissa soltou um grito agudo e agarrou o braço de Ricardo com força: — Ricardo, que medo!
O agressor, assustado pelo grito, em pânico, golpeou Clarice mais uma vez antes de fugir apressadamente. Clarice começou a desfalecer, caindo lentamente no chão, enquanto via, ao longe, Ricardo ainda protegendo Melissa em seus braços...
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