"O Preço da Traição: Uma Nova Chance na Vida" Capítulo 18
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PAFT!
Beatriz Farias desferiu um tapa sonoro no rosto de Augusto Amaral.
Augusto estacou, chocado. Ele jamais imaginaria que aquela mulher, outrora suave como a água e totalmente submissa, ousaria levantar a mão contra ele!
"Você... você me bateu?!"
Ele tinha acabado de "pedir desculpas"! Na cabeça dele, isso deveria ser o suficiente.
Beatriz soltou um riso gélido e desferiu outro tapa, ainda mais forte.
"Bati e bateria de novo! Você é um resquício de um passado colonial e corrupto! Nossos líderes dizem que as mulheres sustentam metade do céu! É assim que você respeita os ideais da nossa nação? Desprezando as mulheres, com esse machismo tóxico, tentando nos escravizar? Você tem muita audácia, Augusto Amaral!"
"Você é uma relíquia do feudalismo, não aprendeu absolutamente nada com os novos tempos! Seus colegas deveriam ter vergonha de você!"
"Vá embora agora! Eu jamais voltarei com você, tire esse cavalinho da chuva! E quanto ao menino..."
Beatriz olhou para Thiago, que a encarava com um misto de raiva e confusão por ela ter batido em seu pai.
Sentiu um aperto no peito, mas o reprimiu no mesmo instante. Os dois rostos, o do pai e o do filho, tornavam-se cada vez mais parecidos com o passar do tempo. A mesma expressão de prepotência, o mesmo olhar que a causava repulsa. Cada segundo a mais olhando para eles fazia as memórias humilhantes da vida passada virem à tona.
Beatriz engoliu o desejo de vomitar. "Essa criança pertence à família Amaral. O que ela tem a ver comigo?!"
"Não se esqueça de que foi ele quem, diante de todo o condomínio militar, gritou que eu não era a mãe dele. E agora? O que houve? Ficou sem empregada em casa e resolveu se lembrar de mim? Augusto, por acaso você acha que eu sou algum tipo de lixo descartável?"
Augusto empalideceu. "Eu admito... foi erro meu. Eu vou esclarecer tudo! Eu... eu... foi um momento de desespero."
Suas explicações soavam vazias e patéticas.
Beatriz riu com escárnio. "Chega, Augusto. Não gaste seu fôlego. Volte para o seu vilarejo, cuide da sua mãe e do seu filho. Eu não tenho mais nenhuma ligação com você, nem no passado, nem no presente e muito menos no futuro!"
Augusto não aceitava a derrota. "Você é minha esposa por direito! Você tem que vir comigo!"
Os olhos de Beatriz ficaram vermelhos, e sua voz soava cada vez mais rouca pela emoção: "Voltar para quê? Para limpar a sua sujeira? Para cuidar de uma velha que me usa como saco de pancadas enquanto eu não recebo um centavo por isso?"
Enquanto falava, ela percebeu que estava deixando a mágoa transparecer. Rapidamente, engoliu o choro, limpou as lágrimas e recusou-se a mostrar fraqueza.
Ela apertou os lábios com firmeza: "Eu entendo que você não sabe viver sozinho, mas escute bem, Augusto: faz três anos. Três anos sem a sombra da família Amaral, e eu vivi maravilhosamente bem, como nunca imaginei ser possível."
"Não sei o que te deu na telha para vir me procurar depois de tanto tempo, mas vou deixar bem claro: eu não te amo, não sinto nada por você e não quero qualquer envolvimento. Se você ainda tiver um pingo de humanidade, dê o fora!"
Augusto, porém, soltou uma risada debochada. Ele percorreu o corpo de Beatriz com o olhar, notando suas vestes simples e funcionais de assistente, e não acreditou em uma palavra do que ela disse.
"Viveu maravilhosamente bem? Não me faça rir. Passar três anos sendo uma reles assistente é viver bem?"
"Eu posso te dar uma vida de rainha, você nem precisaria trabalhar. Por que quer se desgastar tanto?"
Enquanto falava, ele fez questão de ajustar a manga da camisa, exibindo um relógio de pulso que parecia valer uma fortuna.
"A economia está mudando, eu posso te transformar em uma dama da alta sociedade. Se me rejeitar hoje, vai se arrepender amanhã!"
Ele suavizou o tom novamente, tentando ser manipulador: "Bia, eu realmente me arrependi. Venha comigo... qualquer coisa é melhor do que ser tratada como um cão de escritório por esses burocratas!"
Subitamente, a porta foi aberta com força e alguém entrou na sala.
"Quem você pensa que está chamando de cão? Este é o Ministério da Cultura, um órgão do Governo. Meça suas palavras!"
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