"Amor de Infância, Destino de Adulto-Gabriel Martinelli" Capítulo 48
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Point of View Of Ana Gabriela
Dois meses depois…
Eu e Gabriel continuávamos com um caso complicado, mas agora eu me sentia muito mais à vontade ao lado dele. Nossa relação não tinha rótulos, era só a gente.
Minha rotina era praticamente imutável: Arsenal, terapia, faculdade e Gabriel. Eu gostava disso, mas há uma semana tomei uma decisão importante: fechar um capítulo da minha vida, Higor.
Decidi que precisava ir ao Brasil conversar com ele pessoalmente, para dar um fim de vez a qualquer sentimento que ainda nutria. Meu psicólogo disse que mensagens não eram suficientes para esclarecer tudo.
Conversei com Gabriel sobre isso e ele me contou sobre o término dele com Isabella. Percebi que precisava enfrentar Higor. Eu viajaria naquele dia; Gabriel ficaria uma semana sem mim. Segundo ele, iria "morrer" de saudade, mas eu duvidava muito.
— Ce vai ficar bem? — ele perguntou, enquanto esperávamos no aeroporto.
— Ih, garoto — Amanda o empurrou. — Ela vai ficar ótima, tá comigo, tá com Deus.
Ah, claro, Amanda havia voltado de Madrid há um mês. O que era para ser uma semana virou um mês, e ela ficou revoltada ao descobrir que eu e Gabriel ainda não tínhamos resolvido muita coisa.
— O problema é esse, estar com você, sua ruiva pervertida — Gabriel reclamou. — Na primeira oportunidade você vai abusar da minha futura namorada.
— Exatamente — Amanda retrucou. — Por que se você não faz, eu faço…
A discussão ia continuar, mas nosso voo foi chamado. Amanda ignorou Martinelli, e eu ri.
— Vou ficar bem — segurei o rosto de Gabriel. — É só uma semana, senão o Arsenal vai me demitir.
— Eles não vão te demitir — ele riu. — Qualquer coisa você me liga que eu apareço no Brasil em cinco minutos.
— Eu sei, Martinelli. Se cuida, tá? — o abracei.
— Tá bom… — ele me afastou e me beijou.
— ANDA, MULHER, PARA DE AGARRAÇÃO! — Amanda gritou do portão de embarque.
Ri e me afastei de Gabriel, indo até Amanda.
— Quando você ficou um mês em Madrid e eu aqui com pé machucado, eu não falei nada.
— O Gabriel estava cuidando de você, idiota. Eu tava com meu pretinho.
Ri e entramos no avião rumo ao Brasil. Foram onze horas de voo. Chegamos de madrugada; o motorista de Amanda nos esperava para ir à casa dela.
Ao chegar, fomos direto dormir. O empresário de Gabriel havia organizado tudo para eu resolver meus problemas rapidamente.
Às 10h da manhã, eu iria ao CT do Palmeiras conversar com Higor. Depois, o resto da semana seria só para curtir o Brasil como eu quisesse.
Acordei às 8h e vi Amanda já na sala, com uma blusa do Real Madrid.
— Bom dia — falei.
— Bom dia… — ela ligou a TV e colocou um pagode alto.
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— AI, O BRASIL! — gritou girando pela sala. — Canta, Ana! E EU SEI QUE DEVE ESTAR COM E…
Fui tomar café e banho enquanto Amanda se perdia nos pagodes. Durante isso, Gabriel me ligou por vídeo e conversamos um pouco.
— Eita, como é bela — Amanda comentou. — Que horas você vai no CT do rival?
— Daqui a uma hora — fiz careta. — Faço questão de ir muito corinthiana.
— Depois apanha e não sabe por quê…
— Quero só ver quem vai peitar, chamo o Timão todo pra me defender — cruzei os braços.
Ela riu, e quando deu a hora, coloquei minha blusa do Corinthians. Jamais entraria no CT do Palmeiras sem proteção.
No carro, fiz careta ao ver tudo verde.
— Coisa feia, Deus me livre. Vou precisar de terapia depois de entrar ali.
Desci do carro com Amanda ao lado. Apresentei-me ao porteiro, que fez cara feia, mas me deixou entrar. Algumas pessoas olhavam feio.
No campo, fui direto ao técnico:
— Ana Gabriela, certo? O empresário do Gabriel Martinelli falou sobre você — ele estendeu a mão, e eu apertei por educação. — Vou chamar o Higor.
Concordei, e ele chamou Higor para o campo.
— Corinthiana? — Dudu, o que eu conhecia como Dudu, parou à minha frente. — Errou de CT? Aqui é o Palmeiras.
— Eu sei… todo esse verde me deu vontade de vomitar — encarei-o. — Definitivamente não é minha cor.
— Desistiu do Arsenal e da Seleção? — ele se aproximou.
— Não sei. Já desistiu de comentar nas minhas fotos? Vou ter que mandar para sua esposa — me aproximei, e ele bufou.
Amanda me empurrou.
— Sai daqui, Eduardo! — disse.
— Quem tá no lugar errado é ela — ele retrucou.
Quase bati nele, mas Higor apareceu e Dudu saiu batendo o pé. Um leve sorriso surgiu no rosto dele.
— Você conseguiu passar do portão sem vomitar? — ele perguntou, e eu ri. — Quanto tempo… doutora.
Senti um aperto no peito. Amanda já não estava ali.
— Eu só vim para o Brasil resolver de vez tudo entre nós — falei baixo. — Podemos conversar?
Ele concordou, e sentamos na arquibancada.
— Primeiro, não vou negar a traição — comecei. — Trair vai muito além de beijo ou sexo. Eu deixei o Antony me tocar de forma que não deveria. Sinto muito. Eu queria aquilo, mas meus sentimentos eram confusos. Peço desculpas de verdade.
— Tudo bem, ficar com raiva não vai apagar o que aconteceu — ele disse, me encarando.
— Eu descobri que tinha dependência emocional em você, Higor. Descobri que te amava, mas era um amor que machucava… — tentei explicar.
— Eu sei o que é dependência emocional — ele falou, cruzando os braços.
Eu o encarei, pensando se ele alguma vez suspeitou que eu pudesse depender emocionalmente dele e nunca fez nada para ajudar.
— Não — ele respondeu. — Conheço seu olhar. Nunca imaginei que você teria dependência em mim. Deus… quando você começou a me ver como um escroto?
— Quando Martinelli me contou que você me zoava no colégio — saiu sem que eu pudesse controlar. — Foi ali que comecei a te ver como um escroto filho da puta.
Vi sua expressão mudar. Havia raiva ali. Eu conhecia bem meu ex-namorado.
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