"Amor de Infância, Destino de Adulto-Gabriel Martinelli" Capítulo 43
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Point of View — Ana Gabriela
Quatro dias depois…
Eu estava deitada no colo de Antony enquanto Gabriel brincava com Lorenzo e Davi Lucca. Neymar fazia embaixadinhas com a bola e Paquetá dançava com Vinícius.
Hoje era dia de jogo e eu nunca tinha visto os meninos tão calmos.
— Daqui a pouco o Tite vai nos chamar — Antony fez uma careta, passando a mão no meu cabelo.
— O patrão tem que chamar mesmo. Dia de jogo é vocês nessa folga — ri, sentindo a calma dele me acalmar.
Ficamos ali por uns vinte minutos até os meninos serem chamados. Tite conversou com eles por quase uma hora. Depois todos se arrumaram e seguimos para o estádio. Era cedo ainda, então eles aproveitaram para conhecer o gramado, se acostumar com o campo.
Quando o jogo se aproximava, os meninos foram aquecer.
— Acha que vamos ganhar? — Martinelli se sentou ao meu lado.
— Não sei… quero acreditar. —
Ele me abraçou, enterrando o rosto no meu pescoço. Fechei os olhos, sentindo a adrenalina e o nervosismo antecipado. O jogo contra a Croácia estava prestes a começar.
Tomei meu lugar junto à comissão técnica. O primeiro tempo foi tenso: o Brasil criava chances, mas a Croácia conseguia bloquear quase tudo. No segundo tempo, já gritava feito uma louca, implorando para Neymar, Paquetá ou Vinícius fazerem um gol.
— PUTA QUE PARIU, TITE! — gritei. — Essa merda vai pra prorrogação? Faz substituição!
Ele fez as alterações. O fim do tempo normal chegou e, pelo olhar de Martinelli, vi que ele estava desesperado. Os jogadores conversaram rapidamente e iniciaram a prorrogação. Era impossível falhar; perder não era uma opção.
E então aconteceu. Primeiro tempo da prorrogação, minutos finais, Neymar colocou a bola no fundo do gol. Sem dancinha, nervosismo demais, mas os jogadores se abraçaram. Um pequeno alívio surgiu no meu peito: não iríamos para os pênaltis… ainda.
O intervalo passou, e o segundo tempo começou. Queria gritar com a torcida, celebrar que iríamos às quartas, mas fiquei calada. Só acreditaria quando o apito final soasse.
12 minutos do segundo tempo, a Croácia pegou a bola e… gol. O empate. Meus olhos se encheram de lágrimas e eu nunca imaginei que gritaria aquilo.
— COLOCA O WEVERTON, TITE! — quase implorei. — O rival é bom nos pênaltis!
Assistir aos quatro minutos finais foi a coisa mais dolorosa da minha vida. Quando acabou, mal podia entrar em campo. Saltei da arquibancada, caí no chão, senti dor no pé.
— Ficou louca? — Antony me ajudou a levantar.
— FODA-SE! — gritei e corri. Meu pé doía, acho que torci, mas quem se importava?
Fui até a rodinha de jogadores. Tite dava a ordem de quem bateria os pênaltis. Fiquei calada, respeitando a autoridade dele.
— Por que você não vai bater o primeiro? — sussurrei para Neymar.
— Sempre sou o último, gatinha, decisivo — tentou brincar.
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— Então por que Tite te deixou ser capitão? — reclamei alto demais, o time olhou. — Desculpa…
— Vai dar tudo certo — Paquetá se aproximou e beijou minha testa.
Sentei-me no colo de Martinelli. Ele estava imóvel, com o olhar fixo na decisão do primeiro pênalti.
— Obrigada por vir — ele falou baixinho.
Tentei não prestar atenção na Croácia, apenas no Brasil. Rodrygo errou, Casemiro acertou, Pedro acertou… e por último, Marquinhos errou o último pênalti. O coração parou. Neymar nem teve chance de bater. Croácia comemorava. Antony sentou no campo, chorando.
— Ouvi seus gritos — Weverton se aproximou.
— De nada, rival. Não gosto do seu time, mas sei reconhecer seu valor — falei. Ele riu fraco.
Minha cabeça girava vendo os jogadores chorando. Martinelli estava congelado no banco, segurando Lorenzo. Vi Neymar consolar todos, só depois chorou.
Uma pequena figura correu até nós:
— Tio Tinelli! — murmurou Lorenzo, apontando para o pai.
Levantei-me do colo de Gabriel e fui até o garoto, que mesmo sendo consolado por Neymar, não parava de chorar.
— Te amo, Totony — sentei-me no campo, abraçando-o. — Você foi incrível, obrigada.
Ele não respondeu, apenas me abraçou. Fiquei com ele até decidir sair do campo. Me levantei, suspirei, e meu olhar encontrou Neymar. Ele chorava, sozinho, depois de consolar todos. Tite havia feito dele capitão; a culpa era visível.
Com cuidado, caminhei até ele, mas um segurança me impediu. Neymar me olhou e, sem dizer nada, me abraçou.
— Você é gigante, Ney — murmurei. — Gigante, independente do resultado.
Fiquei abraçada com ele por alguns minutos. Quando ele se afastou, vi Martinelli ainda no banco, Lorenzo em seu colo. Fui até ele.
— Oi — sentei ao seu lado.
— Não precisa me consolar — disse baixo. — Consigo me virar com a derrota.
O encarei. Ele segurava o choro. Virei seu rosto para mim e encostei nossas testas.
— Não precisa ser forte…
— Não quero que meu afilhado entre em desespero — sussurrou. — Ver Antony daquele jeito já foi o suficiente.
Aproximei-me, dei um selinho em Gabriel. Ele se surpreendeu.
— Você é incrível, Martinelli — falei.
Encostei-me no banco, fechei os olhos e finalmente deixei as lágrimas caírem. Amanhã voltaríamos para a Itália, e de lá cada um seguiria para sua casa.
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Continua
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