"Amor de Infância, Destino de Adulto-Gabriel Martinelli" Capítulo 41
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Point of View — Gabriel Martinelli
Nem que eu quisesse, não conseguiria esconder o sorriso enorme no rosto na manhã seguinte. Ana tinha ficado comigo a noite inteira. Tudo bem, talvez ela tenha dormido feito uma pedra — sim, talvez — mas ainda assim estava comigo. Só isso já me deixava completamente satisfeito.
Não queria pressioná-la, mas eu sentia tantas coisas que tinha medo de explodir se não dissesse algo.
Ana voltou cedo para o quarto, era dia de jogo. Precisávamos nos concentrar. Hoje eu ficaria no banco — ainda carregava o peso do último jogo —, mas estávamos nas oitavas de final e, finalmente, eu acreditava numa Copa do Mundo para o Brasil.
Desci para o café e me surpreendi vendo a rodinha: Paquetá, Richarlison, Ana e Amanda. Ignorei a distração e me sentei.
— Ei — chamei Pedro, que estava sentado. — Você pegou a ruiva maluca, não foi?
Ele concordou discretamente.
— Rapaz, pensei que você era santo.
— Vai se foder — ele riu. — Pelo menos eu peguei a mina. Tu fica de enrolação com a Ana.
— Porra… até você, Pedro? — fiz bico e vi Neymar. — NEY, olha o Pedro me maltratando!
— Pedro, Pedro… vou contar o que ouvi ontem — ele ameaçou, e eu ri.
— AI, PEDRO! — Paquetá gritou do nada, e vi Amanda ficar vermelha. Nem sabia que ela era capaz de ter vergonha.
— DUDA, CONTROLA AQUI! — Amanda gritou. — Por que o Neymar e o Martinelli tão falando merda? Não tenho culpa se vocês não transam.
— Xinga o Paquetá também — disse alguém.
— Ele é meu amigo — Amanda se virou, voltando a conversar com os outros três.
Duda me encarou e eu apenas sorri.
Depois de quase duas horas, Tite nos chamou. Conversamos rapidamente e ele disse que iríamos cedo treinar no estádio.
Após o almoço, seguimos para lá e ficamos até a hora do jogo. Ana ficou com a comissão técnica desta vez, séria, analisando cada detalhe do aquecimento. Eu não conseguia tirar os olhos dela. A energia que ela transmitia sozinha era diferente de quando estava com Lorenzo, filho de Antony.
— Hey — me aproximei dela, a torcida começava a chegar. — Tá nervosa?
— Um pouco — ela admitiu. — A derrota do último jogo pesa agora, né? Mas tenho certeza que os meninos vão brilhar.
— Acha que pode entrar hoje?
— Não sei… mas se o Brasil ganhar, já tô felizão.
Ela sorriu, e eu voltei para o banco.
O jogo começou e, rapidinho, 7 minutos: Vinícius marca gol, puxa Paquetá, e os dois fazem a dancinha de comemoração.
Lances vão, lances vêm. Aos 13 minutos, pênalti para o Brasil. Neymar cobrou com uma facilidade que eu nem sei se teria.
29 minutos: Richarlison marca.
E, 6 minutos depois, Paquetá também marca — dancinha incluída.
Olhei para Ana. Ela começou a gritar e pular. Um membro da comissão técnica precisou segurá-la antes que ela pulasse no campo. Paquetá correu até ela.
— FICA QUIETA, NÃO SEJA EXPULSA, SUA LOUCA! — gritou rindo. — AMOR, UM BEIJO!
Duda, um pouco acima, acenou para o marido. Eu sorri.
Que jogo. Primeiro tempo acabou, e o intervalo foi uma festa. O único deslize foi aos 36 do segundo tempo, quando a Coreia marcou.
Fim de jogo: Brasil 4, Coreia 1. Passamos para as oitavas.
Vi Ana correr para o campo, pensei que ela viria até mim… mas não. Ela correu direto para Duda e Paquetá, pulou nos braços dele, Pippo a segurou, e ambos caíram no chão. Eu ri alto.
— MEU DEUS, VOCÊ FEZ GOL, TE AMO! — ela gritou. — PAQUETÁ, O NOME DELE!
Duda ria loucamente. Eu amava como Ana era fã do Lucas. Depois de abraçar e beijar o homem, ela abraçou Neymar, Richarlison e Vinícius, que conversava com uma ruiva que Ana nem ousou se aproximar.
Ela passou por Antony, deu um abraço rápido e finalmente veio até mim. Olhou-me, sorriu e deu pulinhos.
— QUATRO GOLS! — ela exclamou. — Eu tô maluca, você não tem noção!
Concordei com a cabeça. Ela me abraçou.
— Jogo mais gostoso que ver o Corinthians jogando Libertadores na Neo Química — riu.
— Nossa, então o jogo realmente foi bom.
— Pra você ver — disse ela, sentando ao meu lado no banco de reservas. — Depois de hoje, nem me preocupo com o próximo.
— Muito menos eu — falei. Ela riu e ficou olhando os meninos.
Deus, eu queria tanto ter aquela garota torcendo para mim em um jogo do Arsenal…
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continua..
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