"Amor de Infância, Destino de Adulto-Gabriel Martinelli" Capítulo 32
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Point of View — Gabriel Martinelli
Era karma.
Só podia ser.
Minha cabeça parecia prestes a explodir, e eu nem conseguia lembrar como tinha chegado ali. O quarto não era meu… e, quando olhei ao redor, a cena só confirmou que a noite tinha sido um desastre.
Ana e Amanda estavam jogadas no chão, completamente apagadas.
Fechei os olhos por um segundo, tentando organizar qualquer memória… inútil.
O enjoo veio forte.
Levantei no automático e fui direto para o banheiro. Mal consegui me ajoelhar antes de vomitar.
— Bom dia, hein — a voz dela veio atrás de mim.
Não respondi.
Só tentei sobreviver àquilo.
Senti a mão dela nas minhas costas, em um gesto leve, quase cuidadoso demais para o caos que eu tinha causado.
— Acho que invertemos os papéis — ela comentou, rindo baixo.
Respirei fundo quando finalmente consegui parar.
— Preciso escovar os dentes.
Ela não disse nada. Só se afastou e, segundos depois, me entregou uma escova nova.
Fiz tudo no automático.
— Como eu cheguei aqui? — perguntei, ainda com a cabeça pesada.
— Você bebeu demais — ela respondeu. — Antony e Neymar me ajudaram a te trazer. A Amanda também passou do ponto… mas o Jesus deu conta.
Balancei a cabeça, tentando lembrar.
Nada.
— Eu fiz alguma merda?
Ela hesitou por um segundo… e então sorriu de leve.
— Não. Só ficou me segurando e repetindo pra eu não te deixar sozinho.
Fechei os olhos com força.
Vergonha.
— Qual é o meu nome? — ela perguntou, se aproximando.
Abri um sorriso fraco.
— Ana Gabriela Macedo Costa.
Ela riu.
— Vai tomar banho. Você tá cheirando a álcool.
Assenti.
— Tem alguma roupa minha aqui?
— Separei uma blusa e uma cueca.
Antes de sair, ela beijou minha bochecha de leve.
Simples.
Mas suficiente pra me deixar ainda mais confuso.
---
O banho ajudou.
Pouco… mas ajudou.
Quando saí, a roupa estava dobrada na cama. Vesti rápido, ainda me sentindo estranho naquele ambiente.
Amanda já tinha acordado.
E, como sempre, pronta pra causar.
— Olha quem acordou… o apaixonado escondido.
— Cala a boca — respondi, sem paciência.
— Assume seus B.O, Martinelli.
Ela riu e entrou no banheiro.
Fiquei sozinho com Ana.
— Você e o Antony? — perguntei.
Ela deu de ombros.
— Só ficar. Eu não tenho cabeça pra relacionamento… muito menos com ele.
Ri baixo.
— Ele parece problema.
— Ele É problema — ela corrigiu.
Assenti.
— Eu preciso ir… ver a Isa.
— Eu já avisei ela — Ana disse. — Falei que você tava aqui. Ela achou que você tava em coma alcoólico.
Passei a mão no rosto.
— Obrigado por não deixar ela vir.
— Imagina.
O silêncio entre a gente durou mais do que deveria.
— Eu vou indo.
Ela apenas concordou.
---
O caminho até o hotel parecia mais longo do que o normal.
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Passei primeiro no quarto da minha mãe.
Erro.
Ela me abraçou… e logo depois me deu dois tapas.
— Vai cuidar da sua namorada.
Assenti, rindo sem graça.
Quando bati na porta do quarto da Isa, meu coração apertou.
Ela abriu.
Parecia melhor.
Vestia uma das minhas blusas do Arsenal.
— Oi, meu amor — abracei ela. — Tá melhor?
— Tô… acho que foi emoção do jogo.
Sentamos na cama.
Ela me observava de um jeito que eu conhecia bem demais.
Como se estivesse tentando ler tudo o que eu não falava.
A mão dela subiu até meu pescoço, arranhando de leve.
Fechei os olhos.
Isa sempre soube exatamente como me desarmar.
Ela me empurrou de leve contra o colchão e subiu por cima de mim, me beijando com familiaridade.
Segurei sua cintura, puxando ela mais perto.
Era automático.
Era fácil.
Era… seguro.
Mas não era simples.
Porque, em algum lugar da minha cabeça… tinha outra pessoa.
Quando ela sussurrou meu nome, eu respondi.
Mas não sei se disse o certo.
Não sei.
Só sei que, no segundo seguinte, tudo mudou.
Ela se afastou.
O olhar dela… era outro.
Raiva.
— Você me chamou de quê, Gabriel?
Demorei um segundo.
— Isabella…
Mas minha própria voz soou incerta.
— Claro — ela riu, sem humor nenhum. — Isabella… Ana… deve ser tudo a mesma coisa pra você.
— Não é isso—
Ela tentou me acertar de novo, mas segurei sua mão.
— Para.
— Eu sei o que eu ouvi! — ela gritou, agora com os olhos cheios d'água.
Passei a mão no rosto, perdido.
— Eu não sei o que eu falei… eu tava fora de mim ontem. Tem muita coisa acontecendo.
— Você gosta dela?
A pergunta veio direta.
Sem espaço pra fuga.
— Eu…
Travei.
E isso já foi resposta suficiente.
As lágrimas escorreram.
— Você gemeu o nome dela, Gabriel.
O silêncio pesou.
— Eu amo você — falei, rápido demais. — Isso é… confusão. Estresse. Eu juro.
Nem eu sabia mais o que era verdade ali.
— Como eu acredito nisso? — ela perguntou, mais baixa agora.
Engoli seco.
— Fica comigo no hotel. Você vê que não tem nada. Só… não desiste de mim.
Ela me encarou por alguns segundos.
Longos.
Dolorosos.
— Eu vou.
Mas eu senti.
Ela não acreditou.
E, pela primeira vez…
Nem eu sabia se acreditava em mim mesmo.
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