"Amor de Infância, Destino de Adulto-Gabriel Martinelli" Capítulo 24
PUBLICIDADE
• Ana Gabriela
Acordei com uma sensação estranha.
Um peso sobre mim.
Por um segundo, meu corpo travou, ainda meio perdido entre o sonho e a realidade.
Até que eu percebi.
Gabriel.
As pernas dele estavam entrelaçadas nas minhas, uma das mãos firme na minha cintura, e o rosto… completamente escondido no meio do meu peito.
Eu fiquei alguns segundos parada.
Confusa.
Aquilo parecia…
Íntimo demais.
Quase como um casal.
— Você tá bem? — a voz dele saiu abafada.
Eu respirei fundo.
— Levanta. Você tem treino.
Ele demorou um pouco pra reagir, como se ainda estivesse acordando de verdade. Então se afastou, me encarando por alguns segundos.
E foi direto pro banheiro.
Eu levantei da cama devagar.
Seis e meia da manhã.
O treino era às oito.
Saí do quarto dele sem dizer nada e fui pro meu.
Tomei banho, me arrumei, mas evitei qualquer contato com o time. Não queria café em grupo, não queria conversa, não queria olhar de ninguém.
Esperei dar o horário.
Só desci quando já não tinha como fugir.
Comi rápido.
Em silêncio.
E logo fui chamada para o carro da CBF.
— O senhor Martinelli pediu pra te entregar isso.
O motorista me entregou uma sacola assim que entrei.
Franzi o cenho e abri.
Um celular.
Novo.
Soltei um suspiro baixo.
Durante o caminho, configurei tudo. Consegui recuperar quase tudo — fotos, contatos, aplicativos.
Menos a sensação de que minha vida estava bagunçada.
Essa não dava pra restaurar.
Cheguei no centro de treinamento e fui direto me sentar para assistir.
Mas nem tive tempo.
— Ana Gabriela.
Levantei o olhar.
Tite.
Respirei fundo e me levantei.
— Podemos conversar?
Assenti.
Me aproximei, sentindo o olhar dele me analisando com calma demais.
— O Neymar falou comigo sobre você.
Já começou assim.
Ótimo.
— Quero que você converse com o psicólogo da seleção.
Fiquei em silêncio.
— Você é importante pros meus jogadores — ele continuou — e, estranhamente, todos eles parecem ter se apegado a você muito rápido.
Quase ri.
Quase.
— Então, a partir de agora, você também é responsabilidade minha.
Eu balancei a cabeça.
— Eu tô bem…
Ele me interrompeu com o olhar.
— Você teve uma crise de ansiedade, Ana.
As palavras foram diretas.
— Tremor, falta de ar, choro descontrolado… você quase passou mal.
Engoli seco.
— Vai até o psicólogo, por favor.
Uma pausa.
— Não me faz precisar transformar isso em ordem.
Soltei o ar devagar.
— Tudo bem.
— Só mais uma coisa.
Eu o encarei.
— Me disseram que isso tem relação com um término. Dependência emocional.
Meu peito apertou.
— Você conquistou esse grupo em uma semana.
Ele sorriu, de leve.
— Nem eu consegui isso.
Eu não soube o que responder.
— Você é incrível. Mas precisa ficar bem.
Eu apenas assenti.
E fui.
A conversa com o psicólogo foi… estranha.
PUBLICIDADE
Eu falei.
Tudo.
Do jeito que deu.
Higor.
Gabriel.
Antony.
O que eu sentia.
O que eu não entendia.
O que doía.
Ele ouviu.
Disse que aquilo não ia se resolver em um dia.
Que a gente ia trabalhar nisso durante a Copa.
E depois…
Eu continuaria.
Saí de lá cansada.
Me sentei no banco de reservas e peguei o celular.
Erro.
Meu Instagram estava um caos.
Comentários.
Mensagens.
Ofensas.
"Você merece o Antony."
"Marmita da seleção."
"Interesseira."
"Traiu e quer pagar de vítima."
E, claro…
Os torcedores do Palmeiras.
Porque agora o Higor era jogador de lá.
Fechei os olhos por um segundo.
Respirei fundo.
Abri o direct.
E encontrei uma mensagem que me fez sorrir, mesmo que pouco.
Guedes.
"Fica triste não. Te conheço. Você é incrível. Não liga pra esse povo."
Eu mordi o lábio, respondendo.
"Eu deixei o Antony me provocar."
A resposta veio rápido.
"O cara saiu do Corinthians pro Palmeiras, ele já perdeu na vida."
Eu ri.
De verdade.
"Brincadeira, princesa. Mas ninguém é santo pra te julgar. Manda todo mundo se foder."
Balancei a cabeça, sorrindo.
"Te amo, Guedes."
"Também te amo, pirralha. Se cuida aí no Catar. Esses caras da seleção são tudo doido."
Ri mais uma vez.
Era bom…
Ter alguém que me conhecia de antes.
Minha atenção foi puxada quando alguém parou na minha frente.
Martinelli.
— Pegou o celular?
— Sim. Obrigada.
Ele assentiu.
— O Neymar me contou que você falou com o Tite.
— Eu já resolvi — respondi, direta — não quero falar sobre isso com você.
Ele me analisou por um segundo.
E respeitou.
Só assentiu, bebeu água e voltou pro treino.
Sem insistir.
Sem pressão.
Eu suspirei e voltei pro celular.
Erro de novo.
Abri o perfil do Higor.
Ele não me seguia mais.
Todas as fotos tinham sido apagadas.
Sem aliança na bio.
Agora só… "jogador do Palmeiras".
Simples assim.
Como se eu nunca tivesse existido.
Os comentários eram todos de apoio.
Como se ele fosse a vítima.
Como se eu fosse a errada.
Fechei o aplicativo.
Guardei o celular.
E fiquei olhando pro nada.
O treino acabou.
Voltamos pro hotel.
Eu me sentia…
Vazia.
Mas ninguém ali tinha culpa.
Então, se eu quisesse chorar…
Ia ser sozinha.
Como sempre foi.
— Ei.
A voz do Neymar me fez parar antes do elevador.
— Vai ter festa no meu quarto hoje.
Eu arqueei a sobrancelha.
— Vocês têm treino amanhã.
Ele deu de ombros.
— Cachaça também é treino.
Eu soltei um riso baixo.
— Dez da noite. Cola lá.
— Vou pensar.
Ele ficou sério por um segundo.
— Eu zoei seu namoro… mas não queria te ver assim.
Aquilo me pegou desprevenida.
— Se precisar, tô aqui.
Assenti.
— Obrigada, Ney. Pelo apoio com o Tite também.
Ele sorriu.
E saiu.
Entrei no elevador.
Mas antes da porta fechar…
Antony entrou.
Ofegante.
E sério.
Muito sério.
Ele me encarou.
Sem sorriso.
Sem brincadeira.
— Desculpa.
Simples assim.
Direto.
Eu engoli seco.
— Eu namorava. Eu que devia ter colocado limite.
As lágrimas vieram.
Dessa vez, eu não segurei.
— Você não é santo… mas eu também não sou.
Ele passou a mão pelo rosto.
— Você não sabia lidar com o que sentia.
Ele me olhou.
— Eu sabia.
A porta abriu.
Saímos.
— Isso me faz pior que você.
Eu balancei a cabeça.
— Para de se desculpar. Eu já me sinto mal o suficiente.
Me aproximei.
E abracei ele.
Forte.
— Idiota.
Ele riu, baixo, e beijou minha testa.
— Sou tão idiota quanto você.
Se afastou.
— Vou buscar meu filho.
Uma pausa.
— Te vejo na festa do Ney?
Eu assenti.
Sem certeza.
Ele saiu.
E eu segui pro meu quarto.
Sozinha.
De novo.
Mas, pela primeira vez…
Sabendo que talvez…
Eu também fosse parte do problema.
PUBLICIDADE
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 11
MENINA DÁ METADE DO LANCHE A UM MENINO SEM-TETO... 25 ANOS DEPOIS, ELE VOLTA MILIONÁRIO
Aos nove anos, Gabriel Costa vivia nas ruas de São Paulo e esperava todos os dias diante do portão de uma escola particular. Foi ali que conheceu Valentina Almeida, uma menina rica que passou a dividir escondida metade do próprio almoço com ele. Quando Gabriel foi adotado por uma família de Curitiba, fez uma promessa antes de partir: "Quando eu crescer… eu volto para te buscar." Vinte e cinco anos depois, Valentina enfrenta a doença do pai, a falência do Grupo Almeida e um noivado que esconde interesses perigosos. É então que Gabriel retorna a São Paulo — não mais como o menino faminto do portão, mas como um empresário cuja fortuna ultrapassa R$ 950 milhões.Moderno13.8 mil palavras5 180 -
TerminadoCapítulo 11
MILIONÁRIO CHEGA MAIS CEDO À CASA DE CAMPO... E QUASE DESMAIA COM O QUE VÊ
Milionário chega mais cedo à casa de Campo e quase desmaia com o que vê. Alejandro para no jardim sem acreditar. Léo, seu filho, ri alto nos braços de Helena, a faxineira. O menino que diziam ser incapaz de sentir emoção, agora gargalha como nunca. Pela manhã, Carla insistiu em aumentar os sedativos, dizendo que Léo era um caso perdido. Mas ali, diante dos olhos do pai, a verdade aparece. Não era doença, era medo. Helena tenta soltá-lo, assustada, mas Léo se agarra a ela como proteção. Quando o carro de Carla surge na entrada, o sorriso some, o corpo do menino trava. Alejandro entende tudo naquele instante. Ele manda Helena agir normalmente e decide observar em silêncio. Aquela risada muda tudo. Naquela noite, ele jura proteger o filho, descobrir quem mentiu e acabar com o terror escondido dentro da própria casa. A guerra começa ali, no quintal, com um riso que salvou uma vida.Moderno13.7 mil palavras5 123 -
TerminadoCapítulo 12
Eles Pensavam Que Eu Era Uma Boneca Frágil… Até Ouvirem o Som do Gatilho
Na alta sociedade de São Paulo, Christian von Stock e Victória de Medeiros pareciam o casal perfeito: ele, um titã corporativo brilhante e irretocável; ela, uma herdeira gélida e deslumbrante. Mas o conto de fadas durou apenas até o momento em que a porta da imponente mansão se fechou. No segundo em que o último flash da imprensa sumiu, Christian revelou ser o seu pior pesadelo. Dono de uma mente brilhante e sádica, ele confiscou o passaporte, o celular e as contas de Victória, transformando-a em uma prisioneira na própria casa. Para garantir a obediência absoluta, ele escolheu a única fraqueza dela: Camila, sua irmã caçula com síndrome de down, agora vigiada de perto como refém. Aos olhos do mundo, eles eram a imagem da felicidade conjugal, com sorrisos ensaiados e jantares de gala. Entre quatro paredes, era uma guerra psicológica diária onde a respiração de Victória era controlada e a liberdade, uma lembrança distante. Christian acreditava ter quebrado o espírito de sua esposa, transformando-a em uma boneca dócil. O que ele não sabia era que, sob a pele da mulher acuada, Victória contava cada segundo, memorizava cada código de segurança e aguardava pacientemente o momento certo. Ela fingiu submissão. Ela jogou o jogo dele. E, quando o monstro finalmente cometeu o erro de subestimá-la, a frágil esposa sumiu. No lugar dela, emergiu a lâmina afiada pronta para destruir o império dele de dentro para fora. Uma mente brilhante, uma gaiola de ouro e um jogo de gato e rato onde a única regra é sobreviver para ver quem quebra primeiro.Outras|Aventura|Moderno15.3 mil palavras5 148 -
TerminadoCapítulo 10
Minha Mãe Deixou Minha Esposa Desmaiada no Chão
Arthur voltou de viagem dois dias antes e encontrou a mesa cheia, o filho de oito dias chorando e Elena desacordada no tapete. A mãe dele continuava cortando o jantar. Se você encontrasse sua esposa nessa situação e descobrisse que alguém da sua própria família havia falsificado sua assinatura, qual seria sua primeira atitude? Leia até o fimModerno10.3 mil palavras5 130 -
TerminadoCapítulo 11
Mostraram Suas Verdadeiras Faces… Sem Saber Que Eu Fingia Estar Paralisada
Fingi Estar Paralisada Por 10 Dias… Meus Filhos Disputaram Minha Fortuna, Mas A “Intrusa” Ficou... Aos 66 anos, Beatriz Montenegro Sampaio construiu um dos maiores impérios imobiliários de São Paulo. Rica, poderosa e acostumada a controlar tudo, ela acreditava conhecer os próprios filhos. Até ser envenenada durante sua festa de aniversário. Ao descobrir que sobreviveria sem sequelas permanentes, Beatriz toma uma decisão perigosa: fingir que ficou paralisada e sem conseguir falar para descobrir quem permaneceria ao seu lado quando ela não pudesse mais oferecer poder, dinheiro ou proteção.Moderno15.1 mil palavras5 352 -
TerminadoCapítulo 11
“Ela Não É Minha Filha”… Até o DNA Revelar Um Segredo Pior
No aniversário da pequena Sofia, Isabela presencia uma cena que muda para sempre sua relação com a poderosa família Montenegro. Mas o golpe mais cruel vem do próprio marido, Alexandre, que olha para a menina e declara diante de todos: "Ela não é minha filha." Isabela, porém, já conhece a verdade. Um exame de DNA confirma que Sofia é filha biológica de Alexandre com 99,9998% de probabilidade. Só que existe uma segunda página no resultado — e ela revela algo ainda mais devastador... Até onde sua própria mãe foi capaz de ir para proteger os segredos da família Montenegro?Moderno13.4 mil palavras5 287 -
TerminadoCapítulo 11
O Chefe da Máfia Mais Temido Viu Minhas Mãos Tremendo… E Fez Uma Única Pergunta
Isabela Oliveira Martins só queria sobreviver a mais um turno em um restaurante sofisticado nos Jardins, em São Paulo. Mas, ao servir a mesa 17, suas mãos começaram a tremer diante do homem que todos no salão pareciam temer: Dante Vasconcelos Montenegro, um poderoso e misterioso chefe da máfia. Quando Dante percebe as marcas no pulso da garçonete, segura sua mão e pergunta baixinho: "Quem fez isso com você?" Isabela não consegue responder. Porque o homem de quem está fugindo é Marcelo Ferraz, seu ex-namorado controlador, alguém que parece sempre saber onde ela está. O que Isabela ainda não sabe é que seu encontro com Dante está longe de ser uma coincidência do destino. Uma investigação começa a revelar que Marcelo se aproximou dela por causa de Antônio, seu pai, morto quinze anos antes em circunstâncias nunca esclarecidas. E quanto mais Isabela procura respostas, mais descobre que os Ferraz e os Montenegro escondem um passado construído sobre dinheiro, traições e silêncio. Até Dante guarda um segredo sobre a noite em que Antônio morreu. Agora, Isabela terá que descobrir em quem pode confiar — sem permitir que outro homem decida seu destino. Porque talvez seu pai não tenha morrido apenas por descobrir um crime.Bilionário|Máfia|Moderno14.3 mil palavras5 4105 -
TerminadoCapítulo 10
Três Dias Após o Funeral, Ouvi Meu Marido Planejar Minha Herança
Três dias depois de enterrar a mãe, Eliza ouviu o marido dizer ao telefone: “Assim que eu acessar as contas, a gente venceu.” Ela não desceu a escada nem exigiu explicações. Apertou o botão de gravar. Na manhã seguinte, o último vídeo de Margaret revelou que Garrett pesquisava a herança antes mesmo do casamento — e que Sienna, irmã de Eliza, havia aberto a primeira porta.Moderno9.7 mil palavras5 197 -
TerminadoCapítulo 10
A Menina Que Entrou Molhada no Baile
Com fome e encharcada, Lívia, de nove anos, entra escondida no baile beneficente do Hotel Imperial procurando a mãe. Helena Albuquerque, viúva de uma das famílias mais ricas de São Paulo, joga água no rosto da menina e a acusa de roubo. Quando Lívia cai, um colar de safira se solta de seu pescoço. Dentro da pedra existe uma fotografia que Helena não vê há vinte anos — e a prova de que a criança humilhada diante da elite é a neta que ela nunca soube que tinha.Moderno10.0 mil palavras5 110 -
TerminadoCapítulo 10
A Menina Deu Seu Último Remédio ao Temido Homem
Uma reação alérgica derruba Adrian Moretti dentro da própria mansão. Ellie Carter, filha de uma funcionária e portadora de alergia severa, usa nele seu último autoinjetor de epinefrina. Quando Adrian voltou a respirar, descobriu que aquela era a última dose dela. Minutos depois, a menina disse algo ainda mais impossível: viu um velho colocar “lágrimas azuis” no vinho. O que começou com uma injeção levou a uma chave costurada dentro de um coelho, ao assassinato encoberto de David e à filha que Adrian acreditava ter enterrado.Moderno|Romance10.1 mil palavras5 127