"Amor de Infância, Destino de Adulto-Gabriel Martinelli" Capítulo 15
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Point of View — Gabriel Martinelli
Eu tinha três semanas.
Três semanas até me apresentar oficialmente para a preparação da Copa do Mundo.
E, dentro dessas três semanas…Eu tomei a decisão mais impulsiva — e mais certa — da minha vida.
Eu levaria a Ana comigo.
Nem que fosse à força.
— Conseguiu? — perguntei, me inclinando na cadeira, ansioso.
Meu empresário sorriu daquele jeito que sempre significava problema resolvido.
— Agradeça ao Neymar por isso.
Ele colocou um envelope sobre a mesa, cheio de documentos.
— Além da família, ele levou a própria equipe médica. Isso abriu uma brecha. Você pode levar sua fisioterapeuta.
Meu coração acelerou.
— Sério?
— Ela precisa assinar isso tudo e se apresentar com você em três semanas.
Peguei os papéis quase arrancando da mão dele.
— Perfeito. Obrigado.
Não perdi tempo.
Saí dali direto para o CT. Sabia que ela ainda estaria lá.
Parei na porta da sala dela, respirei fundo, ajeitei a roupa… e entrei.
— Preciso falar com você. E não aceito um não.
Ela me olhou, surpresa.
— Tá… senta.
Sentei, encarando-a diretamente.
— Jogadores convocados podem levar família. Eu vou tentar levar minha mãe e a Isa… mas isso não importa agora.
Ela estreitou os olhos.
— Além da família, existe a possibilidade de levar uma equipe médica própria. Alguns clubes fazem isso… o PSG liberou pro Neymar.
Fiz uma pausa.
— Eu quero te levar comigo.
O silêncio veio imediato.
— Você receberia junto com os médicos da seleção, mas trabalharia comigo. Acompanharia treinos, jogos… tudo.
— Martinelli…
— Você não pode negar — cortei, mais firme — eu já falei com o clube. Você tá liberada. Sua faculdade vai aceitar, a CBF emite um documento…
Ela passou a mão no rosto, incrédula.
— Você é maluco.
Eu dei de ombros, segurando o sorriso.
— Eu sei.
Ela estendeu a mão.
— Deixa eu ver isso.
Entreguei os papéis.
Ela nem leu direito.
Só assinou.
E eu senti um alívio tão grande que precisei levantar na hora.
Dei a volta na mesa e a abracei.
— Obrigado… sério, obrigado.
Ela riu, me abraçando de volta.
— O que eu não faço por você?
Me afastei, ainda sorrindo.
— Agora você vai pra Copa do Mundo comigo.
Os olhos dela brilharam.
— Eu posso conhecer o Lucas Paquetá?
Eu ri.
— Sério?
— Sou fã dele!
Balancei a cabeça, divertido.
— Você torce pra time errado e tem ídolo errado.
— Me respeita.
— Relaxa. Eu te apresento.
Ela me abraçou de novo, rápida.
Eu beijei a bochecha dela, sem pensar.
— Bom trabalho.
— Pra você também.
---
As horas seguintes foram um caos.
Diretoria, advogado, faculdade, documentos…
Mas tudo se resolveu rápido demais.Como se tudo estivesse… encaixando.
E, de repente, três semanas tinham passado.
---
Turim, Itália.
A apresentação da seleção seria ali.
De lá, seguiríamos para o Catar.
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Minha mãe e Isabella só chegariam nos dias dos jogos.
Até lá…
Seria só eu e Ana.
Foram quatorze horas de voo.
Quatorze horas com ela praticamente grudada em mim, dormindo como se não tivesse nenhuma preocupação no mundo.
Eu não consegui me mexer.
Mas também não quis.
Ela só acordou quando o avião começou a pousar.
— Chegamos?
— Chegamos.
Passei a mão no rosto dela, amassado de sono.
— Linda.
Ela fez uma careta.
— Idiota.
Sorri.
---
Eu já estava atrasado.
Último a chegar.
Mal tivemos tempo de deixar as malas no hotel — o quarto dela era ao lado do meu — e já havia um carro esperando.
— É sempre assim? — ela perguntou, abraçando meu braço.
Percebi que ela estava com frio.
Tirei minha blusa e joguei sobre ela.
— Em Olimpíadas, sim. Copa é minha primeira… mas acho que vai ser pior.
Ela riu baixo.
— Então eu me preparei pra coisa grande.
— Ainda não faz ideia.
---
Assim que entramos no CT, todos os olhares vieram.
Eu segurei a mão dela sem pensar.
— Desculpa o atraso — falei — foi o voo.
— Jesus chegou cedo… — Antony comentou.
— Ele teve privilégio — rebati — eu treinei antes de embarcar.
Alguns riram.
O clima era leve.
Era mais uma roda de apresentação do que qualquer outra coisa.
— Vai lá — alguém jogou uma garrafinha na minha mão — microfone.
Eu ri.
— Gabriel Martinelli. Joguei na base do Corinthians, depois fui pro Ituano… hoje tô no Arsenal. Fui ouro olímpico em 2020…
Dei de ombros.
— E sou amigo desses dois aí.
Apontei pra Antony e pro Gabriel Jesus.
Risadas.
Passei a "garrafinha" pra Ana.
— Novidade na comissão — disse Neymar, olhando pra ela — manda aí, gatinha.
Ela me olhou rapidamente… e começou.
— Sou Ana Gabriela. Estagiária de fisioterapia no Arsenal… e vim cuidar dele.
Apontou pra mim.
Alguns riram.
— Fala mais — pediu Vinícius Júnior.
Ela hesitou.
— Eu namoro um jogador do Palmeiras… mas torço pro Corinthians.
A roda explodiu em risadas.
— Já começou errado — Neymar comentou.
Eu balancei a cabeça, rindo.
— Sou melhor amiga do Martinelli desde os quinze…
Ela deu de ombros.
— E é isso.
— Não gostei desse "namoro jogador do Palmeiras" — Neymar provocou — achei que você e o Martinelli já eram casados.
Meu sorriso travou por um segundo.
— Ela é fã do Paquetá — falei, tentando desviar.
Ela virou pra mim na hora.
— Eu te mato.
Mas já era tarde.
Paquetá levantou e foi até ela.
— Sério?
Ela ficou sem reação.
Ele a puxou para um abraço.
E eu juro… ela quase chorou.
— Prazer, viu — ele disse, sorrindo — obrigado pelo carinho.
— Meu Deus… eu te amo — ela falou, completamente sem filtro — desculpa.
Ele riu.
— Relaxa. Vamos conversar bastante nessa Copa.
Ela voltou e sentou ao meu lado, ainda meio em choque, me abraçando de leve.
Eu sorri.
O clima era leve.
Mas, no fundo…
Eu sabia.
Aquilo tudo ia mudar muita coisa.
E talvez… não só dentro de campo.
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