"Amor de Infância, Destino de Adulto-Gabriel Martinelli" Capítulo 8
PUBLICIDADE
Point of View — Ana Gabriela
Eu pedi desculpas ao Higor.
Mais de uma vez.
Mais do que precisava.
Mas aquilo não saía da minha cabeça.
Não fazia sentido nenhum o Gabriel ter falado daquela forma, questionando a posição dele, como se soubesse mais do que todo mundo. Como se tivesse o direito de diminuir algo que era tão importante pra mim.
E o pior…o Higor nem tinha ficado bravo.
Quem estava era eu.
Talvez porque, no fundo, eu soubesse que não era só sobre futebol.
Talvez fosse sobre o Gabriel.
Ou sobre tudo que eu não entendia entre nós dois.
Suspirei, girando o copo entre os dedos.
A vodka já descia sem esforço algum. O gosto ardido não incomodava mais. Na verdade, eu nem sentia direito. Era como se cada gole anestesiasse um pouco aquela confusão dentro da minha cabeça.
O bar do hotel estava quase vazio. Luz baixa, música lenta, algumas pessoas espalhadas.
Perfeito para sumir.
Perfeito para não pensar.
Ou tentar.
Quando a garrafa acabou, eu nem hesitei. Levantei a mão para pedir outra, mas antes que o garçom se aproximasse, alguém segurou meu pulso.
— Chega.
A voz era firme.
Eu já sabia quem era antes mesmo de olhar.
Gabriel.
Ele estava de preto. Boné, moletom, perfume forte. Familiar demais.
Incômodo demais.
— O que te deu? — ele perguntou, me encarando.
Soltei uma risada sem humor.
— Eu quero ir pro Brasil — murmurei, sentindo minha voz falhar — Eu quero o meu namorado.
Ele revirou os olhos, claramente impaciente.
— Você tá bêbada.
— Eu quero o meu namorado que me ama… — continuei, ignorando — …e joga na posição certa.
Ele soltou uma risada curta, sem graça.
Aquilo me irritou.
— Você é idiota! — apontei o dedo para o rosto dele — Você não sabe de nada! Você não sabe o quanto eu amo o Higor… Ele foi o meu primeiro namorado, sabia? O primeiro! Idiota!
Ele me observou por alguns segundos.
Sério.
Cansado.
Como se não tivesse energia para discutir.
— Tá bom, Ana. — suspirou — Agora vamos embora.
— Chato. Imbecil. — resmunguei, deixando ele me puxar.
O elevador parecia girar mais do que deveria.
Eu encostei na parede, fechando os olhos.
— Eu quero o meu namorado…
— Infelizmente ele não tá aqui — ele respondeu, seco — Eu vim tentar conversar, mas claramente não é o momento.
— Não preciso conversar.
— Claro que precisa — ele rebateu, sem paciência — Mas é mais fácil agir como uma adolescente.
Saímos do elevador.
O corredor parecia infinito.
— Me dá a chave.
Revirei os olhos, mas entreguei.
Ele abriu a porta. Eu fui direto para a cama, sem olhar pra trás.
Afundei no colchão, puxando o travesseiro.
— Vai ficar bem? — ele perguntou, ainda parado na porta.
Ri, sem vontade.
— Eu sempre estive bem sem você.
PUBLICIDADE
O silêncio caiu pesado.
Eu não precisei olhar pra saber que aquilo tinha atingido.
— Maturidade impressionante — ele murmurou.
Quando olhei, ele já estava saindo.
Antes de fechar a porta, ainda levantou o dedo do meio na minha direção.
E foi embora.
Point
of
View — Gabriel Martinelli
Quando o Antony me contou que a Ana tinha ficado mal com o que eu disse, eu soube na hora que tinha passado do ponto.
Mas eu não sabia exatamente o porquê.
Era só futebol.
Só opinião.
Então por que aquilo importava tanto?
Por que eu me importava tanto?
Isabella disse que eu devia ir falar com ela.
Eu fui.
E claramente foi uma péssima ideia.
Suspirei, apoiando a testa no volante antes de ligar o carro.
— Eu devia ter ficado quieto…
Talvez fosse mais simples.
Talvez fosse melhor não mexer em coisas que eu nem entendia.
Quando cheguei em casa, Isabella já estava no quarto.
Ela me olhou, esperando que eu falasse alguma coisa.
Eu não falei.
Não queria colocar ela no meio daquilo. Já era bom demais ela lidar com a presença da Ana sem reclamar.
— Vou dormir… você vem? — perguntei.
Ela assentiu, se levantando.
Eu sabia que ela queria perguntar.
E eu sabia que estava evitando responder.
Uma semana depois
Nada dava certo.
Nada.
Treino ruim. Cabeça ruim. Jogo ruim.
Banco.
Eu, no banco.
Cruzei os braços, olhando o campo. O estádio lotado, o jogo travado, zero a zero no placar.
Arsenal contra Manchester.
E eu ali, assistindo.
Uma semana sem falar com a Ana.
Uma semana fingindo que aquilo não me afetava.
Mentira.
Afetava.
— Vai aquecer — o técnico chamou.
Levantei na hora.
Era minha chance.
Ou talvez minha obrigação.
Entrei no segundo tempo.
Antony me olhou e sorriu, mas foi rápido. Logo depois a expressão mudou, como se estivesse esperando alguma coisa.
Como se soubesse que eu precisava resolver.
E eu precisava.
Dez minutos.
Foi o tempo que demorou.
Falta.
Eu fui pra área.
A bola veio alta.
Eu saltei.
E então—
Impacto.
Um choque violento.
Minha perna virou de um jeito que não devia.
— Porra!
Caí no chão na mesma hora.
A dor veio forte, imediata, queimando.
— Levanta, levanta! — ouvi a voz do Jesus.
Tentei.
Não consegui.
A dor aumentou.
Respirei fundo, deitando de volta.
Droga.
Droga.
Droga.
O médico falou rápido demais, mas eu só consegui prestar atenção em uma coisa:
— Nada rompido. Só uma luxação. Três semanas.
Três semanas fora.
Poderia ser pior.
Mas não era bom.
Quando levantei o olhar, vi Isabella.
E vi a Ana.
Ela estava mais distante, ao lado do fisioterapeuta, séria.
Profissional.
Como se nada tivesse acontecido.
— Graças a Deus — Isa me abraçou.
Assenti.
— Tô bem. Vamos embora.
Ela concordou.
Passei pela Ana sem olhar.
Ou tentei.
— Gabriel — ela chamou.
Parei.
— O chefe me colocou na sua recuperação… — ela falou, hesitante — Posso te mandar mensagem… ou você prefere outro profissional?
Soltei o ar devagar.
— Não precisa ter medo de mim, Ana Gabriela.
Ela me olhou, surpresa.
— Eu não sou um descontrolado.
Uma pausa.
— Pode me mandar mensagem.
Ela assentiu.
— Tá bom.
— Até amanhã.
Saí antes que aquilo virasse outra discussão.
---
Point of View — Ana Gabriela
Minha vida estava começando a se ajeitar.
Finalmente.
Na última semana, eu evitei o Gabriel ao máximo.
E, de alguma forma, quem me ajudou foi o Antony.
Ele me levou pra ver apartamento, me ajudou com papelada, me fez rir quando eu precisava.
Eu consegui:
alugar um apartamento
retomar a faculdade
começar a organizar minha vida
E o melhor de tudo…
Higor vinha pra Londres.
Sorri, jogando o celular no sofá.
Aquilo sim fazia sentido.
Aquilo sim era fácil.
Meu celular vibrou.
Mensagem.---
Ele: Estou embarcando agora(foto no avião)Estou com saudade.
---
Meu coração apertou.
---
Você: Eu também.Tô morrendo de saudade.Amanhã eu te busco. ❤️
---
A resposta veio rápido.
---
Ele: Aproveitar como? ????Espero que você tenha feito amizade com os vizinhos…a gente vai incomodar.
---
— HIGOR!
Ri sozinha, balançando a cabeça.---
Você: Para de ser explícito! kkkkkMas sim… a gente vai aproveitar muito.Boa viagem, amor. Te amo.---
Ele: Te amo, gatinha.---
Bloqueei o celular, deixando ele cair ao meu lado.
Respirei fundo.
Pela primeira vez em dias…
eu me senti tranquila.
Mas lá no fundo…
bem no fundo…
a sensação de que alguma coisa ainda ia dar errado não me deixava completamente em paz.
---
Continua
PUBLICIDADE
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 11
MENINA DÁ METADE DO LANCHE A UM MENINO SEM-TETO... 25 ANOS DEPOIS, ELE VOLTA MILIONÁRIO
Aos nove anos, Gabriel Costa vivia nas ruas de São Paulo e esperava todos os dias diante do portão de uma escola particular. Foi ali que conheceu Valentina Almeida, uma menina rica que passou a dividir escondida metade do próprio almoço com ele. Quando Gabriel foi adotado por uma família de Curitiba, fez uma promessa antes de partir: "Quando eu crescer… eu volto para te buscar." Vinte e cinco anos depois, Valentina enfrenta a doença do pai, a falência do Grupo Almeida e um noivado que esconde interesses perigosos. É então que Gabriel retorna a São Paulo — não mais como o menino faminto do portão, mas como um empresário cuja fortuna ultrapassa R$ 950 milhões.Moderno13.8 mil palavras5 180 -
TerminadoCapítulo 11
MILIONÁRIO CHEGA MAIS CEDO À CASA DE CAMPO... E QUASE DESMAIA COM O QUE VÊ
Milionário chega mais cedo à casa de Campo e quase desmaia com o que vê. Alejandro para no jardim sem acreditar. Léo, seu filho, ri alto nos braços de Helena, a faxineira. O menino que diziam ser incapaz de sentir emoção, agora gargalha como nunca. Pela manhã, Carla insistiu em aumentar os sedativos, dizendo que Léo era um caso perdido. Mas ali, diante dos olhos do pai, a verdade aparece. Não era doença, era medo. Helena tenta soltá-lo, assustada, mas Léo se agarra a ela como proteção. Quando o carro de Carla surge na entrada, o sorriso some, o corpo do menino trava. Alejandro entende tudo naquele instante. Ele manda Helena agir normalmente e decide observar em silêncio. Aquela risada muda tudo. Naquela noite, ele jura proteger o filho, descobrir quem mentiu e acabar com o terror escondido dentro da própria casa. A guerra começa ali, no quintal, com um riso que salvou uma vida.Moderno13.7 mil palavras5 123 -
TerminadoCapítulo 12
Eles Pensavam Que Eu Era Uma Boneca Frágil… Até Ouvirem o Som do Gatilho
Na alta sociedade de São Paulo, Christian von Stock e Victória de Medeiros pareciam o casal perfeito: ele, um titã corporativo brilhante e irretocável; ela, uma herdeira gélida e deslumbrante. Mas o conto de fadas durou apenas até o momento em que a porta da imponente mansão se fechou. No segundo em que o último flash da imprensa sumiu, Christian revelou ser o seu pior pesadelo. Dono de uma mente brilhante e sádica, ele confiscou o passaporte, o celular e as contas de Victória, transformando-a em uma prisioneira na própria casa. Para garantir a obediência absoluta, ele escolheu a única fraqueza dela: Camila, sua irmã caçula com síndrome de down, agora vigiada de perto como refém. Aos olhos do mundo, eles eram a imagem da felicidade conjugal, com sorrisos ensaiados e jantares de gala. Entre quatro paredes, era uma guerra psicológica diária onde a respiração de Victória era controlada e a liberdade, uma lembrança distante. Christian acreditava ter quebrado o espírito de sua esposa, transformando-a em uma boneca dócil. O que ele não sabia era que, sob a pele da mulher acuada, Victória contava cada segundo, memorizava cada código de segurança e aguardava pacientemente o momento certo. Ela fingiu submissão. Ela jogou o jogo dele. E, quando o monstro finalmente cometeu o erro de subestimá-la, a frágil esposa sumiu. No lugar dela, emergiu a lâmina afiada pronta para destruir o império dele de dentro para fora. Uma mente brilhante, uma gaiola de ouro e um jogo de gato e rato onde a única regra é sobreviver para ver quem quebra primeiro.Outras|Aventura|Moderno15.3 mil palavras5 148 -
TerminadoCapítulo 10
Minha Mãe Deixou Minha Esposa Desmaiada no Chão
Arthur voltou de viagem dois dias antes e encontrou a mesa cheia, o filho de oito dias chorando e Elena desacordada no tapete. A mãe dele continuava cortando o jantar. Se você encontrasse sua esposa nessa situação e descobrisse que alguém da sua própria família havia falsificado sua assinatura, qual seria sua primeira atitude? Leia até o fimModerno10.3 mil palavras5 130 -
TerminadoCapítulo 11
Mostraram Suas Verdadeiras Faces… Sem Saber Que Eu Fingia Estar Paralisada
Fingi Estar Paralisada Por 10 Dias… Meus Filhos Disputaram Minha Fortuna, Mas A “Intrusa” Ficou... Aos 66 anos, Beatriz Montenegro Sampaio construiu um dos maiores impérios imobiliários de São Paulo. Rica, poderosa e acostumada a controlar tudo, ela acreditava conhecer os próprios filhos. Até ser envenenada durante sua festa de aniversário. Ao descobrir que sobreviveria sem sequelas permanentes, Beatriz toma uma decisão perigosa: fingir que ficou paralisada e sem conseguir falar para descobrir quem permaneceria ao seu lado quando ela não pudesse mais oferecer poder, dinheiro ou proteção.Moderno15.1 mil palavras5 352 -
TerminadoCapítulo 11
“Ela Não É Minha Filha”… Até o DNA Revelar Um Segredo Pior
No aniversário da pequena Sofia, Isabela presencia uma cena que muda para sempre sua relação com a poderosa família Montenegro. Mas o golpe mais cruel vem do próprio marido, Alexandre, que olha para a menina e declara diante de todos: "Ela não é minha filha." Isabela, porém, já conhece a verdade. Um exame de DNA confirma que Sofia é filha biológica de Alexandre com 99,9998% de probabilidade. Só que existe uma segunda página no resultado — e ela revela algo ainda mais devastador... Até onde sua própria mãe foi capaz de ir para proteger os segredos da família Montenegro?Moderno13.4 mil palavras5 287 -
TerminadoCapítulo 11
O Chefe da Máfia Mais Temido Viu Minhas Mãos Tremendo… E Fez Uma Única Pergunta
Isabela Oliveira Martins só queria sobreviver a mais um turno em um restaurante sofisticado nos Jardins, em São Paulo. Mas, ao servir a mesa 17, suas mãos começaram a tremer diante do homem que todos no salão pareciam temer: Dante Vasconcelos Montenegro, um poderoso e misterioso chefe da máfia. Quando Dante percebe as marcas no pulso da garçonete, segura sua mão e pergunta baixinho: "Quem fez isso com você?" Isabela não consegue responder. Porque o homem de quem está fugindo é Marcelo Ferraz, seu ex-namorado controlador, alguém que parece sempre saber onde ela está. O que Isabela ainda não sabe é que seu encontro com Dante está longe de ser uma coincidência do destino. Uma investigação começa a revelar que Marcelo se aproximou dela por causa de Antônio, seu pai, morto quinze anos antes em circunstâncias nunca esclarecidas. E quanto mais Isabela procura respostas, mais descobre que os Ferraz e os Montenegro escondem um passado construído sobre dinheiro, traições e silêncio. Até Dante guarda um segredo sobre a noite em que Antônio morreu. Agora, Isabela terá que descobrir em quem pode confiar — sem permitir que outro homem decida seu destino. Porque talvez seu pai não tenha morrido apenas por descobrir um crime.Bilionário|Máfia|Moderno14.3 mil palavras5 4105 -
TerminadoCapítulo 10
Três Dias Após o Funeral, Ouvi Meu Marido Planejar Minha Herança
Três dias depois de enterrar a mãe, Eliza ouviu o marido dizer ao telefone: “Assim que eu acessar as contas, a gente venceu.” Ela não desceu a escada nem exigiu explicações. Apertou o botão de gravar. Na manhã seguinte, o último vídeo de Margaret revelou que Garrett pesquisava a herança antes mesmo do casamento — e que Sienna, irmã de Eliza, havia aberto a primeira porta.Moderno9.7 mil palavras5 197 -
TerminadoCapítulo 10
A Menina Que Entrou Molhada no Baile
Com fome e encharcada, Lívia, de nove anos, entra escondida no baile beneficente do Hotel Imperial procurando a mãe. Helena Albuquerque, viúva de uma das famílias mais ricas de São Paulo, joga água no rosto da menina e a acusa de roubo. Quando Lívia cai, um colar de safira se solta de seu pescoço. Dentro da pedra existe uma fotografia que Helena não vê há vinte anos — e a prova de que a criança humilhada diante da elite é a neta que ela nunca soube que tinha.Moderno10.0 mil palavras5 110 -
TerminadoCapítulo 10
A Menina Deu Seu Último Remédio ao Temido Homem
Uma reação alérgica derruba Adrian Moretti dentro da própria mansão. Ellie Carter, filha de uma funcionária e portadora de alergia severa, usa nele seu último autoinjetor de epinefrina. Quando Adrian voltou a respirar, descobriu que aquela era a última dose dela. Minutos depois, a menina disse algo ainda mais impossível: viu um velho colocar “lágrimas azuis” no vinho. O que começou com uma injeção levou a uma chave costurada dentro de um coelho, ao assassinato encoberto de David e à filha que Adrian acreditava ter enterrado.Moderno|Romance10.1 mil palavras5 127