"Coração Selvagem: Ouvindo a Voz das Feras" CAPÍTULO 7: Fingindo ser Manco
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Quem conhecia Viviane teria dificuldade em não notar a coincidência exata daquela pinta.
Os olhos da polícia eram ainda mais precisos.
Eles comparavam imagens de câmeras de segurança com frequência. Só de uma olhada, quase podiam afirmar que a pessoa no vídeo era Viviane.
[O que está acontecendo? Essa reviravolta foi tão rápida que não consegui acompanhar.]
[Não era a streamer que vinha expor a clínica? Como virou a streamer envenenando animais de rua?]
[Será que foi a streamer que envenenou primeiro, e depois veio se fazer de justiceira?]
[A Wenwen nunca faria algo assim. Com certeza estão incriminando ela de propósito.]
Viviane estava completamente desesperada. Sua mão segurando o celular tremia incontrolavelmente, mas sua voz não demonstrava fraqueza. "Este vestido pode ser de uma marca nicho, mas não fui a única a comprar. Quem sabe que infeliz teve o mesmo gosto? E a pinta na testa, não sou a única que tem."
"É só um vídeo onde não dá para ver o rosto direito. Quem sabe quem é? Letícia, se quer me incriminar, então apresente provas concretas." O olhar de Viviane para Letícia tinha agora um tom de provocação.
Justo quando a situação parecia empacada, o gatinho preto-e-branco que Letícia ajudara mais cedo apareceu sorrateiramente na loja, sem que ninguém soubesse quando.
O gatinho se aproximou de Viviane e cheirou-a repetidamente.
'
Miau!
'
'
A humana cheira a salsicha.
'
Gatinhos realmente adoram salsicha. Alguns gatos de rua até se arriscam a roubar salsichas de lojas. Até mesmo algumas pessoas bondosas escolhem dar salsicha para eles.
O olfato dos animais é muito mais aguçado que o dos humanos.
Ao ouvir o pensamento do gato de rua, Letícia deu um passo à frente, seu rosto sério. "Quer provas? As provas estão na sua bolsa."
Com um movimento rápido, Letícia arrancou a bolsa de ombro de Viviane. Antes que ela pudesse reagir, Letícia já havia aberto o zíper e despejado violentamente todo o conteúdo no chão.
Entre as coisas, havia o plástico de uma salsicha, e um pacote aberto de raticida, embrulhado em um lenço de papel.
O gatinho preto-e-branco, sentindo o cheiro da salsicha, foi correndo comer, mas Letícia foi mais rápida, pegando-o no colo. "Não pode comer. A salsicha tem coisa suja."
'
Humana má, quer acabar com o Miau!
'
Sem tocar com as mãos, Letícia embrulhou os itens no lenço de papel e entregou a Douglas. "Ainda diz que não foi você? Como tem resto de salsicha na sua bolsa?"
"Pode ser que eu tenha comprado para mim." A voz de Viviane, mesmo na defensiva, estava mais fraca.
"E você come raticida também?" A voz de Letícia tinha um tom de desdém quase imperceptível.
Douglas interrompeu a discussão das duas. Com um gesto, ordenou aos colegas: "Levem ela."
Dois agentes se aproximaram, um de cada lado, e levaram Viviane. Um deles desligou a live no celular.
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Douglas virou-se para Letícia. "Senhorita Letícia, você precisa vir conosco à delegacia para prestar depoimento."
Com a experiência anterior, Letícia foi com Douglas até a viatura e para a delegacia com muita naturalidade.
Quando Letícia voltou da delegacia, a tricolor já tinha saído da sala de emergência. Ainda bem que Ana a encontrou a tempo, e ela estava fora de perigo.
"Leti, aquele gatinho preto-e-branco ficou aqui a tarde toda. Damos ração e água, mas não importa como tentamos, ele não vai embora." Ana massageou o pescoço, olhando para o gatinho dormindo no sofá.
O gatinho preto-e-branco, ouvindo o barulho de Letícia, levantou num salto, foi até ela e começou a esfregar-se em sua perna.
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A irmã entende o Miau!
'
Depois de gastar tanta energia discutindo com Viviane, ouvir o pensamento do gatinho fez Letícia sorrir. "Já que nossa clínica não tem muitos bichos, que tal deixar ele ficar por aqui por enquanto? Pelo menos anima um pouco o lugar."
"Se um dia ele quiser ir embora, aí deixamos." Letícia não resistiu e acariciou a cabeça peluda do gatinho.
Este gato preto-e-branco era muito mais bonito que os comuns. As manchas pretas ao redor dos olhos eram perfeitamente simétricas, e ele tinha "luvinhas" brancas.
'
Ótimo!
'
O gatinho preto-e-branco pulou direto no colo de Letícia e ficou por ali.
Embora a clínica tivesse equipamentos completos, como não tinha animais internados, não havia ninguém de plantão à noite.
Preocupada, Letícia decidiu levar o gatinho preto-e-branco e a tricolor para casa para cuidar deles.
Na época, seus pais, preocupados com a comodidade dela, compraram um apartamento perto da clínica. Era um apartamento amplo, de três quartos e dois banheiros, onde ela morava normalmente.
Letícia colocou os dois gatinhos para descansar na sala. Colocou uma caixa de areia na varanda e forrou o sofá com uma almofada macia.
A tricolor, por causa da lavagem estomacal, ainda não podia comer, então teria que ficar com fome à noite.
Como durante o dia não havia ninguém em casa, ela não se sentia segura em deixar os dois sozinhos e os levou para a clínica.
A clínica, que antes estava vazia, ganhou um pouco de movimento graças à "propaganda" involuntária feita por Viviane na live do dia anterior.
Mesmo que Viviane tivesse acabado presa por colocar a segurança pública em risco.
O sino da porta tocou. Uma mulher entrou apressada, carregando um gato Ragdoll. "Doutora, por favor, olhe a minha Doudou!"
Letícia foi recebê-la imediatamente. "O que aconteceu?"
A mulher, ansiosa, explicou: "Hoje de manhã, quando acordei, vi que a perna da minha Doudou estava manca. Fiquei tão assustada que trouxe ela direto para a clínica."
Letícia examinou primeiro as almofadinhas das patas do gato, depois apalpou os ossos. Nada parecia errado.
"No começo, também pensei que ela pudesse ter furado a pata brincando, mas está tudo bem. Doutora, será que ela caiu de algum lugar alto durante a corrida noturna?" A mulher já estava com a testa suada de preocupação.
"Gatos são animais muito ágeis. Geralmente, mesmo caindo de lugares altos, eles conseguem se virar rápido e não se machucam." Letícia explicou.
"Doutora, não precisa fazer um raio-X?" A mulher perguntou timidamente.
Geralmente, em clínicas veterinárias, os médicos sugerem primeiro fazer um raio-X.
"Não precisa. Pode colocá-la no chão, deixe a Doudou andar um pouco para eu ver." Letícia, com as mãos nos bolsos, observou atentamente o gatinho.
Hesitante, a mulher colocou o Ragdoll no chão. "Doudou, anda um pouco para a doutora ver."
Ao tocar o chão, Doudou apoiou-se em apenas três patas, mantendo a outra encolhida contra o peito. Ao andar, balançava descoordenadamente para os lados.
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O Miau não está manco!
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A perna do Miau está ótima!
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A mulher continuava tagarelando, explicando para Letícia: "Hoje de manhã, quando acordei, vi a Doudou assim. Fiquei tão assustada que trouxe ela direto, com medo de atrasar e piorar."
Letícia bateu levemente os dedos na mesa. "Não se preocupe. Seu gato está bem. Ela está fingindo."
Ao ouvir isso, a mulher olhou para Letícia com uma expressão de total incredulidade.
Até a pequena Ragdoll no chão, ao ouvir as palavras de Letícia, quase perdeu o equilíbrio e colocou a outra pata no chão, se entregando.
'
Humana, como você sabe que o Miau está fingindo? O Miau fingiu tão bem, até a mamãe não percebeu.
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