"O Preço do Perdão" Capítulo 1
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Capítulo 1
Quem poderia imaginar que minha esposa, ao trair com outro homem, acabaria sofrendo uma ruptura de cisto lúteo por conta da intensidade do que fizeram.
Quando cheguei ao hospital, ele ainda estava lá. Isabela precisava de cirurgia com urgência, e só eu, como familiar direto, podia assinar a autorização.
Fiquei encarando aquele homem com os olhos cravados nele. Ele, por sua vez, tinha uma expressão de total indiferença, como se tivesse plena certeza de que eu não faria nada.
— Quem é o familiar do paciente? — perguntou o médico.
— Eu sou.
— Venha assinar aqui.
Me adiantei rapidamente. O médico me olhou, depois olhou para ele, e pareceu entender tudo sem precisar de mais palavras.
— A juventude de hoje não tem mesmo limite.
Engoli o orgulho, assinei o documento e saí do consultório.
Isabela estava no leito pré-cirúrgico, com as mãos na barriga, esperando. Quando me viu, o desespero tomou conta do rosto dela.
— Rafael, me deixa explicar...
Não dei atenção.
Meu olhar caiu nos roxos que marcavam seus pulsos e seu pescoço. Marcas de corda.
— Muito criativo. Penduraram você, foi?
Heitor se aproximou com um sorriso torto, me encarando com deboche.
— Tenho certeza de que você nunca a viu assim. Que tal da próxima vez a gente fazer um trio?
————————————
Olhando para aqueles dois ali na minha frente, não precisei de muito esforço para imaginar o que tinha acontecido uma hora antes.
Lancei um olhar de desprezo para Heitor.
— Você acha que eu tenho o mesmo nível que vocês dois?
Virei para Isabela.
— Isabela, quero o divórcio.
Aquele homem não era nenhum desconhecido. Era Heitor, o ex-namorado da minha esposa.
Éramos os três colegas de faculdade. Depois da formatura, ele foi sustentado por uma mulher mais velha e rica, e abandonou Isabela sem cerimônia. Depois que eu e Isabela nos casamos, minha carreira foi crescendo, e em apenas cinco anos a empresa dela abriu capital na bolsa. Foi exatamente nesse momento que Heitor, já descartado pela sua mecenas, voltou a procurá-la. Os dois reataram o que tinham sem perder tempo.
Por causa disso, Isabela e eu travamos inúmeras brigas. Ela se recusava a admitir a traição, negava tudo com uma convicção que chegava a me fazer duvidar de mim mesmo, até que, no Natal, os peguei em flagrante.
O Natal era também o nosso aniversário de casamento. Eu tinha preparado tudo com antecedência: o presente, as flores, o champanhe, o jantar à luz de velas. Queria aproveitar a data para tentar reparar o que havia se quebrado entre nós. Mas esperei da tarde até a madrugada, e o que recebi foi uma mensagem:
"Não me espera, hoje tem compromisso de trabalho. Descansa cedo. A gente comemora o Natal em outro dia."
Li aquilo com um cansaço que ia além do corpo. Sacudi a cabeça, resignado. Era, de novo, só ilusão minha.
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Me levantei e fui até a janela. No jardim lá embaixo, a grande árvore de Natal brilhava enfeitada de luzes, e flocos de neve brancos caíam devagar do céu. Era uma cena bonita, mas eu não tinha coração para apreciá-la. Sabia que não havia nenhum compromisso de trabalho. Naquele momento, ela estava com Heitor.
E foi exatamente o que aconteceu. Pouco tempo depois, chegou uma notificação de cobrança no meu celular — do Hotel Sheraton. Ela tinha usado o cartão errado sem perceber.
————————————
O impacto foi devastador por dentro. Mesmo já desconfiando há tempos que os dois se encontravam às escondidas, mesmo carregando aquela suspeita como um peso no peito, quando a prova apareceu concreta na minha frente, eu simplesmente não consegui aceitar.
Entrei no carro e fui direto para o Sheraton. Na recepção, descobri o número do quarto e subi.
Parei diante da porta. Do outro lado, tudo estava acontecendo. Eu ouvia a respiração ofegante de Isabela, os gemidos abafados, o ranger ritmado da cama. Minhas mãos foram fechando sozinhas em punhos. Segurei a raiva com toda a força que tinha, e esperei. Esperei até o silêncio.
Então bati na porta.
Não perdi a cabeça. Não fiz escândalo. Apenas observei o chão coberto de lenços de papel, o rosto ainda corado dela, e o homem na cama que me encarou em pânico.
Isabela ficou em choque. Não esperava me encontrar ali de jeito nenhum.
— O que você está fazendo aqui?
Eu a encarei com um sorriso frio.
— Por que essa surpresa? Minha presença te incomoda?
— Desta vez não tem como negar, tem? Cadê todas as desculpas de antes?
Isabela pressionou o corpo contra a porta, com medo de que eu entrasse e arrastasse Heitor para fora.
— Me escuta, por favor. Eu não queria te enganar, juro...
— Cala a boca. Te peguei na cama com outro e você ainda está pensando em como se justificar?
— Isabela, você me decepcionou demais.
Não entrei. Não botei Heitor para fora. Afinal, naquele momento, era eu quem parecia o perdedor.
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