"Sua Cópia Perfeita (Mas Eu Não Sou Ela)" Capítulo 7
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— Ricardo, já chega… pare de beber.
Ricardo estava sentado, tomando um copo atrás do outro.
Só assim conseguia abafar, ainda que por alguns instantes, o vazio inquietante dentro do peito.
— Como ela pôde me deixar…?
— A Aurora me amava tanto…
Os amigos ao redor não sabiam o que dizer.
Sem opção, ligaram para Lívia.
— Ricardo… não beba mais.
Lívia entrou no salão e tirou o copo da mão dele.
Ricardo levantou o olhar.
Pegou o copo de volta.
— Não se meta.
Os outros presentes perceberam o clima.
Saíram silenciosamente, deixando os dois a sós.
Lívia observava Ricardo.
De repente, empurrou todos os copos da mesa ao chão.
O som dos vidros quebrando ecoou alto.
Ricardo pareceu recobrar um pouco da lucidez.
Lívia não conseguia entender.
Aurora já tinha ido embora.
E mesmo assim…o homem que dizia amá-la, que largava tudo por ela…estava afundando assim?
Ela se sentou ao lado dele:
— Ricardo… você não disse que sempre me amou?
Ricardo manteve a cabeça baixa.
Em silêncio.
— Você se preocupa comigo, larga a Aurora por mim… até assumiu prejuízos enormes só para me impedir de casar.
— Ricardo… o que aconteceu no passado foi culpa minha. Eu não deveria ter te deixado. Mas agora eu voltei.
Ela se aproximou.
— Eu ainda gosto de você. E você também gosta de mim… então por que não ficamos juntos?
Quando se casou com Aurora…
Ricardo estava apenas tentando provocar Lívia.
Era esse o resultado que ele sempre quis.
Então…por que ele não estava feliz?
Lívia percebeu uma hesitação no olhar dele.
Aproveitou o momento.
Abraçou-o.
— Eu errei no passado… mas agora estou de volta. A Aurora já foi embora… vamos ficar juntos, tá?
Ricardo estava bêbado.
Olhou para Lívia com um olhar confuso.
Ele não sabia.
Não sabia mais o que sentia.
Ele amava Aurora?
No começo…
não.
Mas, com o tempo…a convivência diária…o filho que esperavam…
Ele não podia negar—
que sentimentos haviam surgido.
Mas e Lívia?
Aquele primeiro amor…que marcou sua vida…ele ainda a amava?
Ricardo não sabia.
Sua mente estava um caos.
— Mas… quando a Aurora foi embora… eu me senti tão mal…
Lívia percebeu a abertura.
Falou suavemente:
— É só costume… quando ficarmos juntos, você vai esquecer dela.
Ela se inclinou, esperando uma resposta.
— Ricardo… vamos recomeçar?
Mas ele a empurrou.
Não respondeu.
Levantou-se, cambaleando, e saiu.
Os amigos do lado de fora o levaram embora.
Lívia ficou parada.
Sem resposta.
Olhando para a porta por onde ele havia saído—
pegou uma almofada e a arremessou com força no chão.
Ricardo não estava completamente bêbado.
Ele tinha ouvido a pergunta de Lívia.
Mas… não sabia como responder.
Ele voltou para casa.
Seus olhos caíram sobre o recipiente com o bebê, ainda sobre a mesa.
Ele o pegou.
Abraçou contra o peito.
— Me desculpa… meu amor… me desculpa…
Não se sabia… se aquele pedido de desculpas era para o filho… ou para Aurora.
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— Ricardo… vamos enterrar o bebê, tá?
Lívia apareceu na casa dele.
Ainda havia medo em seus olhos ao olhar para aquele pequeno corpo.
Ricardo ficou em silêncio por muito tempo.
Até, por fim… assentir.
Ele comprou um terreno no cemitério mais caro da cidade.
Não contratou ninguém.
Sozinho…
colocou o pequeno recipiente no túmulo.
Na lápide— não havia nome.
Não havia foto.
Apenas uma inscrição simples:
“Filho de Ricardo Vasconcelos e Aurora Nogueira.”
Depois de enterrá-lo…
Ricardo se ajoelhou diante da lápide.
Passou os dedos pelo nome de Aurora.
— Me desculpa… me desculpa…
Lívia estava ao lado.
Seus olhos escondiam impaciência e desprezo.
Mas, no momento em que Ricardo olhou para ela—
ela rapidamente mudou a expressão.
— O bebê é tão inocente… é realmente uma pena…
Ricardo não respondeu.
Passou direto por ela.
— Ricardo… espere, eu não consigo acompanhar.
Ela reclamou, mancando levemente.
De repente, soltou um pequeno grito:
— Ah!
Ricardo se virou, impaciente.
— Meu pé… o salto machucou…
Antes… ele já teria a carregado.
Ou pelo menos corrido para comprar um curativo, um sapato mais confortável.
Mas agora— ele apenas a olhava.
Sem se mover.
— Ricardo… pode me carregar?
Ela tentou, quase implorando.
Mas a resposta dele veio fria:
— Eu não pedi para você vir. Você sabia para onde estava vindo… deveria ter escolhido o sapato certo.
Lívia ficou paralisada.
— Ricardo… você não era assim antes!
Ele nem sequer mudou a expressão.
— Antes era antes. Lívia… tudo deveria ter acabado no momento em que você foi embora sem dizer nada.
O pânico tomou conta dela.
Sem se importar com a dor, correu até ele.
— Ricardo… você está dizendo isso só para me provocar, não é?
Ela tentou segurar a mão dele.
Mas ele a afastou.
Sem hesitação.
— Lívia… eu amo a Aurora. Isso acabou.
Ela não acreditava.
— Ela já foi embora! Por que não podemos ficar juntos?!
— Você ainda me ama!
Ricardo respondeu, frio:
— Eu já pensei sobre isso. Eu tive sentimentos por você… mas isso ficou no passado.
— O que fiz por você depois que voltou… foi apenas por consideração. Não é amor.
Ele olhou para frente.
Sem emoção.
— Eu amo a Aurora. Quero ficar com ela.
Depois disso— ele simplesmente foi embora.
Sem olhar para trás.
Na mente dele, havia apenas um pensamento—
Encontrar Aurora.
Pedir perdão.
E trazê-la de volta.
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